Movimento completa 10 anos
1999 – Manifesto pró Estado do Pantanal. Em caderno especial o jornal Primeira Hora, de Campo Grande divulga o manifesto da Liga Pró-Estado do Pantanal, recém-criada, defendendo a mudança do nome do Estado:
“Com este manifesto criamos a Liga Pró Estado do Pantanal-PN, numa homenagem à luta de nossos líderes divisionistas e objetivando concluir o processo histórico por eles iniciado.
É esse o desafio. Se aos divisionistas de todas as épocas cabe o registro histórico das lutas em favor da criação do novo Estado, a nós, enquanto cidadãos, caberá a satisfação de tentar despertar o orgulho existente dentro de cada um de nós.
Vamos conversar com a população, conscientizar, debater, discutir, e principalmente, informar sobre a importância do nome PANTANAL para o passado, o presente e o futuro. A importância do nome para o nosso desenvolvimento sustentável e para o futuro de milhares de jovens e de um povo que sonha com a melhoria de qualidade de vida e com os empregos que surgirão. Vamos às empresas, escolas e universidades, entidades de classe, clubes de serviço e todos os segmentos sociais pois queremos contar com você.
Não podemos perder a oportunidade histórica que agora temos e que não nos foi dada em 1977.
Que venham os homens e mulheres de fé e de bem, os ricos de espírito, de sonhos e de esperanças. Todos, democraticamente, de forma plural e suprapartidária. Vamos coletar milhares de assinaturas de adesão a serem oferecidas aos nossos legisladores e demais autoridades. Vamos dar uma contribuição efetiva em busca de nossa verdadeira identidade, do resgate de nossas raízes históricas, da abertura de uma porta para o futuro e do legado que possamos deixar para nossos filhos, netos e todas as gerações que virão, com a certeza de um novo milênio alicerçado no respeito à biodiversidade da nossa terra, no desenvolvimento auto-sustentável e com justiça social.”
O texto final do manifesto foi elaborado por Sergio Cruz, Wagner Sávio, Soraia Lígia Salle, Mário Sérgio Sobral, Humberto Espíndola e Francisco Lagos.
Do livro DATAS E FATOS HISTÓRICOS do Sul de Mato Grosso ao Estado do Pantanal, Edipan, 2001 p 368
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
A vingança do Moura Brasil
Por que a gente mata as pessoas que a gente gosta?
O dia em que eu matei o Moura Brasil caiu um dia depois da morte do Ramão Achucarro e um dia antes da morte, também natural, do Antonio Carlos Pastel. Antes eu havia matado o Papa João XXIII. Vítima de um atentado, a 13 de maio de 1981, ao soar o tiro fatal, não tive dúvida, subi à tribuna da Assembléia e compadecido arranquei-lhe o último suspiro. Depois deste incidente o santo padre viveria ainda, mais 24 anos. Alguém, por desinformação ou por maldade, me liga para convidar à missa de 7º dia do Moura Brasil. Eu, mais que depressa, como faria o próprio Moura, antes de aposentar-se, instiguei o instinto de foca, e preparei logo, mesmo tardiamente, um réquiem, abrindo um espaço nesta página para a última homenagem ao colega. O dia que eu matei o Moura Brasi foi o mais feliz de minha vida, ao ligar o rádio do carro e ouvir do próprio Moura Brasil a notícia de que, aos 72 anos, estava vivo e feliz. Fiquei aliviado por ter cometido a irresponsabilidade e segui minha volta para casa, até parar em frente ao cemitério Santo Amaro, atraído por uma pequena multidão que acompanhava um enterro. Era muita gente, só poderia ser de defunto graúdo. Estacionei o carro, desci e dei de cara com uma anciã, com cara de vivandeira. - Oi tia, a senhora sabe quem morreu? - Não tenho certeza, meu filho, mas me falaram que foi um tal de Pau na Mula. Falou isso e sem ligar uma coisa a outra, perguntou-me: Você não é o Sergio Cruz? O Papa e o Moura Brasil estavam vingados.
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VIA MORENA.COM, a priimeira tv web de Mato Grosso do Sul deu passo decisivo a caminho da imagem em alta definição.Passou a operar com servidor dedicado. SITUAÇÃO DRAMÁTICA a do deputado Diogo Tita. Não quer deixar o PMDB, mas tem medo de ficar no partido e não conseguir votos para continuar deputado. SUPLENTES DE VEREADORES alvorotados com a PEC do vereadores estão atropelando os presidentes das câmaras que não têm a menor pressa de empossá-los. EDSON GIROTTO não atende jornalistas em seu gabinete. Esta é a reclamação de muitas coleguinhas. Se não atende hoje que é secretário, imagine se virar deputado. CARLOS MARUN, secretário de Habitação é outro que esnoba a imprensa. Sua assessoria marca e não dá retorno. Nada como estar antecipadamente reeleito. O EX-GOVERNADOR Zeca do PT pode prejudicar todas as empresas de comunicação caso consiga suspender na justiça a propaganda oficial. Quer fazer o mesmo que fez no governo dele. LAURO DE DAVI, presidente da Cassems, será candidato a deputado estadual pelo PSB. LUIS CARLOS BONELLI, ex-superintendente do INCRA, também sai para estadual. Os dois deixaram o PT.
O dia em que eu matei o Moura Brasil caiu um dia depois da morte do Ramão Achucarro e um dia antes da morte, também natural, do Antonio Carlos Pastel. Antes eu havia matado o Papa João XXIII. Vítima de um atentado, a 13 de maio de 1981, ao soar o tiro fatal, não tive dúvida, subi à tribuna da Assembléia e compadecido arranquei-lhe o último suspiro. Depois deste incidente o santo padre viveria ainda, mais 24 anos. Alguém, por desinformação ou por maldade, me liga para convidar à missa de 7º dia do Moura Brasil. Eu, mais que depressa, como faria o próprio Moura, antes de aposentar-se, instiguei o instinto de foca, e preparei logo, mesmo tardiamente, um réquiem, abrindo um espaço nesta página para a última homenagem ao colega. O dia que eu matei o Moura Brasi foi o mais feliz de minha vida, ao ligar o rádio do carro e ouvir do próprio Moura Brasil a notícia de que, aos 72 anos, estava vivo e feliz. Fiquei aliviado por ter cometido a irresponsabilidade e segui minha volta para casa, até parar em frente ao cemitério Santo Amaro, atraído por uma pequena multidão que acompanhava um enterro. Era muita gente, só poderia ser de defunto graúdo. Estacionei o carro, desci e dei de cara com uma anciã, com cara de vivandeira. - Oi tia, a senhora sabe quem morreu? - Não tenho certeza, meu filho, mas me falaram que foi um tal de Pau na Mula. Falou isso e sem ligar uma coisa a outra, perguntou-me: Você não é o Sergio Cruz? O Papa e o Moura Brasil estavam vingados.
VIA MORENA.COM, a priimeira tv web de Mato Grosso do Sul deu passo decisivo a caminho da imagem em alta definição.Passou a operar com servidor dedicado. SITUAÇÃO DRAMÁTICA a do deputado Diogo Tita. Não quer deixar o PMDB, mas tem medo de ficar no partido e não conseguir votos para continuar deputado. SUPLENTES DE VEREADORES alvorotados com a PEC do vereadores estão atropelando os presidentes das câmaras que não têm a menor pressa de empossá-los. EDSON GIROTTO não atende jornalistas em seu gabinete. Esta é a reclamação de muitas coleguinhas. Se não atende hoje que é secretário, imagine se virar deputado. CARLOS MARUN, secretário de Habitação é outro que esnoba a imprensa. Sua assessoria marca e não dá retorno. Nada como estar antecipadamente reeleito. O EX-GOVERNADOR Zeca do PT pode prejudicar todas as empresas de comunicação caso consiga suspender na justiça a propaganda oficial. Quer fazer o mesmo que fez no governo dele. LAURO DE DAVI, presidente da Cassems, será candidato a deputado estadual pelo PSB. LUIS CARLOS BONELLI, ex-superintendente do INCRA, também sai para estadual. Os dois deixaram o PT.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
--> PAZ E BEM PRÁ TODOS!
O DIA 02 DE OUTUBRO DE 2009 ESTÁ CHEGANDO E, MAIS UMA VEZ, UMA NOVA E GIGANTESCA OPORTUNIDADE DE COLOCARMOS NOSSO ESTADO EM EVIDÊNCIA MUNDIAL PEGANDO UMA CARONA NA MÍDIA DOS JOGOS OLÍMPICOS DE 2016.
BREVE REFLEXÃO:
- COPA DO MUNDO - FIFA - participantes: 32 países. Período de realização:um mês. Os jogos são realizados no mesmo horário e a cada três dias de intervalo para cada equipe. Importante salientar que os jogos são eliminatórios e as transmissões vão reduzindo à cada fase da competição. Nos dias de jogos, as transmissões diretas acontecem num período de 03 horas diretas.
- JOGOS OLÍMPICOS - participantes: 204 países em 2006 - a cada vez o número de países participantes tem aumentado. Periodo de realização: três semanas. Importante salientar que as transmissões ao vivo são por volta de 18 horas diárias.
BEM... O MEU OBJETIVO COM ESTES DADOS É DAR A VOCÊS UMA DIMENSÃO DO TAMANHO DE "MÍDIA MUNDIAL" QUE ESTES DOIS EVENTOS GERAM.
GOSTARIA QUE ATENTASSEM PARA O GIGANTISMO DOS JOGOS OLÍMPICOS COM A QUANTIDADE DE HORAS DIÁRIAS DE TRANSMISSÕES AO VIVO. ATENTEM PARA A QUANTIDADE DE PAÍSES PARTICIPANTES.
ATENÇÃO:- Hoje, 30 segundos de espaço no JORNAL NACIONAL custa R$ 367.000,00 (trezentos e sessenta e sete mil reais). Quanto custaria 18 horas diárias, durante 21 dias? Quantos países estarão recebendo imagens ao vivo?
A OPORTUNIDADE DA MÍDIA DA COPA DO MUNDO DE 2014 AINDA NÃO ESTÁ PERDIDA E, GANHANDO OS JOGOS OLÍMPICOS DE 2016, MAIS UMA VEZ, TEREMOS UM ESPAÇO IMENSO PARA DIVULGARMOS O "ESTADO DO PANTANAL-PN" PARA OS BRASILEIROS E O MUNDO.
DESANIMAR JAMAIS! JUNTOS SOMOS MUITO FORTES.
FIQUEM COM DEUS!
WAGNER SÁVIO S DOS SANTOS
Movimento Empresarial pela Mudança do nome do MS
Coord. Geral da Liga Pró Estado do PANTANAL-PN.
O DIA 02 DE OUTUBRO DE 2009 ESTÁ CHEGANDO E, MAIS UMA VEZ, UMA NOVA E GIGANTESCA OPORTUNIDADE DE COLOCARMOS NOSSO ESTADO EM EVIDÊNCIA MUNDIAL PEGANDO UMA CARONA NA MÍDIA DOS JOGOS OLÍMPICOS DE 2016.
BREVE REFLEXÃO:
- COPA DO MUNDO - FIFA - participantes: 32 países. Período de realização:um mês. Os jogos são realizados no mesmo horário e a cada três dias de intervalo para cada equipe. Importante salientar que os jogos são eliminatórios e as transmissões vão reduzindo à cada fase da competição. Nos dias de jogos, as transmissões diretas acontecem num período de 03 horas diretas.
- JOGOS OLÍMPICOS - participantes: 204 países em 2006 - a cada vez o número de países participantes tem aumentado. Periodo de realização: três semanas. Importante salientar que as transmissões ao vivo são por volta de 18 horas diárias.
BEM... O MEU OBJETIVO COM ESTES DADOS É DAR A VOCÊS UMA DIMENSÃO DO TAMANHO DE "MÍDIA MUNDIAL" QUE ESTES DOIS EVENTOS GERAM.
GOSTARIA QUE ATENTASSEM PARA O GIGANTISMO DOS JOGOS OLÍMPICOS COM A QUANTIDADE DE HORAS DIÁRIAS DE TRANSMISSÕES AO VIVO. ATENTEM PARA A QUANTIDADE DE PAÍSES PARTICIPANTES.
ATENÇÃO:- Hoje, 30 segundos de espaço no JORNAL NACIONAL custa R$ 367.000,00 (trezentos e sessenta e sete mil reais). Quanto custaria 18 horas diárias, durante 21 dias? Quantos países estarão recebendo imagens ao vivo?
A OPORTUNIDADE DA MÍDIA DA COPA DO MUNDO DE 2014 AINDA NÃO ESTÁ PERDIDA E, GANHANDO OS JOGOS OLÍMPICOS DE 2016, MAIS UMA VEZ, TEREMOS UM ESPAÇO IMENSO PARA DIVULGARMOS O "ESTADO DO PANTANAL-PN" PARA OS BRASILEIROS E O MUNDO.
DESANIMAR JAMAIS! JUNTOS SOMOS MUITO FORTES.
FIQUEM COM DEUS!
WAGNER SÁVIO S DOS SANTOS
Movimento Empresarial pela Mudança do nome do MS
Coord. Geral da Liga Pró Estado do PANTANAL-PN.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
“Mato Grosso do Sul – Estado do Pantanal” – Do projeto iconográfico à
construção dos sentidos”
Anailton de Souza Gama (UEMS, CPTL-UFMS)1
“A vida, essa busca de sentido”
A. J. Greimas
Resumo:
Em relação às teorias do discurso e do texto, cinco têm sido as orientações teóricas
mais praticadas no Brasil: a Análise do Discurso de linha francesa, a Análise do
Discurso de extração anglo-saxã, também chamada de ADC (Análise do Discurso
Crítica), a Lingüística Textual e a Semiótica Narrativa e Discursiva, também de origem
francesa. Não pretendemos aqui estabelecer as diferenças entre as distintas teorias
discursivas e textuais, mas buscar estabelecer, de maneira prática, o percurso de uma
delas: a Semiótica Narrativa e Discursiva, elaborada por Algirdas Julian Greimas,
aplicando-a na análise da iconografia representativa sul-mato-grossense, buscando
estabelecer um significado para os signos implantados no Estado de Mato Grosso do Sul
a partir do Governo Popular de Zeca do PT, em 1998, relacionando esses signos ao
processo de construção de identidade sul-mato-grossense. Convém assinalar que o fazer
teórico da semiótica é aspectualizado imperfectivamente, o que significa que não
constitui ela uma teoria pronta e acabada, mas um projeto, um percurso e, por isso, está
a todo momento repensando-se, modificando-se, refazendo-se, corrigindo-se. Dessa
forma, analisamos na iconografia representativa sul-mato-grossense, através de algumas
pistas de análise, possíveis pela levantamento dos campos lexicais e semânticos, da
coerência narrativa e do percurso gerativo de sentido todo o processo
narrativo\discursivo e figurativo da construção dos actantes e suas ações. Verifica-se
que a iconografia representativa nos remete a comportamentos, verdades, realidades,
ideologias, intencionalidades, enfim, aspectos que nos evidenciam modalizações desses
sujeitos de estado no que tange ao ser e fazer, que constituem a complexidade
enunciativa, mesmo parcialmente observada, do objeto em questão.
