Da Redação
(Jornal de Domingo-online)
Noticia de: 05 de Junho de 2009 - 20:07
Entrevista com Wagner Sávio
Wagner Sávio Severino dos Santos, Coordenador Geral da liga pró estado do Pantanal-PN concedeu uma entrevista exclusiva para o site do Jornal de Domingo. Wagner falou sobre suas opiniões além de afirmar que “Pantanal-PN! este nome gera riquezas”.
1. De quem foi à idéia da mudança de nome e por quê?
R: – Desde a constituinte estadual, em 1979, o publicitário e sul-mato-grossense Roberto Duailibi, juntamente com outros intelectuais que fizeram parte dos trabalhos na época, já questionavam o nome MATO GROSSO DO SUL, afirmando que ele iria nos causar sérios prejuízos, tais como: a construção de nossa identidade, pois continuaríamos à sombra do antigo estado; a difícil memorização por falta do contra ponto, ou seja, não temos o MATO GROSSO DO NORTE; um nome extenso; etc.. Portanto, a mudança do nome do nosso estado está sendo pensada e discutida desde sua criação, mas eles deixaram bem claro que não foram os donos da verdade. Mas que queriam sim um debate no campo das idéias, de alto nível, esclarecedor e respeitando os contrários.
2. Em um site havia uma informação que identificava Manoel de Barros e um dos integrantes da família Espíndola como pioneiros na idéia da mudança do nome para Estado do Pantanal, isso é verdade?
R: - O que posso afirmar é que, desde a criação da Liga Pró Estado do PANTANAL-PN, em 07 de outubro de 1999, da qual faço parte desde o início como conselheiro fiscal e desde 2004 como Coordenador Geral, o artista plástico Humberto Espíndola, desde o início, fez parte como 1º coordenador –adjunto. Quanto ao nosso grande poeta Manoel de Barros, sua adesão aconteceu em janeiro de 2000. Destacou que “o nome PANTANAL é de todas as línguas, uma poesia universal que sintetiza as múltiplas essências humanas ao agregar o infinito espírito da natureza. Expressão que dispensa apresentação no mundo. Reforço que será acrescentado à consciência preservacionista, na medida em que vai incorporar em cada cidadão a responsabilidade de zelar pelo seu maior bem natural”. Um dia histórico para a liga. Portanto, pioneiro da idéia é o Sr Roberto Duailibi e quem realmente abriu o debate para a sociedade foi o ex- governador Zeca do PT.
3. Por que a mudança não aconteceu? E o que é necessário que se faça para que ela aconteça? Já que é um fato inédito na história do Brasil.
R: Por diversos fatores, mas há dois que realmente impactaram o andamento da proposta na época. Desqualificar e partidarizar o debate. A grande mídia de nosso estado, escrita e televisiva, deixou de lado seus nobres princípios, quais sejam os de INFORMAR e, principalmente, EDUCAR a sociedade, preferiu prestar um grande desserviço à população, desvirtuando ou sonegando informações. Argumentaram que a mudança iria trazer grandes transtornos à população com gastos exorbitantes como: trocar as placas de todos os carros, todos os documentos, escrituras cartorárias, etc., o que não era e não é verdade. Exemplo claro de partidarização foi que o estado do PANTANAL teria como sigla “PT”. Acredito que qualquer órgão de imprensa deste país, sabe que as siglas dos estados brasileiros são formadas, para os nomes simples, a partir da primeira letra do nome com a próxima, desde que não aja alguma existente.
Ex: Paraíba = PB (PA= Pará, PR=Paraná, PA=Pará, PI=Piauí e PB=Paraíba).
Ex: PANTANAL = PN (PA=Pará, PN=Pantanal).
P B = PARAÍBA
P A = PARÁ
P R = PARANÁ
P I = PIAUÍ
P B = PARAÍBA
P N = PANTANAL
Portanto, aquela história de PANTANAL – “PT”, é impossível de ocorrer. Infelizmente uma mentira pronunciada várias vezes acaba virando verdade para os menos esclarecidos. Há dois caminhos para que ocorra a mudança. Um é propor projeto de lei, através de ação popular (coleta de pelo menos 1% de votantes do MS – de 15 a 20 mil assinaturas) junto a Assembléia Legislativa do Estado. Outra situação, mais dispendiosa e demorada, através de plebiscito.
4. Algum estado, a nível mundial, já teve seu nome mudado?
R: Há diversos exemplos de mudança de nomes de países e cidades.
- Abissínia foi o nome da Etiópia até o início do século 20
- Paquistão Oriental foi província do Paquistão no período de 1947-1971, depois disto tornou-se Bangladesh.
