SUL MATO GROSSENSE SIM, MAS ACIMA DE TUDO PANTANEIRO COM MUITA HONRA.
Quanta discussão, quanta polêmica com o nome do nosso estado -“ Mato Grosso do Sul”. Revendo os fatos e a nossa história, percebemos que tudo começou com os primeiros divisionistas - Vespasiano Martins, Demósthenes Martins e tantos outros que acompanharam essa carruagem, e que tanto lutaram e conseguiram a sonhada Divisão do uno estado de Mato Grosso.
Sou campo grandense com orgulho, mas na minha modesta opinião, faltou na ocasião da Divisão conhecimento, vivência... na linguagem popular, faltou “manha”. Por vaidade, egoísmo e falta de união, nós deixamos “esse cavalo arreado” passar, permitindo que os vizinhos do norte aproveitassem melhor essa oportunidade. Nós ficamos, por incompetência nossa, com o nome de um estado confuso entre as comunidades que nos visitam, havendo a necessidade de correção continua por todos nós.
Temos de reconhecer que não estávamos preparados para semelhante fato. Após a Divisão do Estado, quem foi o primeiro governador? Dr. Harry Amorim Costa, um gaúcho de tradição que soube tão bem dar os primeiros passos. Foi seguido por um mineiro, Dr Marcelo Miranda e depois pelo mirandense Dr Pedro Pedrossian .Três governadores num único mandato, graças às brigas políticas e interesses pessoais que nortearam o início do nosso Estado.
Depois disso, só resta dizer como o Francisco Maia ( Correio do Estado, 20 de junho), “as gerações subseqüentes não têm honrado a idoneidade, a energia e a fibra dos pioneiros divisionistas. Como são tão somente políticos, movimentam-se com exclusiva finalidade de se manterem no poder”.
Com copa ou sem copa de 2014, precisamos fazer uma reflexão para saber onde estamos errando. Uma coisa é certa: para se trazerem grandes eventos para nosso Estado, é necessário, primeiramente, cuidar de nossa tradição, de nossa cultura – molas mestras de qualquer nação, riqueza de nossa terra.
Fico preocupado não só por perdermos a oportunidade de ser uma das subsedes da copa de 2014, mas porque estamos perdendo nossas origens e identidade de sul mato grossenses. Onde estão as grandes festas e eventos populares que havia no passado?
O que vemos atualmente são eventos oriundos de outros estados. Os clubes de tradições gaúchas, catarinenses, paranaenses, baianas para todos os lados, alavancam suas tradições e festas em nosso meio, e o sul mato grossense assiste a tudo como um tuiuiú de bico aberto.
O chamamé pantaneiro é uma expressão musical derivada da polca correntina. Adquiriu, com criatividade dos acordeonistas sul mato grossenses, acordes sentimentais com alma e coração pantaneiros... e os bailarinos se embalam com emoção no seus ritmos e compassos : eles rodam, sonham, encantam e dançam. Mas necessitam hoje de uma colônia paraguaia para expressar seus desejos, espetáculos e sonhos.
Acordem... ação, minha gente!!!
Possuímos um pantanal maravilhoso, mas que poucos conhecem, e que continua adormecido. Nossos representantes só se lembram dele quando necessitam de marketing para o nosso estado... Campo Grande está distante do Pantanal, e não possuímos um acesso digno. Quem dera... uma estrada! Luz, só se for de lamparina, ou motores a óleo diesel, que poluem o meio ambiente. Quem quiser o beneficio da luz elétrica precisa desembolsar uma boa grana.
Mesmo contrário à pesquisa de opinião pública quanto ao plebiscito da mudança do nome do estado, acho que devemos respeitar as manifestações daqueles que desejam essa mudança. É uma ação democrática que resolverá, de uma vez por todas, o desejo dos que amam a sua terra. Se o resultado for “Sim”, mãos a obra! Vamos trabalhar, gastar e mudar. Se for “Não”, encerremos o assunto e enterremos definitivamente essa história.
E, dessa forma, vamos parar de culpar os outros... é hora de refletir: mea culpa, mea culpa, mea culpa!
Parabéns cuiabanos, que através da sua ousadia, coragem e união, souberam, brilhantemente, conquistar essa vitória como subsede da Copa de 2014. Que suas “mangas” enviadas sirvam de adubo para o nosso pessoal entender que é preciso empenho, competência, gestão e trabalho árduo, durante anos, em infra-estrutura, em estradas, em apoio ao turismo para que um dia a gente possa “tchupar nossos coquinhos” e tomar água do coco num pantanal desenvolvido, protegido e amado pelas nossas autoridades.
Dr. João Julio Dittmar
(jdittmar@terra.com.br)
Médico /Pecuarista.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
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