Palavras-chave: Semiótica; projeto iconográfico sul-mato-grossense; identidade;
construção de sentido.
Sobre a Semiótica
A Semiótica é uma linha de pesquisa em lingüística que valoriza uma análise
levando em consideração os aspectos internos e externos e o estudo da linguagem como
um conjunto que envolve tanto a organização estrutural, seus procedimentos e
mecanismos, buscando estudar o texto na sua acepção mais abrangente, global, ou seja,
tudo que tem um sentido; sendo seu campo de atuação a significação, procura descrever
o que “o texto diz e como faz para dizer o que diz”. A Semiótica corresponde a uma
1 Mestre em Letras – Estudos Lingüísticos pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Campus
de Três Lagoas. Professor da UEMS – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
teoria de análise lingüística, cujos princípios fundadores da vertente francesa estão em
Greimas, que desenvolveu suas teorias embasadas, primeiramente, em Ferdinand de
Saussure, o qual parte do princípio de que o estudo da língua deve buscar a
cientificidade, as regras, pois o sentido existe porque há o sistema, o que levou o mesmo
a se ater extremamente às regras e seu estudo científico, deixando os usos, não porque
os desconhecia, mas porque cabia a seus interesses estudar o sistema.
O sentido está no texto, em sua ambivalência lingüística, o estudo da linguagem
reconstrói suas regras de funcionamento, seus procedimentos, suas redes de
dependência interna.
A partir de Saussure temos a dicotomia de significante – que corresponde à
imagem acústica - e significado, que corresponde ao conceito, à representação do
objeto, sendo ambos indissociáveis. Para a semiótica, essa dicotomia embasa o fato de
que a linguagem constrói o real e que isso se dá de diversas formas tendo em vista que a
categorização do “real” é recortada, construída conforme a situação. Dessa forma, como
somente existe signo se houver significante e significado, o sentido ou interpretação só
se dá com base na relação estabelecida entre os enunciados.
No que se refere à Semiótica tem-se para cada categoria de base fundamental
várias categorias narrativas, ou seja, várias formas de dizer o que se diz, conforme a
intencionalidade do enunciador, o que vai determinar a ação manipuladora. Essas duas
partes - significante e significado - são inseparáveis, e cada uma vale ou é, tendo em
vista o que o outro não é, ou seja, a noção de valor que se estabelece na relação com as
demais partes do texto ou peças do jogo. Isso se confirma aludindo ao eixo sintagmático
e ao paradigmático da linguagem, outra dicotomia saussuriana.
No âmbito das influências de Saussure para a Semiótica temos de convir,
primeiramente que, quanto ao nível fundamental e ao nível narrativo ambos se
diferenciam, embora o sentido se dê pela relação entre os percursos. Outra influência
relevante se evidencia através da noção de valor elaborada por Ferdinand de Saussure
que preconiza que “vale menos a matéria fônica do que o que há ao seu redor” (1995, p.
198), fator que nos fornece subsídios para entender melhor a valorização por parte da
Semiótica, dada durante algum tempo ao plano de conteúdo, tendo em vista que o
sentido de uma peça conta mais que sua matéria.
Outra contribuição relevante para os estudos greimasianos pode ser encontrada
em Hjelmslev, lingüista dinamarquês, seguidor de Saussure e fundador da
Glossemática. Quanto às contribuições de Hjelmslev nos estudos de Greimas, podemos
mencionar o fato de ter destacado no campo dos estudos da linguagem o que era objeto
de estudo da lingüística, o signo, e o que era objeto de estudo da semiótica, qualquer
sistema de signos (imagens, gestos, vestuários, ritos, etc). Também advém de Hjelmslev
o desenvolvimento dos conceitos de forma e substância da língua e da fala,
mencionando existir uma forma e uma substância para a expressão, bem como uma
forma e uma substância para o conteúdo, o que fornece o pontapé inicial para os
estudos de alguns ramos da lingüística, a exemplo de fonética e fonologia e porque não,
da semiótica, tendo em vista a importância da materialidade lingüística.
Outra influência de Greimas para a teoria semiótica está em Vladimir Propp,
estruturalista russo que estudou os componentes básicos do enredo dos contos. De
Propp, Greimas torna mais operacional o mapeamento estrutural comum a uma
diversidade de textos, bem como o reconhecimento da existência de níveis de
manifestação, princípios fundadores, tanto dos conceitos do nível narrativo, quanto da
existência dos vários níveis textuais, o fundamental, o narrativo e o discursivo na teoria
semiótica francesa.
Por fim, temos a influência de Levi Strauss, antropólogo estruturalista, o qual
destaca a existência de uma analogia entre linguagem e cultura e uma ênfase nos
estudos, levando em consideração a relação entre os termos e as leis gerais do sistema.
Para ele e dele vem a concepção de que a significação está atrelada ao nosso meio e, a
partir disso, os enunciadores buscam impor suas visões da realidade através dos textos
como apreensão do significado.
Segundo Greimas ( 1976, p. 237-9), a semiótica francesa, embora não ignore que
o texto seja um objeto histórico, dá ênfase ao conceito de texto como objeto de
significação de uma forma sincrônica, preocupando-se fundamentalmente em estudar
os mecanismos que engendram o texto, que o constituem como uma totalidade de
sentido. A semiótica preocupa-se em estudar a produção e a interpretação dos textos,
teoria sintagmática, interessando-se por qualquer tipo de texto. Há um conteúdo em
diferentes formas de expressão, uma vez que o mesmo conteúdo pode ser veiculado por
diferentes planos de expressão, uma teoria geral de textos quer visualmente,
verbalmente, por combinações de planos de expressão-sincrético (visual, verbal, etc).
Preocupando-se com os sentidos do texto, em primeiro lugar, procura levantar o
percurso gerativo de sentido, observando os mecanismos e procedimentos do plano de
conteúdo, os quais se dividem, conforme Barros (2003, p. 188) em 03 (três) etapas, as
quais buscamos elencá-las aqui.
Sua primeira parte referente ao plano de conteúdo diz respeito ao nível
fundamental, ou categorias de base, abstrata. Trata-se de categorias semânticas que se
opõem e que a partir dessa relação de oposição, de contrariedade, os sentidos se
estabelecem significativamente, dando sustentabilidade à noção onde:
[...] o mecanismo lingüístico gira em torno de identidades e diferenças, pois
tudo que um elemento discursivo é, ele o é em relação a todos os demais.
Assim, elemento nenhum, numa mensagem, existe sozinho; e elemento
nenhum pode ser definido por sua natureza, isoladamente, mas sempre e só
por referência a outro elemento qualquer da mesma formação constroem uma
relação de sentido. (LOPES, 1997, p. 35)
Ou, na teoria Semiótica:
No nível mais abstrato e simples, o das estruturas fundamentais, os sentidos
do texto são entendidos como uma categoria ou oposição semântica, cujos
termos são determinados pelas relações sensoriais do ser vivo com esses
conteúdos e considerados atraentes ou eufóricos e repulsivos ou disfóricos;
negados ou afirmados por operações de uma sintaxe elementar; representados
e visualizados por meio de um modelo lógico de relações denominado
quadrado semiótico. (BARROS, 2003, p.189).
A identidade se faz pela diferença, ou melhor, o sentido está na relação entre
dois termos que se diferem; sendo assim, a existência de um termo só se faz presente
tendo em vista a existência de um outro elemento no mundo natural que contenha
características não contidas no elemento A e que por isso mesmo pode ser concebido
como B.
No que diz respeito à segunda etapa do percurso gerativo de sentidos, fazendo
uma alusão a Barros (2003), temos a conversão do nível fundamental ao narrativo em
que o enunciador organiza a narrativa do ponto de vista de um sujeito, do nível abstrato
para o concreto, digamos que ele dá uma roupagem à categoria de base por meio de um
sujeito que realiza operações, através de transformações tendo em vista a busca de
objetos que podem transformar o sujeito, através dos valores desses objetos conferidos
ao sujeito. Por outro lado os sujeitos podem se encontrar em uma situação de euforia ou
disforia, ou seja, de busca ou de relaxamento em relação ao objeto pretendido por ele.
Essa busca por valores se dá tendo em vista os cerceamentos de um destinador
manipulador o qual leva o sujeito a agir para obter determinado objeto/valor, a fim de
que esse sujeito seja aceito na sociedade.
O terceiro nível, o discursivo, corresponde a uma série de “escolhas”, de pessoa,
de tempo e de espaço, de concretização do discurso, temática ou figurativamente, que o
sujeito da enunciação faz na e mediante a enunciação a fim de persuadir, manipular o
enunciatário, provocar a ilusão de verdade, de proximidade, distanciamento,
objetividade, subjetividade.
O sujeito da enunciação faz uma série de escolhas de pessoa, tempo, espaço, de
figuras e “conta” ou passa a narrativa, transformando-a em discurso [...] a narrativa
enriquecida por todas essas opções do sujeito da enunciação, que marcam os
diferentes modos pelos quais a enunciado se relaciona com o discurso que enuncia.
( BARROS, 1990, p.53).
Para Barros (idem), o nível discursivo é um modo de manifestação de um sujeito
que constrói seu objeto discursivo, com vista a atingir um certo fim.
No que se refere à terminologia “teoria gerativa dos sentidos”, nível do
conteúdo, segundo Fiorin (2002), essa denominação “gerativa” é atribuída à teoria
semiótica porque concebe o processo de produção de sentido como um processo
gerativo que vai, conforme exposto anteriormente, do mais abstrato, simples: nível ou
estrutura fundamental, passando pelo narrativo (todo texto é narrativo já que contém
uma transformação de um estado inicial a outro, seja ele de disjunção ou de conjunção),
até o mais complexo e concreto de enriquecimento semântico – nível ou estrutura
discursiva.
Embora a Semiótica tenha se desenvolvido valorizando o plano de conteúdo
como o lugar privilegiado, um programa de televisão, rádio, jornal impresso, ao
conceber, selecionar um plano de expressão e não outro acrescenta, tira, atribui aspectos
que vão influir como algo a mais no sentido. Assim, o pesquisador deve buscar saber o
que é esse algo a mais de sentido sem prescindir ao plano de conteúdo.
Essas formações discursivas, manifestação, concretização das formações
ideológicas, são, conforme Foucault (apud Discini, (2005, p. 60) um conjunto de regras
anônimas, históricas, sempre determinadas no tempo e no espaço que definiram em uma
época dada, e para uma área social, econômica, geográfica ou lingüística dada as
condições de exercício da função enunciativa, as quais materializam uma ideologia,
visão de mundo como estratégia de persuasão, que está alicerçada e renovada nos
conflitos de poder entre segmentos sociais, sistema de representações, de normas de
regras e preceitos que explica a realidade e regula o comportamento dos homens,
criados por uma ideologia dominante e sustentados pelos aparelhos repressores do
Estado. Assim, o nível fundamental está para “pontos de vista de uma classe social a
respeito da realidade, as maneiras como uma classe ordena, justifica e explica a ordem
social” (BARROS, 1990, p. 67). Se as formações ideológicas, conforme Discini, (2005)
correspondem à ideologia dominante e, a partir do texto, da palavra, o sujeito se
constrói, a imposição de uma forma de representação identitária outra, pode consistir
em outro sistema de representação e de valores que se contrapõem, pois toda essa
situação de relação entre sujeitos configura-se como uma relação destinadordestinatário,
sendo que o sujeito que doa os valores modais (que modalizam, que
marcam o modo de ser) é o destinador e o sujeito que os recebe é o destinatário, que,
por sua vez, vai colocar-se como sujeito da ação. Em Semiótica, toda comunicação é
uma manipulação. Então, entre o destinador e destinatário, temos um percurso de
manipulação (de ação). O papel do destinador é factivo: fazer-fazer, antes fazer- ser. É
próprio do destinador exercer um fazer persuasivo, assim como é próprio do destinatário
exercer um fazer interpretativo. O fazer persuasivo é a proposição de um contrato, que,
no caso, implica um novo modo de ser
O fazer persuasivo não é construído, no caso em questão, pelo próprio sul-matogrossense,
muito menos para o sul-mato-grossense, mas tem o sul-mato-grossense como
uma construção que visa objetivos decorrentes de uma ideologia, de um sistema de
valores que, a partir da organização da materialidade lingüística gerativa de sentido,
constrói uma realidade que pode não ser compactuada pelo sul-mato-grossense, pois,
alguém fala por ele, ou melhor, alguém constrói sua identidade, conforme os ideais de
uma sociedade e para uma sociedade.
Do ponto de vista da relação entre enunciador e enunciatário, pretende-se
analisar, aqui, nos termos do conceito de “contrato fiduciário” a relação de
confiança\confidência que o enunciador-destinador – o Estado – procura estabelecer
com o enunciatário-destinatário – o povo. Convém mencionar que o texto\enunciado,
nosso objeto de análise foi produzido e implantado no Governo Popular de Zeca do PT.
O sentido é entendido na semiótica greimasiana como advindo da
descontinuidade, da ruptura, da percepção da diferença, ou seja, o mundo natural é visto
como uma continuidade que o mundo humano rompe a fim de criar sentido.
Greimas (1976) afirma que o sujeito da enunciação “produz” um discurso que
manifesta o efeito de sentido de “verdade”. Faz-se presente aqui a manipulação do
enunciatário pelo enunciador: sendo a verdade um efeito de sentido (um parecer
verdadeiro), sua produção advém de uma ação de “fazer parecer verdadeiro”, isto é, do
emprego pelo enunciador de recursos que levem a verossimilhança do discurso a ser
aceita pelo enunciatário como verdadeiro, a partir do acordo tácito, “em confiança”, que
se instaura entre eles no discurso.
Para Pietroforte & Lopes (2003, p. 116-7):
A verdade é sempre uma construção de homens e que por isso é necessário
acolher seu caráter múltiplo, problemático, variável em função dos pontos de
vistas humanos. Alguma garantia de verdade, quando se admita, será
decorrente não uma objetividade invariável e absoluta, mas de uma assunção
intersubjetiva, que é por vocação algo mais cambiante, mais instável e sujeito à
controvérsias. Todo consenso é provisório.
Assim, a Semiótica se preocupa com a significação dos textos vendo a verdade
como uma construção, não se preocupando com o ato de criação “real”, as ‘reais
intenções’, a ‘produção real’. Se atém nos efeitos que essa produção deixa apreender.
