A COPA E O NOME DO ESTADO
André Luiz Alves
(Correio do Estado, 09 de junho de 2009)
Zé Lata, querido amigo de infância, nunca gostou da idéia de separação. Quando Mato Grosso foi dividido, nós tínhamos doze anos. Eu comemorei bastante junto como resto da turma. Zé Lata se manteve calado. Não gostou nem um pouco. Dizia com semblante sério: Pra que dois Matogrossos? Já não basta um só, não somos todos Mato-grossenses do mesmo jeito? Em vão tentei lhe explicar as vantagens do novo estado, que surgia com a estampa de “O Estado modelo”. Além disso, nossa cidade era agora uma capital, não precisávamos mais do julgo Cuiabano, éramos uma nova unidade da Federação do Brasil. Passaram-se os anos e concluo que tudo não passou de ledo engano, certo estava o Zé Lata, posto que tudo continua do mesmo jeito. Mato Grosso do Sul jamais conseguiu identidade própria, sempre foi visto pelo restante do planeta como sendo um apêndice de Mato Grosso. Vale acrescentar que depois do Mato Grosso, Goiás foi dividido, mas ninguém deste novo estado criado teve a tola idéia de nomeá-lo Goiás do Norte. Hoje todos sabemos da existência do Estado de Tocantins e quase ninguém se recorda que um dia foi Goiás. No Mato Grosso, o lado norte do estado planeja nova divisão, inclusive já tem nome: Araguaia. Mato Grosso do Sul ao menos fez este favor ao restante do país: É preciso ter identidade própria, se dividir, cortar de vez o cordão umbilical. Os recursos que perdemos com turismo, entre outros, é enorme, de nada adianta tentar se fazer vivo, presente, nenhuma campanha publicitária é capaz de nos dar uma definição própria, uma identidade. Recordo que o nome preferido para o Estado que surgia era Campo Grande, segunda opção Maracajú, não sei qual os motivos que levaram as autoridades de então optar por apenas acrescentar o Sul ao nome existente e nos tornamos verdadeiro Zé Ninguém, com direito a erros em cadeia nacional feita por Ministros, artistas e pelo povo em geral. Quem nunca ouviu falarem que Bonito ou Corumbá ficam em Mato Grosso? E o assunto da necessária mudança do nome do estado volta após mais uma derrota doída, difícil de engolilr. Perdemos a Copa para Cuiabá, mandaram nosso Governador “tchupar” manga, entre outras gracinhas que feriram nosso orgulho. Um amigo cuiabano, depois de vários e-mails de puro deboche, me informa que um grupo de empresário de lá pretendem colocar aqui em Campo Grande anúncios em out-doors com os dizeres: “Vai uma manga ai?”
Nem adianta tentar retrucar. Seria choro de perdedor. Ricardo Teixeira, o bonachão, perpétuo dirigente do futebol nacional nos passou uma rasteira, não tenho dúvidas disso.
Não consigo me convencer que perdemos a indicação apenas por conta do projeto apresentado por Cuiabá ter sido mais perfeito. De fato, temos que concordar que, enquanto nós, os Tchupa-mangas, gastávamos tempo e dinheiro público contratando a Luiza Brunet, Carlos Alberto Torres e o marketeiro Chico Santa Rita, os da outra cidade buscaram apoio em empresa internacional especializada em eventos. Sim, isto pesou. Assim como ninguém me tira da cabeça que outros “pesos” foram levados em conta, a dita influencia política do Governador de MT, o “machadinho de ouro”, rei do desmatamento, tem a ver com poder econômico, nos passando a impressão que levou quem o Faraó apontou. Ou, quem pagou mais. Nada, absolutamente nada, a ver com critérios técnicos, nesses, até o mais incauto Cuiabano sabia que Campo Grande levava vantagens. E o que dizer da Federação de Futebol de MS? Dirigida há anos pela mesma pessoa, outro caso de perpetuação inexplicável no poder, vê, impávida, nossos grandes times de futebol – Operário e Comercial, irem ao fundo do poço. E quando tem jogos pela Copa do Brasil com os grandes do país, os problemas com o borderô são notícias a nível nacional. Como podem pretender organizar os jogos de uma copa do mundo?
Apesar desses erros, duvido que nos tirariam a copa se o estado se chamasse Pantanal. Como é Mato Grosso apenas do Sul, ficamos com Mato Grosso que afinal tudo é a mesma coisa e ninguém vai notar – deve ter pensado o bonachão Ricardo Teixeira.
O jornalista Juca Kfoury, em sua participação no programa de debates da rede de tv ESPN, disse com todas as letras que as cidades estavam escolhidas desde janeiro. Então, podemos concluir que o que fizeram com as 200 mil pessoas que recepcionou a corja dos dirigentes em nossa cidade foi algo extremamente abominável sob todos os aspectos. Fizeram-nos de bobos. Buzinei feito um idiota para a corja, gritei feito um imbecil à toa e não consigo esquecer o papel tolo que todos nós Campo-grandenses fizemos.
Eis que surge agora uma nova batalha: A indústria que a Petrobrás pretende instalar em um dos dois estados. Se nossa classe política perder mais essa, se ficar na janela vendo a banda passar e chupando manga, será como assinar um memorando de incompetência jamais vista na brava história de nosso estado, manchando o passado de grandes líderes, eles que lutaram pela divisão sem imaginar que a opção tola do nome desta porção de terra brasilis jamais o tornariam autêntico, com a devida identidade.
A luta para a mudança do nome de nosso estado necessita novamente acender. A criação do estado de Campo Grande, Pantanal, ou Pantanal Sul como desejo de alguns, se faz totalmente necessária, destarte por tantos outros motivos, mas ainda pelo essencial desejo de sobrevivência.
André Luiz Alvez
Cidadão Matogrossulês – Por enquanto...
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terça-feira, 9 de junho de 2009
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