quarta-feira, 17 de junho de 2009

opinião


Carta aberta a Arieis Santana






(Correio do Estado, 05-08-2009 - pagina 2)











Leio sua carta de 15 último, endereçada ao prefeito e aos deputados. Cabe a






eles respondê-la, mas como não é uma correspondência pessoal e trata de



assunto de interesse geral permito-me tecer alguns comentários sobre o seu



teor. Em primeiro lugar, quero dizer que li todas as obras do saudoso



professor Barbosa Rodrigues e delas, ressai sua angústia exteriorizada em



seguidos artigos no “Correio do Estado,” onde o emérito acadêmico pressentia






o caos da semelhança de nomes dos dois Estados ao sugerir o gentílico



matogrossulês ou matogrossulense para o Estado nascente. Ele não concordava






com o sul-matogrossense, até porque este é o adjetivo pátrio de quem nasce



no Sul de Mato Grosso.



Quanto ao respeitável publicitário Ricardo Duailibi, nosso conterrâneo, este






esteve em Campo Grande na abertura da Liga do Estado do Pantanal, há pouco



mais de nove anos e proferiu conferência no Palácio Popular da Cultura sobre






a importância da nova denominação. E o que ele disse na ocasião (e eu tenho






gravado) foi que, nem uma campanha de cinquenta milhões faria o Mato Grosso






do Sul pegar e o Estado do Pantanal, por ser conhecido em todo o mundo, não






precisaria sequer de campanha publicitária.



Os divisionistas Paulo Coelho Machado, Vespasiano Martins e outros citados



em sua carta nunca foram ardorosos defensores do Mato Grosso do Sul como



denominação para o Estado que pleiteavam. O patriarca da divisão, Vespasiano






Martins, defendeu Estado de Maracaju, exatamente porque tinha o senso da



divisão completa e definitiva, onde não houvesse a menor dúvida de nossa



separação política total. Me desculpe se isso lhe ofende, mas a sua tese é a






de quem era contrário à divisão do Estado, fundada no paradigma cívico:



nasci matogrossense e quero morrer matogrossense.



Concordo com o fato de que é “muito mais distinto; é muito mais charmoso; é






muito mais erudito; é muito mais melodioso ser chamado de SUL-MATO-GROSSENSE






do que pantaneiro ou pantanense. O Mato Grosso do Sul é realmente um nome



expressivo, forte e marcante. O problema é que há uma tendência natural à



abreviação e simplificação dos nomes. Não há cidade, estado ou pessoa com



nome com mais de duas palavras que não passe por este fenômeno lingüístico,






onde Rio Grande do Sul é Rio Grande, Rio Grande do Norte é Rio Grande, São



Sebastião do Rio de Janeiro ficou apenas Rio, Ribas do Rio Pardo, Ribas e



Mato Grosso do Sul, lugar comum, reduz-se a Mato Grosso. Não se trata de



trocar o nome e sim de tratar pelo primeiro nome. Quem nos chama de Mato



Grosso, aqui ou alhures, o faz não por falta de conhecimentos elementares de






geografia, mas por comodismo.



Em sua carta são citados dois exemplos de acidentes geográficos glamurosos



que não teriam servido de motivação para mudança de nome de seus Estados:



Cataratas de Iguaçu e Baia de Guanabara. Iguaçu foi o nome escolhido pelos



separatistas que em 1972 tentaram criar um Estado a Oeste do Paraná e



Guanabara (não sei se é de seu tempo) foi o nome de um Estado oriundo da



transformação da cidade do Rio de Janeiro, em 1960 (o chamado município



neutro) em unidade da federação, exatamente como compensação pela mudança da






capital federal para Brasília.



Por fim, há um Mato Grosso muito mais notável tolhendo nossa identificação.






Tive muito orgulho de ser matogrossense, tenho orgulho de ser



matogrossulense e serei, orgulhosamente, pantaneiro mesmo.







Sergio Cruz



Jornalista



sergiocruz@viamorena.com

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