Greimas (1997), mostra a paradoxal situação do homem diante do sentido,
condenado ao sentido, ele nunca o alcança em sua totalidade, isto é, a verdade só está ao
seu alcance enquanto simulacro da verdade. A verossimilhança é um “parecer
adequado” ao referente em que o enunciador busca a adesão do enunciatário, que só
ocorre se os sentidos instaurados corresponderem à expectativa deste último, tal como
representa para si mesmo o enunciador e com base no qual ele procura manipulá-lo.
Assim, o simulacro da verdade se constrói, principalmente, a partir da representação que
o enunciador faz do enunciatário. A preocupação da semiótica é mostrar como a idéia
vai se construindo no interior do texto, dando um simulacro metodológico, pois cada
texto constrói sua verdade, e é isso o que deve ser objeto de investigação da semiótica e
não decidir sobre a natureza última do real.
Em relação à manipulação há dois grandes tipos: a que produz uma
“camuflagem subjetivante”, isto é, a que destaca as marcas da enunciação e o
enunciador; e a que produz uma “camuflagem objetivante”: a que oculta as marcas da
enunciação, que nem por isso deixam de estar presentes. No nosso objeto de análise
temos uma “camuflagem objetivante” em que ocultam-se as marcas da enunciação,
apagando os complementos necessários para a literalidade do texto e o sujeito que
enuncia.
Para Greimas (1997, p. 143) “a comunicação da verdade repousa na estrutura de
troca que lhe é subjacente”, isto é, na interação entre os protagonistas do discurso. O
fazer persuasivo do enunciador (que busca a adesão) e o fazer interpretativo do
enunciatário (que pode ou não aderir). Greimas recusa a idéia de transmissão e recepção
de mensagens, propondo o exercício do fazer persuasivo (fazer-crer), no plano do
enunciador e, no plano do enunciatário, o fazer interpretativo (crer ou não) que é a
transformação de um estado de crença em outro. Para Greimas a interpretação envolve
tanto o reconhecimento como a identificação, sendo a “verdade” reconhecida mediante
uma operação de comparação entre o que é “proposto” pelo enunciador e aquilo em que
o enunciatário já acreditava. Assim, no plano enunciativo há o controle da adequação do
novo e desconhecido ao antigo e conhecido, adequação que pode ser aceita ou rejeitada.
O plano enunciativo é caracterizado não como uma simples afirmação, mas
como solicitação de consenso, de contrato, entre enunciador e enunciatário. A
manipulação pode ser realizada de três formas distintas: a) segundo o querer, por
tentação e sedução; b) segundo o poder, por ameaça e provocação e c) segundo o saber,
em que a ‘natureza dos fatos’ é apresentada na forma de argumentações lógicas,
oferecendo-se à interpretação do sujeito como uma proposição da razão: o enunciador
convoca procedimentos de manipulação segundo o saber para convencer o enunciatário,
apelando às “razões” do próprio enunciatário. Trata-se de convencê-lo. O plano
enunciativo ocupa o centro do ato discursivo: o enunciatário tem papel vital no
funcionamento do discurso.
Um ponto primordial da análise narrativa e discursiva é o reconhecimento dos
procedimentos de obtenção de efeitos de sentido, procedimentos que variam entre as
culturas, os grupos e as ideologias. No nível discursivo, o actante parte da sintaxe
definida pelos papéis que engloba, transforma-se, a partir da recepção de investimentos
semânticos, temáticos e\ou figurativos, em ator – termo utilizado na AD para designar
os locutores e interlocultores, externos ao ato de linguagem, que estão implicados na
troca comunicativa.
De posse do dispositivo conceitual aqui esboçado, é tempo de focalizar o
material a ser analisado. Sendo nosso objetivo descrever a construção de sentido,
tomamos a Semiótica como teoria, que é parte de uma ciência maior, a Lingüística, na
busca do significado e das ideologias presentes na iconografia representativa sul-matogrossense.
A imagem evocada em que se lê “Mato Grosso do Sul – Estado do Pantanal”,
com uma moldura verde, traz ao centro, a inscrição em letras brancas, sendo que o nome
Mato Grosso do Sul aparece em letras maiores do que o termo complementar Estado
do Pantanal. O sentido se constrói, na produção de seu efeito filiado em redes de
memória, ocultando, pelo seu efeito, do sujeito que enuncia; enunciado sem sujeito,
efeito de sentido produzido: aspecto que oculta a questão política. Se na política as
conquistas são efeitos e conseqüências das disputas de interesses, elas são aquilo que se
constituem na própria disputa, ou seja, elas são conseqüências de estratégias bem
sucedidas.
Ao se considerar o enunciado como um todo, há uma demanda de construção de
sentido de transferência de denominação: do nome de Estado de Mato Grosso do Sul
para o nome de Estado do Pantanal, fato que pode ser constatado se levarmos em
conta a rede discursiva, filiado em redes de memória em torno da questão: a produção
em série da ‘bicharada de cimento’ espalhada pelos canteiros centrais das cidades sulmato-
grossenses. Soma-se a isso as palavras de Pedro Tierra (2000) em que se lê “como
no Mato Grosso do Sul, que Zeca do PT prefere chamar de estado do Pantanal e abre
agora uma campanha popular com vistas a um plebiscito para mudar o nome”.
O efeito de distanciamento e ocultação do sujeito político promove uma
significação em torno das cores usadas, que correspondem às cores da bandeira do
Estado de Mato Grosso do Sul e ao mesmo tempo remete ao verde do pantanal e seu
céu. Pode-se observar na própria constituição do enunciado, a inscrição na parte
superior Mato Grosso do Sul e na parte inferior Estado do Pantanal como a indicar
um período de transição, ainda se levarmos em conta a rede discursiva vide textos
imagéticos representativos, esta articulação adquire maior construção de sentido, isto é,
representa mais discursivamente. A inscrição Estado do Pantanal representa não
apenas o “novo” gentílico, mas sobretudo a vitória do sujeito que enuncia pela liderança
política que representa. No entanto, a conquista desse “novo” gentílico acaba sendo uma
conquista político-mercadológica se, também, levarmos em conta a rede discursiva de
que se reveste o debate: globalização, neoliberalismo, mídia, nacionalismo, pósmodernismo,
onde estão inscritos outros discursos como: projeção nacional do Estado
do Pantanal, tendo em vista que o nome Pantanal já é marca conhecida mundialmente e
que muito bem traduz a vocação do Estado para o Ecoturismo, “Santuário Ecológico do
mundo”, “Patrimônio Natural da Humanidade”.
O enunciado, tal como evocado, com fundo verde e escritos branco parece
significar a própria amplidão do Pantanal: o vazio verde delineado pelo espaço escrito,
significando a justificativa para esse embate ideológico. A substituição do gentílico
parece se justificar pela amplitude que é o Pantanal e pela sua importância turística que
representa para o mundo: o enunciado, tal como evocado, é uma forma de se firmar,
reivindicar adesão. Também, se a cor verde pode representar o “santuário ecológico”, o
branco pode significar a paz, calma. Assim, o que causa um efeito de sentido na
categoria cromática da placa indicativa é a alusão aos elementos do Pantanal: a
amplitude das planícies, a paz, a calma, etc. criando uma outra filiação nas redes de
memória. O texto é significativo pelo jogo de sentidos, que permite desdobramentos e
possibilidades de serem outros, mas não qualquer outro, pois não há sentido livre de
filiações históricas.
Para Chevalier & Gheerbrant (2000, p. 42) o branco “[...] absoluto[...] é a cor do
candidato, i.e., daquele que vai mudar de condição...” O branco é um valor-limite, assim
como as duas extremidades da linha infinita do horizonte. É uma cor de passagem
produzindo em nossa alma “o mesmo efeito do silêncio” (idem) absoluto. Esse silêncio
não está morto, pois transborda de possibilidades vivas... É um nada, um nada anterior
a todo nascimento, anterior a todo começo. Aplicado ao nosso objeto de análise
percebe-se que a seleção dos recursos para a produção dos discursos não é aleatória,
mas sustentada numa construção de sentido que justifica a escolha desse tipo de recurso
e não outro, no caso a cor branca com que é grafado o enunciado “Mato Grosso do Sul
– Estado do Pantanal”. Ainda para Chevalier & Gheerbrant (idem) (no branco) “ali
está o interdito, suspenso na brancura côncava e passiva”. O branco é símbolo da
afirmação, de responsabilidades assumidas, de poderes tomados e reconhecidos, de
renascimento realizado; enfim, “é a cor da pureza a manifestar que alguma coisa acaba
de ser assumida” . É uma cor neutra, passiva, mostrando que nada foi realizado ainda.
Em relação ao verde, ainda de acordo com Chevalier & Gheerbrant (2000, p.
939), a sua “profundidade dá uma impressão de repouso terreno e de contentamento
consigo mesmo [...] é uma cor tranqüilizadora, refrescante, humana [...] a cor verde leva
ao Complexo de Édipo, ao culto do refúgio materno: o homem volta para a mãe como
para um oásis, é o porto da paz”. Não é de se estranhar que o sujeito do discurso tenha
optado por esta cor na produção discursiva como forma de assinalar o desejo do
homem no retorno ao Éden, ao lugar onírico, à casa, ao refúgio materno, tendo o
Pantanal como metáfora deste lugar, devendo o mesmo ser entrevisto como uma
representação além do tempo e do espaço, onde o leitor desse texto imagético identifica
o seu próprio universo, encontrando a sua própria imagem especular, ou arquétipos que
sustentam a sua identificação com o enunciado. Assim, o Pantanal torna-se espelho
para o cidadão sul-mato-grossense e para o outro (o de fora, incluindo aí o matogrossense)
englobando-os, tornando o nenhum-lugar capaz de desvelar o conhecimento
sobre o todo-lugar.
Importa observar também quais eram as formas de representação identitárias do\
no Mato Grosso do Sul, seja na música, nos costumes, na alimentação, na indumentária,
etc. passando por várias configurações e rupturas de sentido, marcadas pela tensão dos
sentidos até a configuração desse enunciado “Mato Grosso do Sul – Estado do
Pantanal”. Importa observar que é um processo de constituição tenso, onde algumas
formas de representação identitária do\no Mato Grosso do Sul são anuladas, deslocadas,
silenciadas, outras se transformam e\ou são apagadas. Todo sentido está em relação
com outros sentidos e, todo sentido do\no enunciado é, em algum aspecto, sentido de
um discurso.
Assim, o enunciado, tal como evocado, possui uma estética que é, ao mesmo
tempo, política e mercadológica: política por estar imbuído de uma ideologia – tornar
conhecida uma marca, mercadológica porque preocupada em “vender um gentílico” e
de pretender enunciar para o outro, o de fora. O enunciado Mato Grosso do Sul e a
incorporação da expressão Estado do Pantanal representa a explicitação da filiação em
redes de memória de um projeto mais amplo, político e ideológico.
Importante se faz, também, lembrar, que o ano de 1998 constitui-se a grande
virada da esquerda no Mato Grosso do Sul e em outros estados da federação. Na arena
dos embates políticos-ideológicos, pode-se considerar que não é qualquer enunciado
que se constitui em acontecimento, ou, dito de outra forma, não é qualquer enunciado
que consegue se inscrever com tamanha força, o que constitui um fato positivo.
Também é oportuno assinalar que os textos imagéticos, a ‘bicharada de
cimento’ ocupando os canteiros centrais das cidades do estado de Mato Grosso do Sul
constituem num embelezamento estético indiscutível. O que antes era uma paisagem
nua, agora é enfeitada com requintes de arte, além das transformações dos
convencionais orelhões telefônicos em objeto de arte que embebesse o olhar tanto nosso
como do outro.
Assim, pode-se resumir a história a partir dos seguintes fatos, de acordo com o
Jornal virtual Campo Grande On-line, na sessão Polêmica: a) a proposta de mudar o
nome de Mato Grosso do Sul para Estado do Pantanal surge com Zeca do PT, tendo em
vista que nos 20 anos o nome Mato Grosso do Sul não se firmou, o que constitui a razão
das inúmeras confusões ainda feitas por personalidades, políticos e jornalistas sobre os
dois territórios federais: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Importante assinalar que
ninguém confunde Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul, nem o Estado do
Tocantins com Goiás, estados desmembrados mais recentemente. A proposta foi
encampada enfaticamente pelo governador Zeca do PT logo após a sua posse. Em
pouco tempo se percebeu que quanto mais à idéia era colocada como proposta de
governo, ou como briga pessoal do governador, mais aumentava a sua rejeição, assim
foi criada a Liga Pró Estado do Pantanal, que se propõe organizar a mobilização da
sociedade civil em favor da mudança. b) Os defensores da idéia entendem-na justa a
reivindicação de alteração do gentílico, já que dois terços do Pantanal estão em Mato
Grosso do Sul; e boa parte dessa confusão poderia ter sido evitada se, na época do
desmembramento, o velho Mato Grosso tivesse concordado em se chamar Mato Grosso
do Norte, c) Há quem considere absurdo abrir mão do nome Mato Grosso, que ‘nos dá
identidade’, mesmo sendo o apêndice: do Sul. Para esses, um bom trabalho de
publicidade pode superar as confusões a nível nacional, e que não é justo impor a todo o
Estado o nome de Pantanal, culturalmente restrito a uma região específica e, d) outros
entendem que a idéia pode até ter cabimento, mas que foi colocada em hora errada ou
de forma equivocada. Consideram autoritária a atitude do governo, de adotar o slogan
“Estado do Pantanal” na publicidade oficial antes de uma ampla e democrática consulta
à população. Há quem veja nisso uma auto-promoção do governo.
Assim, o enunciador – Estado - cumpre o papel de destinador-manipulador, a
quem cabe a responsabilidade pelos valores do discurso e que é capaz de levar o
enunciatário – povo - a crer e a fazer. Esse fazer persuasivo é o que leva, no discurso e
pelo discurso, à realização do fazer manipulador - Estado. O modelo greimasiano
permite uma apreensão aprofundada da maneira como a relação proposta pelo
enunciador-destinador ao enunciatário-destinatário serve de espinha dorsal à construção
dos sentidos nos discursos.
Nível Fundamental
Como oposição de base temos campo versus cidade, ou conforme o quadrado
greimasiano:
Campo------------------------------------------------------Cidade
euforia disforia
relaxamento tensão
não cidade--------------------------------------------------não campo
Não-disforia não-euforia
Distensão retensão
Os termos Campo e Cidade são termos contrários, opositivos, cujos sentidos se
estabelecem passando de situação de relaxamento para uma situação de tensão, num
processo que vai para uma atitude de retensão e euforia. A partir daí, há uma atitude de
tensão, ou de disforia em relação à cidade, que se configura para o destinatário como
um aspecto negativo, o que provoca uma atitude de não disforia, em busca de
argumentos que levem à recuperação do status de cultura inferior, partindo para a
cultura não inferior.
