segunda-feira, 8 de junho de 2009

08/06/2009 09:55

Famasul faz consulta sobre mudança do nome do Estado; presidente adianta voto a favor

Jacqueline Lopes
(midiamax.com)




A Famasul (Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul) anuncia 'plebiscito' sobre mudança de nome do Estado. O presidente da entidade, Ademar Silva Júnior diz que mudar de Mato Grosso do Sul para Pantanal será passo importante para o desenvolvimento. A marca Pantanal vai impulsionar agronegócio e turismo, frisa.

Discutir o nome Mato Grosso do Sul para Pantanal impõe tocar no gargalo do desenvolvimento sustentável. Como crescer, produzir, sem prejudicar o meio ambiente?

Confira a entrevista:

Midiamax – Qual a posição da Famasul sobre a discussão iniciada em 2003/2004 retomada agora, após a perda de sediar a Copa 2014, sobre a mudança do nome do Estado Mato Grosso do Sul para Pantanal?

Ademar Silva Júnior – Nesse primeiro momento, tenho uma visão muito particular sobre o assunto. O Estado deve ter uma identidade própria. Se mudarmos o nome, o marketing sobre o Estado ecológico iria nos ajudar a ter uma marca forte. Não conseguimos criar nossa identidade desde a divisão (1977). Dentro e fora do Brasil o Mato Grosso é uno.

Midiamax – Como a entidade deverá participar da discussão?

Ademar Silva Júnior – O momento é oportuno. A Famasul vai fazer reuniões com as 68 entidades, debater o assunto. Vamos fazer um plebiscito para saber se há interesse ou rejeição e vamos encaminhar nossa proposta com nosso parecer para a Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Midiamax – Falar na mudança do nome do Estado, de questão ambiental na hora em que o ministro Minc * [Carlos Minc, do Meio Ambiente] faz ataques aos ruralistas que até ingressaram com ações contra ele. Como o senhor vê todo esse cenário?

Ademar Silva Júnior – Acredito que a gente consegue fazer uma discussão mais decente. A sociedade não conhece a realidade do campo. Vemos discussão sem caráter cientifico, de forma despreparada, como o ministro que está no cargo. Há muita desinformação e essas discussões vão nos ajudar a fazer essa ruptura. Com o Estado do Pantanal vamos ter a possibilidade de mostrar nossa vocação, se é o agronegócio.

Midiamax – Aproveitando o assunto mudança do nome do Estado, o senhor acredita então que temos a chance de crescer economicamente e preservar o meio ambiente?

Ademar Silva Júnior – Sustentabilidade tem que colocar em toda discussão. Precisamos é ter política específica, recursos direcionados. Sobre o Código Florestal, nós, a CNA (Confederação Nacional da Agricultura) defendemos o desmatamento zero porque entendemos que não precisamos mais desmatar. Se a população nacional, mundial necessitar de mais alimentos, teremos que discutir. Qual o modelo de desenvolvimento vamos adotar? Não podemos eliminar o ser humano das discussões como fazem alguns ambientalistas.

Midiamax – Vimos em Corumbá recentemente a queimada nas propriedades rurais dentro do Pantanal. O Ibama [Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis] diz que foi incêndio criminoso e partiu dos donos das áreas. Como o senhor viu esse episódio?

Ademar Silva Júnior – Primeiro é preciso identificar antes de sair com acusações. Se for criminoso, deve ser punido. Nosso setor anda na legalidade. Inclusive somos os únicos que temos CNPJ, podendo ser punidos com rigor. O MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra] não tem corpo jurídico, por exemplo. No caso do incêndio, se há crime, precisa ser punido. Mas, é preciso lembrar que estamos no período de seca. Fogo é algo que acontece nessa época.

Midiamax – Se o Estado mudar o nome para Pantanal, de que forma uma campanha seria eficaz para vender a carne, o carro-chefe da economia?

Alessandra Carvalho

Ademar apóia mudança do nome MS para Pantanal
Ademar Silva Júnior – Com a globalização, os países ricos e desenvolvidos querem produto mais natural, mais orgânico. Pantanal é um mote forte. Se souber linkar a vocação do Estado com a venda do produto agrícola para o mundo, com certeza o ganho é forte. Sem falar que o turismo também é uma atividade forte a ser desenvolvida em nosso Estado.

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