- Zimbábue era conhecido como Rodésia até 1980.
- Zaire trocou o seu nome para República Democrática do Congo, em 1997.
- Basutoland foi o nome de Lesoto antes de 1966.
- Mumbai, na Índia, foi chamada de Bombaim até 1995.
No caso das cidades, temos Leningrado, que após o colapso da União Soviética voltou a se chamar São Petersburgo.
Estes são exemplos relevantes divulgados pela grande imprensa. O caso de MS terá também especial relevância, tendo em vista a polêmica envolvida e o próprio bioma pantaneiro, considerado um patrimônio natural da humanidade, do qual seremos os “guardiões”, de fato e de direito, incorporando em nossa identidade e em tudo que produzirmos.
5. Quais as vantagens e desvantagens para os sul-mato-grossenses?
R: Acredito que estas são as principais vantagens:
Primeiro: Teremos nome próprio. Um nome conhecido mundialmente e escolhido por nossa vontade.
Segundo: Resgataremos nossa auto-estima e não mais seremos confundidos, pois seremos um único estado da federação com um nome diferenciado e de forte apelo ambiental. Será bem mais fácil construirmos nossa identidade.
Terceiro: O simples fato do debate sobre a mudança do nome nos dará, gratuitamente, mídia local, nacional e internacional, facilitando nossa identificação e localização geográfica.
Quarto: A palavra PANTANAL, de imediato, nos remete ao turismo (segundo segmento que mais emprega e distribui renda no mundo), uma das grandes vocações de nosso estado. A chancela da marca PANTANAL, estará estampada em nossa agricultura, pecuária, indústria e comércio, agregando valores em todos os nossos produtos.
Quinto: Um estado com este nome PANTANAL-PN, patrimônio da humanidade, exigirá de nossa sociedade e nossos governantes uma NOVA POSTURA DE VIDA, buscando o desenvolvimento sustentável, preservando o meio ambiente, buscando uma verdadeira integração harmônica entre HOMEM E NATUREZA e, acima de tudo, sabendo que estaremos deixando para as próximas gerações um ambiente saudável em que possam garantir seu futuro.
Quanto às desvantagens, não consigo vislumbrá-las. Aceitar argumentos de que teremos imensos transtornos, um custo absurdo com esta mudança, isto não é verdade. Estes são argumentos que não encontram consistência. Vivemos na era da informática. Uma mudança desta natureza equivale a apertar uma tecla no computador. Hoje as empresas usam formulários contínuos, notas fiscais eletrônicas (em fase de implantação, inclusive com a EFD – Escrituração Fiscal Digital). Todo estoque de material, quer seja das empresas privadas como dos órgãos públicos, poderão ser usados até o final (NF de talonários são válidos por dois anos). As escrituras públicas (cartórios) são documentos AD ETERNUM, não se alteram. A Carteira de Identidade continuará valendo sem a necessidade de retirar uma nova. Afinal, até hoje tem gente com a Carteira de Identidade de Mato Grosso. Para os novos documentos (nascimentos, emplacamentos de veículos, etc.) já sairão com o novo nome. Quanto às placas dos veículos, que hoje são definitivas, só irão trocar a tarjeta, pois a mesma contém a sigla MS que será substituída pela sigla PN, no momento em que for fazer o licenciamento anual de cada veículo. Haverá um período de transição, como houve na criação do MS. Ninguém será obrigado a mudar seus documentos ou impressos de imediato. Portanto, os argumentos de que teríamos que trocar todos os documentos públicos, Carteira de Identidade, escrituras cartorárias, placas dos automóveis, talões de notas fiscais, são inconsistentes.
Em nossos estudos e avaliações, os benefícios serão imensamente superiores, a começar pelo nome, reconhecimento, auto-estima, mídia gratuita e, principalmente, a questão financeira. Enfim, seremos a “novidade”, o estado da ecologia e da preservação, do compromisso com o ambiente inteiro. Este será o estado do PANTANAL-PN.
6. O Senhor considera que se o nome do Estado fosse Estado do Pantanal, nós teríamos ganhado na escolha das sub-sedes? Pois seria muito declarado o estado que representaria o Pantanal e assim a FIFA teria que escolher Cuiabá e Campo Grande para não ficar muito na cara a ação do "tapetão" político.
R: Se tivéssemos o nome PANTANAL-PN, acredito que seria mais difícil a escolha, até porque Mato Grosso é um estado literalmente amazônico (segue a legislação ambiental da amazônia, faz parte da SUDAM e seu território é composto de: 47% de floresta amazônica, 35% de cerrado, 12% de campos e somente 6% de pantanal), porém, abriria uma grande chance de, os dois estados, numa parceria bem forte, promoverem juntos a sub-sede pantaneira da Copa do Mundo. Hoje, depois de tantas acusações e repúdios, tenho minhas dúvidas em futuras parcerias.