Nível Narrativo
Para o texto iconográfico acima temos, no plano narrativo, a presença de um
sujeito manipulador que procura manipular os enunciatários a crer no fato de que o
nome Estado do Pantanal é o que melhor representa este território, tendo em vista que
tal gentílico, além de diferenciar do outro, o Estado de Mato Grosso, ainda nos
representa culturalmente. Dessa forma, numa oposição que estabelece o sentido, adquire
os valores de ecológico, natural ou rural. Estratégia adotada a partir do momento em
que se utilizam de expressões do tipo: “Mato Grosso do Sul – Estado do Pantanal”.
Ou melhor, temos aqui a presença de um sujeito-manipulador – Estado - que busca um
interlocutor - o povo sul-mato-grossense - como uma voz oculta que se institui a fim de
tornar o enunciado mais objetivo, mostrando que há um sujeito destinador manipulador
responsável pelas ações, o qual nos manipula em relação ao pré-construído. Temos um
Sujeito politizado que busca um objeto – a adesão do povo à sua causa, a fim de
adquirir um valor – reconhecimento como ser superior, reconhecimento de liderança
política, capaz de convencer o povo.
Um sujeito – o povo - que está em disjunção com o objeto natureza e que, por
esse motivo, é submetido a uma avalanche de signos e símbolos eivados de significado
e ideologia. Esses signos e símbolos representam um ideário instaurado pelo destinadormanipulador.
Em um segundo percurso narrativo tem um sujeito – o Estado - numa situação
de tensão, que busca poder-fazer e crê-saber- fazer através da insistência de sínteses
imagéticas narrativas e culturais reivindicar uma identidade para o jovem Estado de
Mato Grosso do Sul. Sujeito – Estado - busca no objeto – esculturas ecológicas -
valores para a representação da identidade, sufocada por fatores
políticos\geográficos\sociais. Esses objetos – via “bicharada no cimento”, placas
indicativas podem ser considerados como um objeto de combate à falta de identidade
tida pelo sujeito destinador. Um enunciador que tenta convencer o enunciatário, através
da iconografia representativa, por meio da imposição de uma cultura estilizada que não
dá conta de representar-nos em todos os aspectos. Assim, podemos dizer que o percurso
narrativo se configura da seguinte forma:
PN1. [ S1 ® O1 – POVO ® Troca de Denominação]
em que se lê: Plano Narrativo 1 = [Sujeito 1 – Estado, busca através do Objeto (O1) a
adesão do POVO para a Troca de denominação].
Um sujeito – Estado - que busca o objeto através da iconografia representativa – a
adesão do povo - e através de um insistente retorno dessas sínteses narrativas procura
alcançar o valor – a troca do gentílico.
Em outras palavras há uma narrativa (percurso narrativo) que se constrói sob a
ótica do Estado com o intuito de depreciar as formas de representação identitária do
povo sul-mato-grossense, a fim de provar, através da sua voz instaurada na narrativa por
meio de um sujeito não identificado, uma estratégia interdiscursiva, a incorporação do
discurso figurativo ou temático do discurso do “pantanal”, presente nos textos em
análise. O enunciador instaura um narrador e um narratário não identificados e que pode
ser qualquer um, a fim de manipular o interlocutor através da provocação e da
persuasão, numa disforia do povo para alcançar a euforia do “pantanal” e dar uma
identidade a este povo, ou seja, a procura do valor “pantanal” se dá através da negação
no outro em relação aos aspectos identitários, uma identidade que se constrói pela
diferença, conforme Lopes (1997).
Quanto ao plano narrativo 2, temos:
PN2. [S1® O1 – sem identidade (povo) ® S2.® V ( Identidade)
Um sujeito – povo - que busca um objeto - uma identidade - presente nas
manifestações culturais\sociais\artísticas\folclóricas, a fim de atingir, pôr o sujeito
Estado numa situação de disforia e adquirir a identidade, ou melhor, um resgate da
identidade, através das vozes que se fazem ouvir categoricamente, que falam por ele.
Nesse percurso provoca-se uma crítica implícita quando, por meio de uma
intencionalidade marcada pela expressão “Mato Grosso do Sul – Estado do
Pantanal”, a qual provoca o sentido contrário, aquele que quer se identificar como sulmato-
grossense não tem o poder para o ser. Não é. Há implícita uma negação de Estado
do Pantanal através do plano narrativo 2 ( PN2) e uma afirmação da transformação do
Estado de Mato Grosso do Sul para Estado do Pantanal ao mencionar tal enunciado que
o sujeito Estado acredita ter o poder fazer, através do objeto – iconografia
representativa, a fim de alcançar os valores – uma forma de representação identitária.
Nível Discursivo (Categoria de Pessoa)
No que se refere à última etapa do percurso gerativo do sentido em que à
narrativa são dados um ou vários sujeitos, um tempo, um espaço, objetos, destinadores,
investimentos semânticos, o enunciador instaura a voz, mas a instaura de modo que o
enunciatário é qualquer um, aquele que repete o enunciado numa heterogeneidade
implícita remetendo ao discurso do “santuário ecológico do mundo”, numa perspectiva
de adesão. Faz uso da heterogeneidade constituída, ao não mencionar o sujeito, que
pode ser qualquer um ou todos e apagar os complementos tornando o texto não literal, o
que marca mais objetivamente o enunciado, a voz que não tem dono como uma forma
de elevar à categoria de “verdade” de todos os que o enunciam,.
Há a presença da voz do enunciador – que a partir da leitura do enunciado
pode ser qualquer um ou todos -, o qual atua como um mediador entre as partes,
deixando claro o peso das representações identitárias, oscilando entre Mato Grosso do
Sul e Estado do Pantanal, alguns, inclusive até reivindicam sua identidade sufocada, ou
que permanece sufocada, até mesmo pelo fato de ao povo não ser dada a palavra. Há
quem fale por ele, defenda suas causas, mas não é dada a voz a ele a fim de que fale, o
que se percebe é uma construção que embora em prol de um ideal, marca uma certa
tensão, um tom de generalidade, de que em qualquer lugar deste Estado será pantanal;
do enunciador em relação à adesão da sua causa na defesa de sua valorização e resgate
da identidade. Embora o enunciador busque o narrador para apresentar o discurso
daqueles que se dizem sul-mato-grossenses, e busque também a voz dos que lutam
pelas causas identitárias, enquanto a primeira se apresenta, embora de forma
silenciosa, de modo a reproduzir as manifestações culturais e identitárias, a última se
apresenta através de outras vozes que não são as legitimas e que também não
apresentam nenhuma pista acerca dessas representações, além de estar na contramão
desse discurso, até reivindicam sua identidade como sul-mato-grossense, numa
indefinição, o que pode criar um simulacro da ausência de argumentos acerca das
ofensivas realizadas.
Categoria de Tempo
Quanto ao aspecto temporalização, podemos dizer que nos textos imagéticos é
marcante a presença do presente histórico, a fim de marcar uma verdade incontestável
para os acontecimentos, uma proximidade com a enunciação, o que vem reafirmado
com a relação sincrética dos textos com as fotos de animais e aves do pantanal em
requintes de arte estilizadas,
Categoria de Espaço
No que se refere ao aspecto espacialização, temos os canteiros centrais das
cidades e entradas das principais cidades do Estado de Mato Grosso do Sul, local de
maior importância ou máxima valorização espacial, sem contar com o fato de que as
imagens se fazem presentes também nos ônibus que saem\partem\cruzam o Estado de
Mato Grosso do Sul, na mídia televisiva, nos canteiros em residências, nos cartazes de
divulgação do Estado, etc.
Tematização e Figurativização
Quanto às formas, temos as categorias semânticas que são disseminadas, de
modo abstrato em tematização e de modo concreto, figurativização; podemos dizer que
o texto imagético faz uso de estruturas temáticas e figurativas. Temáticas na medida em
que menciona abertamente a posição do Estado em relação às formas de representação
identitárias. Figurativo na medida em que faz uso das imagens, da apresentação do
discurso imagético acerca das formas de representação e da atitude de resistência e\ou
apoio dos adeptos das causas identitárias, no que se refere a esta forma de
representação.
Por meio dessa observação, percebe-se que o texto faz uso mais do nível
figurativo que do temático, o que nos leva a crer numa tentativa de nos remeter ao
mundo perceptível, pois os textos figurativos servem para que o enunciador faça crer
que um pedaço da realidade que ele recortou é a própria realidade criando um efeito de
objetividade. O que nos permite, então, dizer que o enunciador busca a adesão do
enunciatário para o embate de aspectos identitários e culturais e a manipulação sofrida
pelo povo em razão do embate ideológico que se trava nesse campo.
Plano de Expressão
Partindo para o plano de expressão, as várias formas, suporte ou o semisimbolismo,
cuja mudança muda o sentido ou o plano do conteúdo, podemos começar
pela tipografia do título do enunciado, as quais são negritadas, o que denota um tom de
peso, sugestivo; ou pela posição, ou aspecto topológico, aquela que diz respeito a
posição que ocupa o enunciado aludindo-nos a uma noção de mais ou menos valor.
Dessa forma, embora esse enunciado esteja nas principais rodovias de entradas das
principais cidades do Mato Grosso do Sul e a ‘bicharada de cimento’ esteja nos
canteiros principais das cidades sul-mato-grosssenses, encontra-se, ainda, nos principais
eventos do Estado patrocinados pelo mesmo, como se a cultura estivesse numa relação
de mercado, no jogo entre o que vale menos e o que vale mais na cultura ocidental, ou
como se a identidade estivesse perdendo seu valor, o que fica evidente com a expressão
“Mato Grosso do Sul – Estado do Pantanal”: em letras grossas, marcando a “nova”
identidade, estratégias estas dignas de reconhecimento, cuja intencionalidade é
promover a tensão e chamar a atenção. Arrebatamento e sustentação.
A análise se concentra na compreensão do enunciado que resume, de certo
modo, a iconografia representativa sul-mato-grossense: “Mato Grosso do Sul – Estado
do Pantanal”. Formulado a partir do Governo Popular de Zeca do PT, esse enunciado
trás outras formulações, entre as quais, o “vender um gentílico”. Assim, objetiva-se a
compreensão do processo de significação instaurado por esse enunciado. É importante
observar sua historicidade, ou seus diferentes modos de formulações nos diferentes
textos para apreender sua discursividade. Vale lembrar que esse enunciado se inscreve
na ordem do discurso com a ascensão de Zeca do PT ao governo do estado, instaurando
o Governo Popular de Mato Grosso do Sul, fazendo parte, assim, das relações de forças
e de sentidos que a partir dele se delineiam.
Com a particularidade do seu gênero – placas gigantes sobre as rodovias – ele se
mantém visível, disponível para leitura dos sul-mato-grossenses e do outro, o de fora
que aqui chega. Sua leitura se constitui já em uma “obrigação” aos cidadãos deste ou de
outro lugar. A leitura do enunciado já produz, em si, esse lugar do cidadão sul-matogrossense
– Estado do Pantanal – não de qualquer modo, mas ritualizado e, ao mesmo
tempo, devido às condições de produção, ao seu modo particular de significar.
Assim, o enunciado, tomado como discurso, ligado à tematização iconográfica,
degenera em efeitos ideológicos dos mais variados matizes. Os efeitos ideológicos
desencadeados nessa leitura é constituído discursivamente como transposição de formas
materiais em outras, ou seja, como simulação em que os sentidos são projetados em
outros. Esses efeitos ideológicos são interpretados através de aspectos históricos,
apagando-se a materialidade das condições de produção dos sentidos. Os efeitos
ideológicos surgem, pois, do encontro simbólico com o imaginário uma vez que a
ideologia não é, mas o mecanismo de produzir aquilo que é.
Os sentidos chegam e se deslocam, tomam formas na história de suas
formulações até chegarem ao efeito desejado. No enunciado em questão, podemos
apreciar o trajeto pelo qual o sentido se instala, precisamente, migrando para a
consensualidade da população sul-mato-grossense, tornando-se senso-comum.
O enunciado “Mato Grosso do Sul – Estado do Pantanal” aparece
materializado num hexagrama, constituído no Yin-Yang, emergindo esse enunciado
num efeito de sentido. Segundo Chevalier & Gheerbrant (2000, p. 968) “o Yin e o
Yang, embora representam dois contrários, jamais se opõem de modo absoluto, pois
entre eles há um período de rotação que permite uma continuidade”, o que permite-nos
atribuir uma construção de sentido que, em relação ao discurso veiculado pelo
enunciado e, levando em conta o que já foi dito sobre o mesmo Mato Grosso do Sul e
Estado do Pantanal não se opõem, mas pressupõe uma continuidade, tudo tem a ver com
os dois simultaneamente. Ainda para os autores: “a unidade se polariza” (idem)
evocando respectivamente a unidade e a dualidade.
Sendo o Yin e Yang expresso através de um círculo dividido em duas metades
iguais por uma linha sinuosa, é possível observar que o comprimento da separação
mediana é igual à da semi-circunferência exterior; que o encontro de cada metade Yin e
Yang é, portanto, igual ao perímetro total da figura. A metade Yin contém um ponto
Yang e a metade de Yang um ponto Yin, sinal de interdependência das duas
determinações – Mato Grosso do Sul no Pantanal e vice-versa. Assim, Yin e Yang são a
análise e a imagem das representações espaço-temporais. Para Chevalier & Gheerbrant
“trata-se, originalmente, da encosta sombria e da encosta ensolarada de um vale [...]
designam o aspecto obscuro e o aspecto luminoso de todas as coisas.
As cores originais do Yin e Yang são preto e branco. Observa-se uma alteração
na cor utilizada pelo sujeito do discurso ao utilizar-se do verde-branco e o azul. Ao
utilizar-se da cor azul, temos aí, também, um efeito de construção de sentido, pois para
Chavalier & Gheerbrant (idem, p. 107) “o azul é a mais profunda das cores: nele, o
olhar mergulha sem encontrar qualquer obstáculo, perdendo-se até o infinito [...] a cor
azul suaviza as formas, abrindo-as e desfazendo-as”. Estrategicamente reelaborado, o
texto imagético em análise sugestiona, com todos os efeitos que dele depreendem, “o
inacessível, embora tão próximo” (idem). O pensamento consciente, nesse momento,
vai pouco a pouco cedendo lugar ao inconsciente. Parafraseando Chevalier e
Gheerbrant, o azul é o útero e “pode até mesmo significar o cúmulo da passividade e da
renúncia” (idem, p. 108).
