Opiniões
Mato Grosso do Sul – A falta de identidade =
Sexta-feira, 22 de maio de 2009 - 06h05m
Dr. Jajáh*
Meu amigo, volto a tratar de um assunto que está adormecido, mas não está morto. Qual a sensação que você tem quando alguém lhe chama por outro nome, mesmo que seja de seu melhor amigo, ou do seu mais querido irmão?
Eu acho ruim. Bastante ruim. Reajo.
Tenho a mesma sensação de quando alguém diz que moro em Mato Grosso. Fico chateado igual a quando estou assistindo a um noticiário na televisão e o locutor, ao se referir à Campo Grande, diz ser a capital de Mato Grosso. Ou quando um professor vindo de São Paulo ou Rio, ministrando uma aula ou conferência em nossa cidade, refere-se como se estivesse em Mato Grosso.
Muitos pais, querendo homenagear alguém, um tio, um avô, ou a si próprio, colocam em seus filhos o apêndice "sobrinho", "neto", "júnior" etc.
Para mim, o "do Sul" de meu Estado, é um apêndice e, como todos os apêndices, não só não contribui, como prejudica. Ele tira a identidade do meu Estado.
Ninguém quer ser confundido com outro... mesmo que esse outro seja o querido avô, ou o ilustrado tio ou, ainda, o próprio e amado pai. Todos precisamos de uma identidade ( conjunto de características ou circunstâncias que distinguem uma pessoa ou uma coisa e graças às quais é possível individualizá-la) para não sermos confundidos com outro. Para sermos nós mesmos. Cada pessoa se orgulha, ou deveria se orgulhar, de si. De ser o que é e não ser a outra pessoa. De ser reconhecida como ela é e não ser confundida com outra pessoa. E uma das características, a primeira e mais importante, que identifica uma pessoa é o nome. Ter um nome que me identifica, que me diferencia dos outros me faz um bem danado e me traz contentamento. Quando sou chamado por outro nome, mesmo que seja o nome do meu melhor amigo, ou do meu mais querido irmão, fico triste e reprovo com veemência.
Gosto muito do estado de Mato Grosso, gosto muito dos matogrossenses, eu mesmo sou matogrossense, nasci à margem esquerda do Rio Araguaia e me orgulho disso. Porém eu quero morar em um estado que tenha nome próprio e que não seja confundido com outro, mesmo que esse outro seja o valioso Estado de Mato Grosso.
Sinto que todos que usufruem da graça divina de morar aqui gostariam de ver um nome novo e próprio para o nosso estado. O que sinto é uma ligeira discordância quanto ao novo nome. Eu me encontro entre aqueles que defendem o nome de Estado do Pantanal (até já coloco, há muito tempo, em meu endereço: Mato Grosso do Sul – o Estado do Pantanal). Alguns alegam que esse nome é impróprio porque o Pantanal não se situa, inteiramente, em nossa região. Este argumento é extremamente frágil e indevido. Vejam o Estado do Amazonas que convive muito bem com o nome embora o grande rio não seja uma exclusividade daquele estado. O caudaloso Rio Tocantins não pertence apenas ao estado ao qual emprestou o nome. E assim poderíamos nos servir de muitos outros exemplos.
Qual o nome pátrio de quem nasce neste estado? Matogrossenses do Sul ou Sul-matogrossenses são aqueles que nascem na região sul do estado de Mato Grosso.
Quero fazer parte de um movimento para mudança do nome do meu estado que, necessariamente, passará em algum momento por uma pesquisa popular. Quero ser co-autor desse feito, já que me omiti quando cometeram o equívoco inicial. Alguns erram, outros consertam. Vamos consertar.
Eu não quero morar em Mato Grosso do Sul. Eu quero morar no Estado do Pantanal.
*O autor é médico em Dourados – Mato Grosso do Sul – o Estado do Pantanal - PN. www.jajah.med.br / jajah@jajah.med.br
Fonte: Douradosagora
domingo, 7 de junho de 2009
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