Que fique bem claro: somente nome não ganha nada! Foram diversos fatores, entre eles, competência profissional na articulação e desenvolvimento do projeto, planejamento estratégico e, principalmente, articulação política.
O momento é agora, não de revanchismo, mas de afirmação. Ou fazemos algo muito forte ou cairemos no anonimato, pois o maior legado que a mãe natureza nos deu, o PANTANAL, ao que parece já tem dono, isto se não fizermos algo rápido e afirmativo, que possa resgatar nossa verdadeira condição de estado pantaneiro.
7. Por que existe pessoas contra a mudança do nome? E quem são elas?
R: A beleza da vida está no plural, na diversidade. O que seria do azul se todos gostassem do verde? O debate de idéias é o melhor caminho para as decisões seguras e bem pensadas. A resistência à mudança é natural do ser humano. Ele adora zona de conforto. Com todo respeito aos contrários, a mudança só não ocorreu pela falta de conhecimento, informação e esclarecimento à população sobre o assunto.
8. O Senhor considera Mato Grosso do Sul com mais potencial que Mato Grosso?
R: De forma alguma. São estados mais complementares que diferentes, com uma origem comum, e grandes potencialidades.
Não podemos negar as grandes potencialidades de Mato Grosso com quase três vezes a área territorial que a nossa, fazendo parte da região amazônica e com progresso pujante. Mato Grosso do Sul não fica atrás em nada. É também um estado com vocação para o agronegócio e o turismo, isto sem falar nas suas riquezas minerais. Estamos localizados estrategicamente ao lado de São Paulo, com uma estrutura logística que, muito em breve, será uma das mais importantes do país.
9. Qual a sua opinião em relação à escolha da FIFA? Por que MT e não MS, já que o Pantanal é aqui e eles queriam um estado que abrangesse o Pantanal?
R: É bom que se esclareça. Mato Grosso do Sul possui 2/3 (dois terços) do pantanal e esta região representa 25% do território sul-mato-grossense, ao passo que Mato Grosso possui 1/3 (um terço) do pantanal e representa apenas 6% de seu território.
A definição da FIFA por Mato Grosso foi em virtude das articulações bem alicerçadas entre o presidente da CBF, Sr. Ricardo Teixeira, governador do MT e o presidente da FIFA. . É bom que se diga que a Copa do Mundo seria realizada em apenas 10 cidades. Para chegar a 12 cidades criaram um pretexto criativo e inteligente, uma Copa Ecológica onde teríamos uma sub-sede na Amazônia e outra no Pantanal. Assim foi feito contemplando Cuiabá e Manaus.
10. Em sua opinião, como será a reação do Brasil se acontecer a mudança do nome? Pois hoje a própria mídia nacional confunde, ao citar o MS, com o MT, o Senhor acha que seria mais fácil para as pessoas de outros estados identificarem o MS como Estado do Pantanal?
R: Acredito que a reação brasileira será altamente positiva, pois o povo brasileiro começa a ter a dimensão do que representa este nome para nós e o mundo. A confusão irá acabar. Seremos um estado único com este nome. Ganharemos mídia local, nacional e internacional, facilitando a memorização e localização geográfica do estado do PANTANAL-PN.
11. Essa falta de identidade que o MS sofre acarreta algum tipo de prejuízo para o Estado?
R: Claro que sim! Como construir uma identidade, ter credibilidade, reconhecimento sem que tenha um nome? A todo instante somos confundidos ou tratados como se fôssemos o mesmo estado. Não existe um só evento por aqui em que não somos constrangidos ou constringimos alguém. Estamos nos tornando um povo deselegante, mal educado, raivoso e vaiando a todos que por aqui passam ou são convidados para alguma atividade e nos chamam pelo nome de Mato Grosso. Temos ou não este nome? Somos xarás do vizinho estado, mas com uma pequena diferença: colocaram-nos um “DO SUL” que não existe, já que somos do Centro Oeste; não cola, porque não temos o contra ponto “DO NORTE” e ninguém fala por ser um nome “tri composto” e muito extenso.
As pessoas que desejarem expor suas opiniões podem entrar em contato com Wagner Sávio através dos endereços eletrônicos: wagnersavio@hotmail.com, estadodopantanal.pn@gmail.com e contato@pioneirotour.com.br
quarta-feira, 17 de junho de 2009
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