A linguagem, às vezes, vive situações diversas: tensas, dilacerantes, misteriosas,
mágicas, reveladoras. É como se nada pudesse dar conta do desconhecido, do
inesperado. Os silêncios povoam e o mistério da palavra esconde-se tanto no autor
quanto no leitor, da mesma forma que no texto e na história, permitindo muitos jogos de
linguagens, desdobrando-se em signos, ícones, símbolos - simulacros. Às vezes
aparecem sem sentidos, vazias, em metáforas, conceitos e figuras, mas sempre
precisando de um referente. Elas não existem em si, como se fossem auto-suficientes,
mas se constituem na trama das relações sociais, às vezes explícitas, outras vezes
transparentes ou implícitas. Está lá, no contraponto das relações, sob todas as formas,
nas formas de sociedade e nos jogos das forças sociais e por estar aí, nessa relação, elas
são histórico-sociais: trabalho e cultura e adquirem um nome, um sujeito, um sentido,
um movimento, um significado. Podemos observar na análise empreendida que a mera
estrutura lingüística “Mato Grosso do Sul – Estado do Pantanal” representa essa
dimensão discursivo-narrativa, saindo dos estritos limites da frase para adquirir um
status histórico-social, um sujeito, um sentido, um movimento e um significado.
Os sentidos de um ‘gesto de leitura’ são sempre reatualizados pelos leitoresautores
históricos, por isso as considerações finais não chegam a concluir, fechar a
análise, nem se esgotar, tendo em vista que nossa análise se produziu por discursos
fragmentados de um todo que nunca se pode mostrar completamente, porque a
identidade não é, mas está sendo.
Verificamos, nos discursos, as estratégias discursivas utilizadas para a (re)
inscrição de tantos sentido, cruzando acontecimento com estrutura, deslocamento, (re)
configuração, observamos como o Estado se utiliza dos Aparelhos Ideológicos, a mídia
em especial, e se firma enquanto sujeito que pode enunciar, em face de sua posição de
vanguarda, ocupando uma posição institucional, produzindo discursos eivados de
ideologia, que, ao se inscreverem no “fio do discurso”, estabelece, estrategicamente,
uma relação discursiva com o enunciado “Mato Grosso do Sul – Estado do
Pantanal”, o que qualifica o discurso como positivo, geográfico e ecologicamente
correto, dando-lhe sustentação e justificativa para legitimar a prática do próprio Estado.
Essa produção de sentidos pode ser lida a partir da própria instalação do
Governo Popular de Mato Grosso do Sul, instituído por Zeca do PT – José Orcírio dos
Santos-, a partir de 1998, cuja proposta de “modernização do Estado” se inicia por
romper com a tradição oligárquica na política estadual seguida da implantação de “um
novo tempo pra Mato Grosso do Sul”. Essa proposta de “modernização” conjuga em
seu projeto determinações políticas e históricas que, para torná-la visível, é preciso
observá-lo, indiretamente, por métodos discursivos: históricos, críticos, desconstrutivos.
Assim, a implantação de placas indicativas gigantes instaladas nas
rodovias estaduais, congregando em seu designe a inscrição “Mato Grosso do Sul –
Estado do Pantanal” e os discursos que lhes sustentam, re-significados em “bichos do
Pantanal” inseridos nos canteiros centrais das cidades sul-mato-grossenses, somando-se
a isso os discursos pró Estado do Pantanal ou o contra-discurso dessa mesma
discursividade presente na mídia, permite-nos produzir efeitos de sentido pelos muitos
modos de construção da significação que a própria discursividade conduz-nos ao
trabalharmos com os entremeios, os reflexos indiretos, os efeitos e construção de
sentidos.
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TIERRA, Pedro. Pantanal: a emergência do novo (artigo). Revista Teoria e debate n.
43. jan. e março/2000, de 31/03/2000, disponível em ≤http:/ /www2.fpa.org.br/portal≥
acesso em 10.05.2008.
construção dos sentidos”
Anailton de Souza Gama (UEMS, CPTL-UFMS)1
“A vida, essa busca de sentido”
A. J. Greimas
Resumo:
Em relação às teorias do discurso e do texto, cinco têm sido as orientações teóricas
mais praticadas no Brasil: a Análise do Discurso de linha francesa, a Análise do
Discurso de extração anglo-saxã, também chamada de ADC (Análise do Discurso
Crítica), a Lingüística Textual e a Semiótica Narrativa e Discursiva, também de origem
francesa. Não pretendemos aqui estabelecer as diferenças entre as distintas teorias
discursivas e textuais, mas buscar estabelecer, de maneira prática, o percurso de uma
delas: a Semiótica Narrativa e Discursiva, elaborada por Algirdas Julian Greimas,
aplicando-a na análise da iconografia representativa sul-mato-grossense, buscando
estabelecer um significado para os signos implantados no Estado de Mato Grosso do Sul
a partir do Governo Popular de Zeca do PT, em 1998, relacionando esses signos ao
processo de construção de identidade sul-mato-grossense. Convém assinalar que o fazer
teórico da semiótica é aspectualizado imperfectivamente, o que significa que não
constitui ela uma teoria pronta e acabada, mas um projeto, um percurso e, por isso, está
a todo momento repensando-se, modificando-se, refazendo-se, corrigindo-se. Dessa
forma, analisamos na iconografia representativa sul-mato-grossense, através de algumas
pistas de análise, possíveis pela levantamento dos campos lexicais e semânticos, da
coerência narrativa e do percurso gerativo de sentido todo o processo
narrativo\discursivo e figurativo da construção dos actantes e suas ações. Verifica-se
que a iconografia representativa nos remete a comportamentos, verdades, realidades,
ideologias, intencionalidades, enfim, aspectos que nos evidenciam modalizações desses
sujeitos de estado no que tange ao ser e fazer, que constituem a complexidade
enunciativa, mesmo parcialmente observada, do objeto em questão.
Palavras-chave: Semiótica; projeto iconográfico sul-mato-grossense; identidade;
construção de sentido.
Sobre a Semiótica
A Semiótica é uma linha de pesquisa em lingüística que valoriza uma análise
levando em consideração os aspectos internos e externos e o estudo da linguagem como
um conjunto que envolve tanto a organização estrutural, seus procedimentos e
mecanismos, buscando estudar o texto na sua acepção mais abrangente, global, ou seja,
tudo que tem um sentido; sendo seu campo de atuação a significação, procura descrever
o que “o texto diz e como faz para dizer o que diz”. A Semiótica corresponde a uma
1 Mestre em Letras – Estudos Lingüísticos pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Campus
de Três Lagoas. Professor da UEMS – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
teoria de análise lingüística, cujos princípios fundadores da vertente francesa estão em
Greimas, que desenvolveu suas teorias embasadas, primeiramente, em Ferdinand de
Saussure, o qual parte do princípio de que o estudo da língua deve buscar a
cientificidade, as regras, pois o sentido existe porque há o sistema, o que levou o mesmo
a se ater extremamente às regras e seu estudo científico, deixando os usos, não porque
os desconhecia, mas porque cabia a seus interesses estudar o sistema.
O sentido está no texto, em sua ambivalência lingüística, o estudo da linguagem
reconstrói suas regras de funcionamento, seus procedimentos, suas redes de
dependência interna.
A partir de Saussure temos a dicotomia de significante – que corresponde à
imagem acústica - e significado, que corresponde ao conceito, à representação do
objeto, sendo ambos indissociáveis. Para a semiótica, essa dicotomia embasa o fato de
que a linguagem constrói o real e que isso se dá de diversas formas tendo em vista que a
categorização do “real” é recortada, construída conforme a situação. Dessa forma, como
somente existe signo se houver significante e significado, o sentido ou interpretação só
se dá com base na relação estabelecida entre os enunciados.
No que se refere à Semiótica tem-se para cada categoria de base fundamental
várias categorias narrativas, ou seja, várias formas de dizer o que se diz, conforme a
intencionalidade do enunciador, o que vai determinar a ação manipuladora. Essas duas
partes - significante e significado - são inseparáveis, e cada uma vale ou é, tendo em
vista o que o outro não é, ou seja, a noção de valor que se estabelece na relação com as
demais partes do texto ou peças do jogo. Isso se confirma aludindo ao eixo sintagmático
e ao paradigmático da linguagem, outra dicotomia saussuriana.
No âmbito das influências de Saussure para a Semiótica temos de convir,
primeiramente que, quanto ao nível fundamental e ao nível narrativo ambos se
diferenciam, embora o sentido se dê pela relação entre os percursos. Outra influência
relevante se evidencia através da noção de valor elaborada por Ferdinand de Saussure
que preconiza que “vale menos a matéria fônica do que o que há ao seu redor” (1995, p.
198), fator que nos fornece subsídios para entender melhor a valorização por parte da
Semiótica, dada durante algum tempo ao plano de conteúdo, tendo em vista que o
sentido de uma peça conta mais que sua matéria.
Outra contribuição relevante para os estudos greimasianos pode ser encontrada
em Hjelmslev, lingüista dinamarquês, seguidor de Saussure e fundador da
Glossemática. Quanto às contribuições de Hjelmslev nos estudos de Greimas, podemos
mencionar o fato de ter destacado no campo dos estudos da linguagem o que era objeto
de estudo da lingüística, o signo, e o que era objeto de estudo da semiótica, qualquer
sistema de signos (imagens, gestos, vestuários, ritos, etc). Também advém de Hjelmslev
o desenvolvimento dos conceitos de forma e substância da língua e da fala,
mencionando existir uma forma e uma substância para a expressão, bem como uma
forma e uma substância para o conteúdo, o que fornece o pontapé inicial para os
estudos de alguns ramos da lingüística, a exemplo de fonética e fonologia e porque não,
da semiótica, tendo em vista a importância da materialidade lingüística.
Outra influência de Greimas para a teoria semiótica está em Vladimir Propp,
estruturalista russo que estudou os componentes básicos do enredo dos contos. De
Propp, Greimas torna mais operacional o mapeamento estrutural comum a uma
diversidade de textos, bem como o reconhecimento da existência de níveis de
manifestação, princípios fundadores, tanto dos conceitos do nível narrativo, quanto da
existência dos vários níveis textuais, o fundamental, o narrativo e o discursivo na teoria
semiótica francesa.
Por fim, temos a influência de Levi Strauss, antropólogo estruturalista, o qual
destaca a existência de uma analogia entre linguagem e cultura e uma ênfase nos
estudos, levando em consideração a relação entre os termos e as leis gerais do sistema.
Para ele e dele vem a concepção de que a significação está atrelada ao nosso meio e, a
partir disso, os enunciadores buscam impor suas visões da realidade através dos textos
como apreensão do significado.
Segundo Greimas ( 1976, p. 237-9), a semiótica francesa, embora não ignore que
o texto seja um objeto histórico, dá ênfase ao conceito de texto como objeto de
significação de uma forma sincrônica, preocupando-se fundamentalmente em estudar
os mecanismos que engendram o texto, que o constituem como uma totalidade de
sentido. A semiótica preocupa-se em estudar a produção e a interpretação dos textos,
teoria sintagmática, interessando-se por qualquer tipo de texto. Há um conteúdo em
diferentes formas de expressão, uma vez que o mesmo conteúdo pode ser veiculado por
diferentes planos de expressão, uma teoria geral de textos quer visualmente,
verbalmente, por combinações de planos de expressão-sincrético (visual, verbal, etc).
Preocupando-se com os sentidos do texto, em primeiro lugar, procura levantar o
percurso gerativo de sentido, observando os mecanismos e procedimentos do plano de
conteúdo, os quais se dividem, conforme Barros (2003, p. 188) em 03 (três) etapas, as
quais buscamos elencá-las aqui.
Sua primeira parte referente ao plano de conteúdo diz respeito ao nível
fundamental, ou categorias de base, abstrata. Trata-se de categorias semânticas que se
opõem e que a partir dessa relação de oposição, de contrariedade, os sentidos se
estabelecem significativamente, dando sustentabilidade à noção onde:
[...] o mecanismo lingüístico gira em torno de identidades e diferenças, pois
tudo que um elemento discursivo é, ele o é em relação a todos os demais.
Assim, elemento nenhum, numa mensagem, existe sozinho; e elemento
nenhum pode ser definido por sua natureza, isoladamente, mas sempre e só
por referência a outro elemento qualquer da mesma formação constroem uma
relação de sentido. (LOPES, 1997, p. 35)
Ou, na teoria Semiótica:
No nível mais abstrato e simples, o das estruturas fundamentais, os sentidos
do texto são entendidos como uma categoria ou oposição semântica, cujos
termos são determinados pelas relações sensoriais do ser vivo com esses
conteúdos e considerados atraentes ou eufóricos e repulsivos ou disfóricos;
negados ou afirmados por operações de uma sintaxe elementar; representados
e visualizados por meio de um modelo lógico de relações denominado
quadrado semiótico. (BARROS, 2003, p.189).
A identidade se faz pela diferença, ou melhor, o sentido está na relação entre
dois termos que se diferem; sendo assim, a existência de um termo só se faz presente
tendo em vista a existência de um outro elemento no mundo natural que contenha
características não contidas no elemento A e que por isso mesmo pode ser concebido
como B.
No que diz respeito à segunda etapa do percurso gerativo de sentidos, fazendo
uma alusão a Barros (2003), temos a conversão do nível fundamental ao narrativo em
que o enunciador organiza a narrativa do ponto de vista de um sujeito, do nível abstrato
para o concreto, digamos que ele dá uma roupagem à categoria de base por meio de um
sujeito que realiza operações, através de transformações tendo em vista a busca de
objetos que podem transformar o sujeito, através dos valores desses objetos conferidos
ao sujeito. Por outro lado os sujeitos podem se encontrar em uma situação de euforia ou
disforia, ou seja, de busca ou de relaxamento em relação ao objeto pretendido por ele.
Essa busca por valores se dá tendo em vista os cerceamentos de um destinador
manipulador o qual leva o sujeito a agir para obter determinado objeto/valor, a fim de
que esse sujeito seja aceito na sociedade.
O terceiro nível, o discursivo, corresponde a uma série de “escolhas”, de pessoa,
de tempo e de espaço, de concretização do discurso, temática ou figurativamente, que o
sujeito da enunciação faz na e mediante a enunciação a fim de persuadir, manipular o
enunciatário, provocar a ilusão de verdade, de proximidade, distanciamento,
objetividade, subjetividade.
O sujeito da enunciação faz uma série de escolhas de pessoa, tempo, espaço, de
figuras e “conta” ou passa a narrativa, transformando-a em discurso [...] a narrativa
enriquecida por todas essas opções do sujeito da enunciação, que marcam os
diferentes modos pelos quais a enunciado se relaciona com o discurso que enuncia.
( BARROS, 1990, p.53).
Para Barros (idem), o nível discursivo é um modo de manifestação de um sujeito
que constrói seu objeto discursivo, com vista a atingir um certo fim.
