sexta-feira, 12 de junho de 2009

Eu também amo MS

EU TAMBÉM AMO MS

de Hélio Carlos Nantes
(Correio do Estado, 10/06/2009)

Que me perdoe o nobre Deputado Estadual MARQUINHOS TRAD, mas não admitir a confusão que é feita com o nome do nosso estado em todos os cantos do Brasil, e mesmo no exterior, é não ver o óbvio. Eu também amo minha terra, mas se for assim eu amo Mato Grosso, porque quando nasci, nasci no estado do Mato Grosso. Agora sou sulmatogrossense, depois serei campograndense, ou pantanense, e com qualquer nome continuarei amando esta terra, não o nome. Já amei Mato Grosso, amo Mato Grosso do Sul e estou aguardando para amar o estado de Campo Grande.
Tudo na vida precisa de identidade própria, precisa ser reconhecido por seu nome. É o nome que remete qualquer pessoa, na imaginação e na identificação, ao objeto, território ou pessoa. Manter dois estados vizinhos, anteriormente uno, com nomes semelhantes, sem caracterizar definitivamente os dois novos estados, é apregoar a confusão e a desinformação. Ou mudamos o nome de Mato Grosso do Sul, ou acrescentamos “do Norte” no Mato Grosso. Os matogrossenses com certeza, e com razão, não aceitarão, pois estão mais é se divertindo com a nossa insensatez.
Tudo por aqui, em Mato Grosso do Sul, começou errado. Desde o argumento, o nome, até o primeiro governador. Lembro-me que no decreto original o nome escolhido era Campo Grande, mas por ciumeira dos políticos das demais regiões, o nome foi alterado para o atual Mato Grosso do Sul. A rivalidade das demais regiões com Campo Grande causou toda essa confusão de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e agora em todos os encontros com pessoas de outros estados temos que ficar atentos quando fazem referência ao estado, e estar sempre alertas e preparados para completar: “do Suuuuuullllll”. Se estiver por perto algum cuiabano, vem o deboche com certeza.
Temos que admitir: Os cuiabanos fazem política com muito mais eficiência do que nós. Nós brigamos para não permitir que seja dado o nome de Campo Grande para o novo estado, e permitimos esse nome que não identifica literalmente nossa terra. Os cuiabanos, ou matogrossenses, se unem para levar a copa para Mato Grosso, e o pantanal acabou sendo deles. No mundo todo o pantanal fica no Mato Grosso, mesmo quando se referem ao Mato Grosso do Sul. Nossos políticos perderam até mesmo o comando inicial do estado, e agora não se entendem novamente para realizar essa reviravolta que será a saída para a identificação definitiva de um estado pujante e promissor como o nosso, mas cujo nome só é reconhecido pela sua própria população.
Deputado Marquinhos, o nosso estado deve estar, sim, em evidência. É preciso vender nosso estado, não só visando o turismo, mas o reconhecimento, a identificação, os valores, as tradições, a cultura, enfim tudo que é nosso, que acaba sendo de Mato Grosso. Nada contra Mato Grosso; eles foram competentes para sustentar o nome do seu estado, e sabem fazer política. Aliás, em matéria de política os cuiabanos sempre deram de goleada nos sulistas, mesmo antes da divisão. Até o argumento para dividir o estadão foi errado, e não tivemos competência para criar um estado nosso, sob nosso comando, com nome que identificasse nossa região, nossa gente. Ficamos presos, arraigados, querendo a divisão, mas sem coragem para se desligar do nome Mato Grosso. Só a perda da copa nos acordou novamente dessa “dormida”.

Helio Carlos Nantes
Empresário
hcn@pmlibano.com.br

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