No que se refere à terminologia “teoria gerativa dos sentidos”, nível do
conteúdo, segundo Fiorin (2002), essa denominação “gerativa” é atribuída à teoria
semiótica porque concebe o processo de produção de sentido como um processo
gerativo que vai, conforme exposto anteriormente, do mais abstrato, simples: nível ou
estrutura fundamental, passando pelo narrativo (todo texto é narrativo já que contém
uma transformação de um estado inicial a outro, seja ele de disjunção ou de conjunção),
até o mais complexo e concreto de enriquecimento semântico – nível ou estrutura
discursiva.
Embora a Semiótica tenha se desenvolvido valorizando o plano de conteúdo
como o lugar privilegiado, um programa de televisão, rádio, jornal impresso, ao
conceber, selecionar um plano de expressão e não outro acrescenta, tira, atribui aspectos
que vão influir como algo a mais no sentido. Assim, o pesquisador deve buscar saber o
que é esse algo a mais de sentido sem prescindir ao plano de conteúdo.
Essas formações discursivas, manifestação, concretização das formações
ideológicas, são, conforme Foucault (apud Discini, (2005, p. 60) um conjunto de regras
anônimas, históricas, sempre determinadas no tempo e no espaço que definiram em uma
época dada, e para uma área social, econômica, geográfica ou lingüística dada as
condições de exercício da função enunciativa, as quais materializam uma ideologia,
visão de mundo como estratégia de persuasão, que está alicerçada e renovada nos
conflitos de poder entre segmentos sociais, sistema de representações, de normas de
regras e preceitos que explica a realidade e regula o comportamento dos homens,
criados por uma ideologia dominante e sustentados pelos aparelhos repressores do
Estado. Assim, o nível fundamental está para “pontos de vista de uma classe social a
respeito da realidade, as maneiras como uma classe ordena, justifica e explica a ordem
social” (BARROS, 1990, p. 67). Se as formações ideológicas, conforme Discini, (2005)
correspondem à ideologia dominante e, a partir do texto, da palavra, o sujeito se
constrói, a imposição de uma forma de representação identitária outra, pode consistir
em outro sistema de representação e de valores que se contrapõem, pois toda essa
situação de relação entre sujeitos configura-se como uma relação destinadordestinatário,
sendo que o sujeito que doa os valores modais (que modalizam, que
marcam o modo de ser) é o destinador e o sujeito que os recebe é o destinatário, que,
por sua vez, vai colocar-se como sujeito da ação. Em Semiótica, toda comunicação é
uma manipulação. Então, entre o destinador e destinatário, temos um percurso de
manipulação (de ação). O papel do destinador é factivo: fazer-fazer, antes fazer- ser. É
próprio do destinador exercer um fazer persuasivo, assim como é próprio do destinatário
exercer um fazer interpretativo. O fazer persuasivo é a proposição de um contrato, que,
no caso, implica um novo modo de ser
O fazer persuasivo não é construído, no caso em questão, pelo próprio sul-matogrossense,
muito menos para o sul-mato-grossense, mas tem o sul-mato-grossense como
uma construção que visa objetivos decorrentes de uma ideologia, de um sistema de
valores que, a partir da organização da materialidade lingüística gerativa de sentido,
constrói uma realidade que pode não ser compactuada pelo sul-mato-grossense, pois,
alguém fala por ele, ou melhor, alguém constrói sua identidade, conforme os ideais de
uma sociedade e para uma sociedade.
Do ponto de vista da relação entre enunciador e enunciatário, pretende-se
analisar, aqui, nos termos do conceito de “contrato fiduciário” a relação de
confiança\confidência que o enunciador-destinador – o Estado – procura estabelecer
com o enunciatário-destinatário – o povo. Convém mencionar que o texto\enunciado,
nosso objeto de análise foi produzido e implantado no Governo Popular de Zeca do PT.
O sentido é entendido na semiótica greimasiana como advindo da
descontinuidade, da ruptura, da percepção da diferença, ou seja, o mundo natural é visto
como uma continuidade que o mundo humano rompe a fim de criar sentido.
Greimas (1976) afirma que o sujeito da enunciação “produz” um discurso que
manifesta o efeito de sentido de “verdade”. Faz-se presente aqui a manipulação do
enunciatário pelo enunciador: sendo a verdade um efeito de sentido (um parecer
verdadeiro), sua produção advém de uma ação de “fazer parecer verdadeiro”, isto é, do
emprego pelo enunciador de recursos que levem a verossimilhança do discurso a ser
aceita pelo enunciatário como verdadeiro, a partir do acordo tácito, “em confiança”, que
se instaura entre eles no discurso.
Para Pietroforte & Lopes (2003, p. 116-7):
A verdade é sempre uma construção de homens e que por isso é necessário
acolher seu caráter múltiplo, problemático, variável em função dos pontos de
vistas humanos. Alguma garantia de verdade, quando se admita, será
decorrente não uma objetividade invariável e absoluta, mas de uma assunção
intersubjetiva, que é por vocação algo mais cambiante, mais instável e sujeito à
controvérsias. Todo consenso é provisório.
Assim, a Semiótica se preocupa com a significação dos textos vendo a verdade
como uma construção, não se preocupando com o ato de criação “real”, as ‘reais
intenções’, a ‘produção real’. Se atém nos efeitos que essa produção deixa apreender.
Greimas (1997), mostra a paradoxal situação do homem diante do sentido,
condenado ao sentido, ele nunca o alcança em sua totalidade, isto é, a verdade só está ao
seu alcance enquanto simulacro da verdade. A verossimilhança é um “parecer
adequado” ao referente em que o enunciador busca a adesão do enunciatário, que só
ocorre se os sentidos instaurados corresponderem à expectativa deste último, tal como
representa para si mesmo o enunciador e com base no qual ele procura manipulá-lo.
Assim, o simulacro da verdade se constrói, principalmente, a partir da representação que
o enunciador faz do enunciatário. A preocupação da semiótica é mostrar como a idéia
vai se construindo no interior do texto, dando um simulacro metodológico, pois cada
texto constrói sua verdade, e é isso o que deve ser objeto de investigação da semiótica e
não decidir sobre a natureza última do real.
Em relação à manipulação há dois grandes tipos: a que produz uma
“camuflagem subjetivante”, isto é, a que destaca as marcas da enunciação e o
enunciador; e a que produz uma “camuflagem objetivante”: a que oculta as marcas da
enunciação, que nem por isso deixam de estar presentes. No nosso objeto de análise
temos uma “camuflagem objetivante” em que ocultam-se as marcas da enunciação,
apagando os complementos necessários para a literalidade do texto e o sujeito que
enuncia.
Para Greimas (1997, p. 143) “a comunicação da verdade repousa na estrutura de
troca que lhe é subjacente”, isto é, na interação entre os protagonistas do discurso. O
fazer persuasivo do enunciador (que busca a adesão) e o fazer interpretativo do
enunciatário (que pode ou não aderir). Greimas recusa a idéia de transmissão e recepção
de mensagens, propondo o exercício do fazer persuasivo (fazer-crer), no plano do
enunciador e, no plano do enunciatário, o fazer interpretativo (crer ou não) que é a
transformação de um estado de crença em outro. Para Greimas a interpretação envolve
tanto o reconhecimento como a identificação, sendo a “verdade” reconhecida mediante
uma operação de comparação entre o que é “proposto” pelo enunciador e aquilo em que
o enunciatário já acreditava. Assim, no plano enunciativo há o controle da adequação do
novo e desconhecido ao antigo e conhecido, adequação que pode ser aceita ou rejeitada.
O plano enunciativo é caracterizado não como uma simples afirmação, mas
como solicitação de consenso, de contrato, entre enunciador e enunciatário. A
manipulação pode ser realizada de três formas distintas: a) segundo o querer, por
tentação e sedução; b) segundo o poder, por ameaça e provocação e c) segundo o saber,
em que a ‘natureza dos fatos’ é apresentada na forma de argumentações lógicas,
oferecendo-se à interpretação do sujeito como uma proposição da razão: o enunciador
convoca procedimentos de manipulação segundo o saber para convencer o enunciatário,
apelando às “razões” do próprio enunciatário. Trata-se de convencê-lo. O plano
enunciativo ocupa o centro do ato discursivo: o enunciatário tem papel vital no
funcionamento do discurso.
Um ponto primordial da análise narrativa e discursiva é o reconhecimento dos
procedimentos de obtenção de efeitos de sentido, procedimentos que variam entre as
culturas, os grupos e as ideologias. No nível discursivo, o actante parte da sintaxe
definida pelos papéis que engloba, transforma-se, a partir da recepção de investimentos
semânticos, temáticos e\ou figurativos, em ator – termo utilizado na AD para designar
os locutores e interlocultores, externos ao ato de linguagem, que estão implicados na
troca comunicativa.
De posse do dispositivo conceitual aqui esboçado, é tempo de focalizar o
material a ser analisado. Sendo nosso objetivo descrever a construção de sentido,
tomamos a Semiótica como teoria, que é parte de uma ciência maior, a Lingüística, na
busca do significado e das ideologias presentes na iconografia representativa sul-matogrossense.
A imagem evocada em que se lê “Mato Grosso do Sul – Estado do Pantanal”,
com uma moldura verde, traz ao centro, a inscrição em letras brancas, sendo que o nome
Mato Grosso do Sul aparece em letras maiores do que o termo complementar Estado
do Pantanal. O sentido se constrói, na produção de seu efeito filiado em redes de
memória, ocultando, pelo seu efeito, do sujeito que enuncia; enunciado sem sujeito,
efeito de sentido produzido: aspecto que oculta a questão política. Se na política as
conquistas são efeitos e conseqüências das disputas de interesses, elas são aquilo que se
constituem na própria disputa, ou seja, elas são conseqüências de estratégias bem
sucedidas.
Ao se considerar o enunciado como um todo, há uma demanda de construção de
sentido de transferência de denominação: do nome de Estado de Mato Grosso do Sul
para o nome de Estado do Pantanal, fato que pode ser constatado se levarmos em
conta a rede discursiva, filiado em redes de memória em torno da questão: a produção
em série da ‘bicharada de cimento’ espalhada pelos canteiros centrais das cidades sulmato-
grossenses. Soma-se a isso as palavras de Pedro Tierra (2000) em que se lê “como
no Mato Grosso do Sul, que Zeca do PT prefere chamar de estado do Pantanal e abre
agora uma campanha popular com vistas a um plebiscito para mudar o nome”.
O efeito de distanciamento e ocultação do sujeito político promove uma
significação em torno das cores usadas, que correspondem às cores da bandeira do
Estado de Mato Grosso do Sul e ao mesmo tempo remete ao verde do pantanal e seu
céu. Pode-se observar na própria constituição do enunciado, a inscrição na parte
superior Mato Grosso do Sul e na parte inferior Estado do Pantanal como a indicar
um período de transição, ainda se levarmos em conta a rede discursiva vide textos
imagéticos representativos, esta articulação adquire maior construção de sentido, isto é,
representa mais discursivamente. A inscrição Estado do Pantanal representa não
apenas o “novo” gentílico, mas sobretudo a vitória do sujeito que enuncia pela liderança
política que representa. No entanto, a conquista desse “novo” gentílico acaba sendo uma
conquista político-mercadológica se, também, levarmos em conta a rede discursiva de
que se reveste o debate: globalização, neoliberalismo, mídia, nacionalismo, pósmodernismo,
onde estão inscritos outros discursos como: projeção nacional do Estado
do Pantanal, tendo em vista que o nome Pantanal já é marca conhecida mundialmente e
que muito bem traduz a vocação do Estado para o Ecoturismo, “Santuário Ecológico do
mundo”, “Patrimônio Natural da Humanidade”.
O enunciado, tal como evocado, com fundo verde e escritos branco parece
significar a própria amplidão do Pantanal: o vazio verde delineado pelo espaço escrito,
significando a justificativa para esse embate ideológico. A substituição do gentílico
parece se justificar pela amplitude que é o Pantanal e pela sua importância turística que
representa para o mundo: o enunciado, tal como evocado, é uma forma de se firmar,
reivindicar adesão. Também, se a cor verde pode representar o “santuário ecológico”, o
branco pode significar a paz, calma. Assim, o que causa um efeito de sentido na
categoria cromática da placa indicativa é a alusão aos elementos do Pantanal: a
amplitude das planícies, a paz, a calma, etc. criando uma outra filiação nas redes de
memória. O texto é significativo pelo jogo de sentidos, que permite desdobramentos e
possibilidades de serem outros, mas não qualquer outro, pois não há sentido livre de
filiações históricas.
Para Chevalier & Gheerbrant (2000, p. 42) o branco “[...] absoluto[...] é a cor do
candidato, i.e., daquele que vai mudar de condição...” O branco é um valor-limite, assim
como as duas extremidades da linha infinita do horizonte. É uma cor de passagem
produzindo em nossa alma “o mesmo efeito do silêncio” (idem) absoluto. Esse silêncio
não está morto, pois transborda de possibilidades vivas... É um nada, um nada anterior
a todo nascimento, anterior a todo começo. Aplicado ao nosso objeto de análise
percebe-se que a seleção dos recursos para a produção dos discursos não é aleatória,
mas sustentada numa construção de sentido que justifica a escolha desse tipo de recurso
e não outro, no caso a cor branca com que é grafado o enunciado “Mato Grosso do Sul
– Estado do Pantanal”. Ainda para Chevalier & Gheerbrant (idem) (no branco) “ali
está o interdito, suspenso na brancura côncava e passiva”. O branco é símbolo da
afirmação, de responsabilidades assumidas, de poderes tomados e reconhecidos, de
renascimento realizado; enfim, “é a cor da pureza a manifestar que alguma coisa acaba
de ser assumida” . É uma cor neutra, passiva, mostrando que nada foi realizado ainda.
Em relação ao verde, ainda de acordo com Chevalier & Gheerbrant (2000, p.
939), a sua “profundidade dá uma impressão de repouso terreno e de contentamento
consigo mesmo [...] é uma cor tranqüilizadora, refrescante, humana [...] a cor verde leva
ao Complexo de Édipo, ao culto do refúgio materno: o homem volta para a mãe como
para um oásis, é o porto da paz”. Não é de se estranhar que o sujeito do discurso tenha
optado por esta cor na produção discursiva como forma de assinalar o desejo do
homem no retorno ao Éden, ao lugar onírico, à casa, ao refúgio materno, tendo o
Pantanal como metáfora deste lugar, devendo o mesmo ser entrevisto como uma
representação além do tempo e do espaço, onde o leitor desse texto imagético identifica
o seu próprio universo, encontrando a sua própria imagem especular, ou arquétipos que
sustentam a sua identificação com o enunciado. Assim, o Pantanal torna-se espelho
para o cidadão sul-mato-grossense e para o outro (o de fora, incluindo aí o matogrossense)
englobando-os, tornando o nenhum-lugar capaz de desvelar o conhecimento
sobre o todo-lugar.
Importa observar também quais eram as formas de representação identitárias do\
no Mato Grosso do Sul, seja na música, nos costumes, na alimentação, na indumentária,
etc. passando por várias configurações e rupturas de sentido, marcadas pela tensão dos
sentidos até a configuração desse enunciado “Mato Grosso do Sul – Estado do
Pantanal”. Importa observar que é um processo de constituição tenso, onde algumas
formas de representação identitária do\no Mato Grosso do Sul são anuladas, deslocadas,
silenciadas, outras se transformam e\ou são apagadas. Todo sentido está em relação
com outros sentidos e, todo sentido do\no enunciado é, em algum aspecto, sentido de
um discurso.
Assim, o enunciado, tal como evocado, possui uma estética que é, ao mesmo
tempo, política e mercadológica: política por estar imbuído de uma ideologia – tornar
conhecida uma marca, mercadológica porque preocupada em “vender um gentílico” e
de pretender enunciar para o outro, o de fora. O enunciado Mato Grosso do Sul e a
incorporação da expressão Estado do Pantanal representa a explicitação da filiação em
redes de memória de um projeto mais amplo, político e ideológico.
Importante se faz, também, lembrar, que o ano de 1998 constitui-se a grande
virada da esquerda no Mato Grosso do Sul e em outros estados da federação. Na arena
dos embates políticos-ideológicos, pode-se considerar que não é qualquer enunciado
que se constitui em acontecimento, ou, dito de outra forma, não é qualquer enunciado
que consegue se inscrever com tamanha força, o que constitui um fato positivo.
Também é oportuno assinalar que os textos imagéticos, a ‘bicharada de
cimento’ ocupando os canteiros centrais das cidades do estado de Mato Grosso do Sul
constituem num embelezamento estético indiscutível. O que antes era uma paisagem
nua, agora é enfeitada com requintes de arte, além das transformações dos
convencionais orelhões telefônicos em objeto de arte que embebesse o olhar tanto nosso
como do outro.
Assim, pode-se resumir a história a partir dos seguintes fatos, de acordo com o
Jornal virtual Campo Grande On-line, na sessão Polêmica: a) a proposta de mudar o
nome de Mato Grosso do Sul para Estado do Pantanal surge com Zeca do PT, tendo em
vista que nos 20 anos o nome Mato Grosso do Sul não se firmou, o que constitui a razão
das inúmeras confusões ainda feitas por personalidades, políticos e jornalistas sobre os
dois territórios federais: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Importante assinalar que
ninguém confunde Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul, nem o Estado do
Tocantins com Goiás, estados desmembrados mais recentemente. A proposta foi
encampada enfaticamente pelo governador Zeca do PT logo após a sua posse. Em
pouco tempo se percebeu que quanto mais à idéia era colocada como proposta de
governo, ou como briga pessoal do governador, mais aumentava a sua rejeição, assim
foi criada a Liga Pró Estado do Pantanal, que se propõe organizar a mobilização da
sociedade civil em favor da mudança. b) Os defensores da idéia entendem-na justa a
reivindicação de alteração do gentílico, já que dois terços do Pantanal estão em Mato
Grosso do Sul; e boa parte dessa confusão poderia ter sido evitada se, na época do
desmembramento, o velho Mato Grosso tivesse concordado em se chamar Mato Grosso
do Norte, c) Há quem considere absurdo abrir mão do nome Mato Grosso, que ‘nos dá
identidade’, mesmo sendo o apêndice: do Sul. Para esses, um bom trabalho de
publicidade pode superar as confusões a nível nacional, e que não é justo impor a todo o
Estado o nome de Pantanal, culturalmente restrito a uma região específica e, d) outros
entendem que a idéia pode até ter cabimento, mas que foi colocada em hora errada ou
de forma equivocada. Consideram autoritária a atitude do governo, de adotar o slogan
“Estado do Pantanal” na publicidade oficial antes de uma ampla e democrática consulta
à população. Há quem veja nisso uma auto-promoção do governo.
Assim, o enunciador – Estado - cumpre o papel de destinador-manipulador, a
quem cabe a responsabilidade pelos valores do discurso e que é capaz de levar o
enunciatário – povo - a crer e a fazer. Esse fazer persuasivo é o que leva, no discurso e
pelo discurso, à realização do fazer manipulador - Estado. O modelo greimasiano
permite uma apreensão aprofundada da maneira como a relação proposta pelo
enunciador-destinador ao enunciatário-destinatário serve de espinha dorsal à construção
dos sentidos nos discursos.
Nível Fundamental
Como oposição de base temos campo versus cidade, ou conforme o quadrado
greimasiano:
Campo------------------------------------------------------Cidade
euforia disforia
relaxamento tensão
não cidade--------------------------------------------------não campo
Não-disforia não-euforia
Distensão retensão
Os termos Campo e Cidade são termos contrários, opositivos, cujos sentidos se
estabelecem passando de situação de relaxamento para uma situação de tensão, num
processo que vai para uma atitude de retensão e euforia. A partir daí, há uma atitude de
tensão, ou de disforia em relação à cidade, que se configura para o destinatário como
um aspecto negativo, o que provoca uma atitude de não disforia, em busca de
argumentos que levem à recuperação do status de cultura inferior, partindo para a
cultura não inferior.
Nível Narrativo
Para o texto iconográfico acima temos, no plano narrativo, a presença de um
sujeito manipulador que procura manipular os enunciatários a crer no fato de que o
nome Estado do Pantanal é o que melhor representa este território, tendo em vista que
tal gentílico, além de diferenciar do outro, o Estado de Mato Grosso, ainda nos
representa culturalmente. Dessa forma, numa oposição que estabelece o sentido, adquire
os valores de ecológico, natural ou rural. Estratégia adotada a partir do momento em
que se utilizam de expressões do tipo: “Mato Grosso do Sul – Estado do Pantanal”.
Ou melhor, temos aqui a presença de um sujeito-manipulador – Estado - que busca um
interlocutor - o povo sul-mato-grossense - como uma voz oculta que se institui a fim de
tornar o enunciado mais objetivo, mostrando que há um sujeito destinador manipulador
responsável pelas ações, o qual nos manipula em relação ao pré-construído. Temos um
Sujeito politizado que busca um objeto – a adesão do povo à sua causa, a fim de
adquirir um valor – reconhecimento como ser superior, reconhecimento de liderança
política, capaz de convencer o povo.
Um sujeito – o povo - que está em disjunção com o objeto natureza e que, por
esse motivo, é submetido a uma avalanche de signos e símbolos eivados de significado
e ideologia. Esses signos e símbolos representam um ideário instaurado pelo destinadormanipulador.
Em um segundo percurso narrativo tem um sujeito – o Estado - numa situação
de tensão, que busca poder-fazer e crê-saber- fazer através da insistência de sínteses
imagéticas narrativas e culturais reivindicar uma identidade para o jovem Estado de
Mato Grosso do Sul. Sujeito – Estado - busca no objeto – esculturas ecológicas -
valores para a representação da identidade, sufocada por fatores
políticos\geográficos\sociais. Esses objetos – via “bicharada no cimento”, placas
indicativas podem ser considerados como um objeto de combate à falta de identidade
tida pelo sujeito destinador. Um enunciador que tenta convencer o enunciatário, através
da iconografia representativa, por meio da imposição de uma cultura estilizada que não
dá conta de representar-nos em todos os aspectos. Assim, podemos dizer que o percurso
narrativo se configura da seguinte forma:
PN1. [ S1 ® O1 – POVO ® Troca de Denominação]
em que se lê: Plano Narrativo 1 = [Sujeito 1 – Estado, busca através do Objeto (O1) a
adesão do POVO para a Troca de denominação].
Um sujeito – Estado - que busca o objeto através da iconografia representativa – a
adesão do povo - e através de um insistente retorno dessas sínteses narrativas procura
alcançar o valor – a troca do gentílico.
Em outras palavras há uma narrativa (percurso narrativo) que se constrói sob a
ótica do Estado com o intuito de depreciar as formas de representação identitária do
povo sul-mato-grossense, a fim de provar, através da sua voz instaurada na narrativa por
meio de um sujeito não identificado, uma estratégia interdiscursiva, a incorporação do
discurso figurativo ou temático do discurso do “pantanal”, presente nos textos em
análise. O enunciador instaura um narrador e um narratário não identificados e que pode
ser qualquer um, a fim de manipular o interlocutor através da provocação e da
persuasão, numa disforia do povo para alcançar a euforia do “pantanal” e dar uma
identidade a este povo, ou seja, a procura do valor “pantanal” se dá através da negação
no outro em relação aos aspectos identitários, uma identidade que se constrói pela
diferença, conforme Lopes (1997).
Quanto ao plano narrativo 2, temos:
PN2. [S1® O1 – sem identidade (povo) ® S2.® V ( Identidade)
Um sujeito – povo - que busca um objeto - uma identidade - presente nas
manifestações culturais\sociais\artísticas\folclóricas, a fim de atingir, pôr o sujeito
Estado numa situação de disforia e adquirir a identidade, ou melhor, um resgate da
identidade, através das vozes que se fazem ouvir categoricamente, que falam por ele.
Nesse percurso provoca-se uma crítica implícita quando, por meio de uma
intencionalidade marcada pela expressão “Mato Grosso do Sul – Estado do
Pantanal”, a qual provoca o sentido contrário, aquele que quer se identificar como sulmato-
grossense não tem o poder para o ser. Não é. Há implícita uma negação de Estado
do Pantanal através do plano narrativo 2 ( PN2) e uma afirmação da transformação do
Estado de Mato Grosso do Sul para Estado do Pantanal ao mencionar tal enunciado que
o sujeito Estado acredita ter o poder fazer, através do objeto – iconografia
representativa, a fim de alcançar os valores – uma forma de representação identitária.
Nível Discursivo (Categoria de Pessoa)
No que se refere à última etapa do percurso gerativo do sentido em que à
narrativa são dados um ou vários sujeitos, um tempo, um espaço, objetos, destinadores,
investimentos semânticos, o enunciador instaura a voz, mas a instaura de modo que o
enunciatário é qualquer um, aquele que repete o enunciado numa heterogeneidade
implícita remetendo ao discurso do “santuário ecológico do mundo”, numa perspectiva
de adesão. Faz uso da heterogeneidade constituída, ao não mencionar o sujeito, que
pode ser qualquer um ou todos e apagar os complementos tornando o texto não literal, o
que marca mais objetivamente o enunciado, a voz que não tem dono como uma forma
de elevar à categoria de “verdade” de todos os que o enunciam,.
Há a presença da voz do enunciador – que a partir da leitura do enunciado
pode ser qualquer um ou todos -, o qual atua como um mediador entre as partes,
deixando claro o peso das representações identitárias, oscilando entre Mato Grosso do
Sul e Estado do Pantanal, alguns, inclusive até reivindicam sua identidade sufocada, ou
que permanece sufocada, até mesmo pelo fato de ao povo não ser dada a palavra. Há
quem fale por ele, defenda suas causas, mas não é dada a voz a ele a fim de que fale, o
que se percebe é uma construção que embora em prol de um ideal, marca uma certa
tensão, um tom de generalidade, de que em qualquer lugar deste Estado será pantanal;
do enunciador em relação à adesão da sua causa na defesa de sua valorização e resgate
da identidade. Embora o enunciador busque o narrador para apresentar o discurso
daqueles que se dizem sul-mato-grossenses, e busque também a voz dos que lutam
pelas causas identitárias, enquanto a primeira se apresenta, embora de forma
silenciosa, de modo a reproduzir as manifestações culturais e identitárias, a última se
apresenta através de outras vozes que não são as legitimas e que também não
apresentam nenhuma pista acerca dessas representações, além de estar na contramão
desse discurso, até reivindicam sua identidade como sul-mato-grossense, numa
indefinição, o que pode criar um simulacro da ausência de argumentos acerca das
ofensivas realizadas.
Categoria de Tempo
Quanto ao aspecto temporalização, podemos dizer que nos textos imagéticos é
marcante a presença do presente histórico, a fim de marcar uma verdade incontestável
para os acontecimentos, uma proximidade com a enunciação, o que vem reafirmado
com a relação sincrética dos textos com as fotos de animais e aves do pantanal em
requintes de arte estilizadas,
Categoria de Espaço
No que se refere ao aspecto espacialização, temos os canteiros centrais das
cidades e entradas das principais cidades do Estado de Mato Grosso do Sul, local de
maior importância ou máxima valorização espacial, sem contar com o fato de que as
imagens se fazem presentes também nos ônibus que saem\partem\cruzam o Estado de
Mato Grosso do Sul, na mídia televisiva, nos canteiros em residências, nos cartazes de
divulgação do Estado, etc.
Tematização e Figurativização
Quanto às formas, temos as categorias semânticas que são disseminadas, de
modo abstrato em tematização e de modo concreto, figurativização; podemos dizer que
o texto imagético faz uso de estruturas temáticas e figurativas. Temáticas na medida em
que menciona abertamente a posição do Estado em relação às formas de representação
identitárias. Figurativo na medida em que faz uso das imagens, da apresentação do
discurso imagético acerca das formas de representação e da atitude de resistência e\ou
apoio dos adeptos das causas identitárias, no que se refere a esta forma de
representação.
Por meio dessa observação, percebe-se que o texto faz uso mais do nível
figurativo que do temático, o que nos leva a crer numa tentativa de nos remeter ao
mundo perceptível, pois os textos figurativos servem para que o enunciador faça crer
que um pedaço da realidade que ele recortou é a própria realidade criando um efeito de
objetividade. O que nos permite, então, dizer que o enunciador busca a adesão do
enunciatário para o embate de aspectos identitários e culturais e a manipulação sofrida
pelo povo em razão do embate ideológico que se trava nesse campo.
Plano de Expressão
Partindo para o plano de expressão, as várias formas, suporte ou o semisimbolismo,
cuja mudança muda o sentido ou o plano do conteúdo, podemos começar
pela tipografia do título do enunciado, as quais são negritadas, o que denota um tom de
peso, sugestivo; ou pela posição, ou aspecto topológico, aquela que diz respeito a
posição que ocupa o enunciado aludindo-nos a uma noção de mais ou menos valor.
Dessa forma, embora esse enunciado esteja nas principais rodovias de entradas das
principais cidades do Mato Grosso do Sul e a ‘bicharada de cimento’ esteja nos
canteiros principais das cidades sul-mato-grosssenses, encontra-se, ainda, nos principais
eventos do Estado patrocinados pelo mesmo, como se a cultura estivesse numa relação
de mercado, no jogo entre o que vale menos e o que vale mais na cultura ocidental, ou
como se a identidade estivesse perdendo seu valor, o que fica evidente com a expressão
“Mato Grosso do Sul – Estado do Pantanal”: em letras grossas, marcando a “nova”
identidade, estratégias estas dignas de reconhecimento, cuja intencionalidade é
promover a tensão e chamar a atenção. Arrebatamento e sustentação.
A análise se concentra na compreensão do enunciado que resume, de certo
modo, a iconografia representativa sul-mato-grossense: “Mato Grosso do Sul – Estado
do Pantanal”. Formulado a partir do Governo Popular de Zeca do PT, esse enunciado
trás outras formulações, entre as quais, o “vender um gentílico”. Assim, objetiva-se a
compreensão do processo de significação instaurado por esse enunciado. É importante
observar sua historicidade, ou seus diferentes modos de formulações nos diferentes
textos para apreender sua discursividade. Vale lembrar que esse enunciado se inscreve
na ordem do discurso com a ascensão de Zeca do PT ao governo do estado, instaurando
o Governo Popular de Mato Grosso do Sul, fazendo parte, assim, das relações de forças
e de sentidos que a partir dele se delineiam.
Com a particularidade do seu gênero – placas gigantes sobre as rodovias – ele se
mantém visível, disponível para leitura dos sul-mato-grossenses e do outro, o de fora
que aqui chega. Sua leitura se constitui já em uma “obrigação” aos cidadãos deste ou de
outro lugar. A leitura do enunciado já produz, em si, esse lugar do cidadão sul-matogrossense
– Estado do Pantanal – não de qualquer modo, mas ritualizado e, ao mesmo
tempo, devido às condições de produção, ao seu modo particular de significar.
Assim, o enunciado, tomado como discurso, ligado à tematização iconográfica,
degenera em efeitos ideológicos dos mais variados matizes. Os efeitos ideológicos
desencadeados nessa leitura é constituído discursivamente como transposição de formas
materiais em outras, ou seja, como simulação em que os sentidos são projetados em
outros. Esses efeitos ideológicos são interpretados através de aspectos históricos,
apagando-se a materialidade das condições de produção dos sentidos. Os efeitos
ideológicos surgem, pois, do encontro simbólico com o imaginário uma vez que a
ideologia não é, mas o mecanismo de produzir aquilo que é.
Os sentidos chegam e se deslocam, tomam formas na história de suas
formulações até chegarem ao efeito desejado. No enunciado em questão, podemos
apreciar o trajeto pelo qual o sentido se instala, precisamente, migrando para a
consensualidade da população sul-mato-grossense, tornando-se senso-comum.
O enunciado “Mato Grosso do Sul – Estado do Pantanal” aparece
materializado num hexagrama, constituído no Yin-Yang, emergindo esse enunciado
num efeito de sentido. Segundo Chevalier & Gheerbrant (2000, p. 968) “o Yin e o
Yang, embora representam dois contrários, jamais se opõem de modo absoluto, pois
entre eles há um período de rotação que permite uma continuidade”, o que permite-nos
atribuir uma construção de sentido que, em relação ao discurso veiculado pelo
enunciado e, levando em conta o que já foi dito sobre o mesmo Mato Grosso do Sul e
Estado do Pantanal não se opõem, mas pressupõe uma continuidade, tudo tem a ver com
os dois simultaneamente. Ainda para os autores: “a unidade se polariza” (idem)
evocando respectivamente a unidade e a dualidade.
Sendo o Yin e Yang expresso através de um círculo dividido em duas metades
iguais por uma linha sinuosa, é possível observar que o comprimento da separação
mediana é igual à da semi-circunferência exterior; que o encontro de cada metade Yin e
Yang é, portanto, igual ao perímetro total da figura. A metade Yin contém um ponto
Yang e a metade de Yang um ponto Yin, sinal de interdependência das duas
determinações – Mato Grosso do Sul no Pantanal e vice-versa. Assim, Yin e Yang são a
análise e a imagem das representações espaço-temporais. Para Chevalier & Gheerbrant
“trata-se, originalmente, da encosta sombria e da encosta ensolarada de um vale [...]
designam o aspecto obscuro e o aspecto luminoso de todas as coisas.
As cores originais do Yin e Yang são preto e branco. Observa-se uma alteração
na cor utilizada pelo sujeito do discurso ao utilizar-se do verde-branco e o azul. Ao
utilizar-se da cor azul, temos aí, também, um efeito de construção de sentido, pois para
Chavalier & Gheerbrant (idem, p. 107) “o azul é a mais profunda das cores: nele, o
olhar mergulha sem encontrar qualquer obstáculo, perdendo-se até o infinito [...] a cor
azul suaviza as formas, abrindo-as e desfazendo-as”. Estrategicamente reelaborado, o
texto imagético em análise sugestiona, com todos os efeitos que dele depreendem, “o
inacessível, embora tão próximo” (idem). O pensamento consciente, nesse momento,
vai pouco a pouco cedendo lugar ao inconsciente. Parafraseando Chevalier e
Gheerbrant, o azul é o útero e “pode até mesmo significar o cúmulo da passividade e da
renúncia” (idem, p. 108).
A linguagem, às vezes, vive situações diversas: tensas, dilacerantes, misteriosas,
mágicas, reveladoras. É como se nada pudesse dar conta do desconhecido, do
inesperado. Os silêncios povoam e o mistério da palavra esconde-se tanto no autor
quanto no leitor, da mesma forma que no texto e na história, permitindo muitos jogos de
linguagens, desdobrando-se em signos, ícones, símbolos - simulacros. Às vezes
aparecem sem sentidos, vazias, em metáforas, conceitos e figuras, mas sempre
precisando de um referente. Elas não existem em si, como se fossem auto-suficientes,
mas se constituem na trama das relações sociais, às vezes explícitas, outras vezes
transparentes ou implícitas. Está lá, no contraponto das relações, sob todas as formas,
nas formas de sociedade e nos jogos das forças sociais e por estar aí, nessa relação, elas
são histórico-sociais: trabalho e cultura e adquirem um nome, um sujeito, um sentido,
um movimento, um significado. Podemos observar na análise empreendida que a mera
estrutura lingüística “Mato Grosso do Sul – Estado do Pantanal” representa essa
dimensão discursivo-narrativa, saindo dos estritos limites da frase para adquirir um
status histórico-social, um sujeito, um sentido, um movimento e um significado.
Os sentidos de um ‘gesto de leitura’ são sempre reatualizados pelos leitoresautores
históricos, por isso as considerações finais não chegam a concluir, fechar a
análise, nem se esgotar, tendo em vista que nossa análise se produziu por discursos
fragmentados de um todo que nunca se pode mostrar completamente, porque a
identidade não é, mas está sendo.
Verificamos, nos discursos, as estratégias discursivas utilizadas para a (re)
inscrição de tantos sentido, cruzando acontecimento com estrutura, deslocamento, (re)
configuração, observamos como o Estado se utiliza dos Aparelhos Ideológicos, a mídia
em especial, e se firma enquanto sujeito que pode enunciar, em face de sua posição de
vanguarda, ocupando uma posição institucional, produzindo discursos eivados de
ideologia, que, ao se inscreverem no “fio do discurso”, estabelece, estrategicamente,
uma relação discursiva com o enunciado “Mato Grosso do Sul – Estado do
Pantanal”, o que qualifica o discurso como positivo, geográfico e ecologicamente
correto, dando-lhe sustentação e justificativa para legitimar a prática do próprio Estado.
Essa produção de sentidos pode ser lida a partir da própria instalação do
Governo Popular de Mato Grosso do Sul, instituído por Zeca do PT – José Orcírio dos
Santos-, a partir de 1998, cuja proposta de “modernização do Estado” se inicia por
romper com a tradição oligárquica na política estadual seguida da implantação de “um
novo tempo pra Mato Grosso do Sul”. Essa proposta de “modernização” conjuga em
seu projeto determinações políticas e históricas que, para torná-la visível, é preciso
observá-lo, indiretamente, por métodos discursivos: históricos, críticos, desconstrutivos.
Assim, a implantação de placas indicativas gigantes instaladas nas
rodovias estaduais, congregando em seu designe a inscrição “Mato Grosso do Sul –
Estado do Pantanal” e os discursos que lhes sustentam, re-significados em “bichos do
Pantanal” inseridos nos canteiros centrais das cidades sul-mato-grossenses, somando-se
a isso os discursos pró Estado do Pantanal ou o contra-discurso dessa mesma
discursividade presente na mídia, permite-nos produzir efeitos de sentido pelos muitos
modos de construção da significação que a própria discursividade conduz-nos ao
trabalharmos com os entremeios, os reflexos indiretos, os efeitos e construção de
sentidos.
BIBLIOGRAFIA
BARROS, Diana Luz Pessoa de. Teoria do discurso: fundamentos semióticos. São
Paulo. Atual. 2003.
_______ . Teoria Semiótica do Texto. São Paulo. Ática. 1990.
CAMPO GRANDE NEWS
CHEVALIER, J. & GHEERBRANT, A. Dicionário de símbolos. 15 ed. José Olympio
Editora. Rio de Janeiro. 2000.
DISCINI, Norma. O estilo nos textos. São Paulo. Contexto. 2003.
GREIMAS, A. J. Dicionário de semiótica. São Paulo. Cultrix. 1976.
LOPES, Edward. Saussure e Greimas. In: OLIVEIRA, A.C. & LANDOWSKI, E. (eds).
Do inteligível ao sensível. Em torno da obra de Algirdas Julien Greimas. São Paulo.
EDUC. 1995.
FIORIN, José Luiz. As astúcias da enunciação: as categorias de pessoa, espaço e tempo.
São Paulo. Ática. 2002.
PIETROFORTE, Antonio Vicente. A língua como objeto da lingüística. In: Introdução
à SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de lingüística geral. Cultrix. São Paulo. 1995.
TIERRA, Pedro. Pantanal: a emergência do novo (artigo). Revista Teoria e debate n.
43. jan. e março/2000, de 31/03/2000, disponível em ≤http:/ /www2.fpa.org.br/portal≥
acesso em 10.05.2008.
Estado do Pantanal
por Alex Furtado
Estado de Bonito? Estado de Campo Grande?
Obviamente a Campanha para a importante mudança de nome do Estado do Mato Grosso "do Sul" (nome que nunca teve sucesso) para o nome estratégico de "Estado do Pantanal" está sendo corrompida mais uma vez por pessoas sem conhecimento ou então que devem, no mínimo, torcer pelo sucesso de outros estados e não do nosso.
É obvio que a mudança do nome de nosso estado para "Estado do Pantanal" será a maior ação de marketing estratégico já feito por um estado. O nome Pantanal vale trilhões de dólares e a possibilidade de termos este nome no nosso estado é grande, mas a possibilidade de nossos governantes pensarem desta forma não é.
Já ouvi conversas absurdas dentro de círculos de deputados, de prefeitos e etc. Fundamento estratégico parece não existir na cabeça política partidária. O fato é que uma mudança destas acarretaria em mais verbas para o estado e mais dinheiro para todos – inclusive para a classe político partidária.
Acordem e rápido, pois, com a velocidade de tartaruga e com estratégias mal definidas já perdemos muito. Sejamos agora ágeis como onças. Atenham-se a quem é contra a mudança e por quê. Atenham-se aos que tentam inventar outros nomes para estar no palanque e dissolver o que está nascendo novamente.
Prestem atenção no momento e não hesitem ao chegarem para você dono do "Refrigeréco Mirinda Limão" e proporem te darem o nome de "Coca-Cola" com autorização da marca.
Os nomes Coca-Cola e Google valem milhões, assim como o nome Pantanal vale, a única diferença é que o nome Coca Cola e Google tem dono. Mas o nome Pantanal podemos nos dar de presente. Ainda estamos em dúvida se aceitamos ou não?
Cuidado, pois, a maioria dos que não aceitam o nome "Estado do Pantanal" são mato grossenses, alguns nascidos no sul, mas, ainda com a alma do norte - os verdadeiros sul mato grossenses que nasceram após a divisão do estado querem mudança, são jovens e pensam no futuro.
Senhores abram a cabeça, desçam do palanque, sejam jovens e tenham maior percepção. Com a mudança de nome não ganharemos somente identidade, ganharemos mais dinheiro, muito mais dinheiro, o que gera empregos, o que gera educação, o que gera cultura e até o que gera mais palanques.
Bem-vindos ao "Estado do Pantanal", pois, o Mato Grosso do Sul para o resto do mundo nada mais é do que aquele pedacinho mal batizado que nos impuseram o nome para ser o "vice-Mato Grosso".
Vamos acordar e enxergar, pois, disso depende o destino deste estado rico e fantástico que, ao mudar de nome, valerá o quanto pesa e deixará de ser o vice.
Alex Furtado é diretor-presidente da Agência Ar, presidente do Comtur de Miranda, e presidente do Fórum Estadual de Turismo do Mato Grosso do Sul
Fonte: http://www.sistemaodia.com/blogs/estado-do-pantanal-em-lugar-de-mato-grosso-do-sul-47333.html
por Alex Furtado
Estado de Bonito? Estado de Campo Grande?
Obviamente a Campanha para a importante mudança de nome do Estado do Mato Grosso "do Sul" (nome que nunca teve sucesso) para o nome estratégico de "Estado do Pantanal" está sendo corrompida mais uma vez por pessoas sem conhecimento ou então que devem, no mínimo, torcer pelo sucesso de outros estados e não do nosso.
É obvio que a mudança do nome de nosso estado para "Estado do Pantanal" será a maior ação de marketing estratégico já feito por um estado. O nome Pantanal vale trilhões de dólares e a possibilidade de termos este nome no nosso estado é grande, mas a possibilidade de nossos governantes pensarem desta forma não é.
Já ouvi conversas absurdas dentro de círculos de deputados, de prefeitos e etc. Fundamento estratégico parece não existir na cabeça política partidária. O fato é que uma mudança destas acarretaria em mais verbas para o estado e mais dinheiro para todos – inclusive para a classe político partidária.
Acordem e rápido, pois, com a velocidade de tartaruga e com estratégias mal definidas já perdemos muito. Sejamos agora ágeis como onças. Atenham-se a quem é contra a mudança e por quê. Atenham-se aos que tentam inventar outros nomes para estar no palanque e dissolver o que está nascendo novamente.
Prestem atenção no momento e não hesitem ao chegarem para você dono do "Refrigeréco Mirinda Limão" e proporem te darem o nome de "Coca-Cola" com autorização da marca.
Os nomes Coca-Cola e Google valem milhões, assim como o nome Pantanal vale, a única diferença é que o nome Coca Cola e Google tem dono. Mas o nome Pantanal podemos nos dar de presente. Ainda estamos em dúvida se aceitamos ou não?
Cuidado, pois, a maioria dos que não aceitam o nome "Estado do Pantanal" são mato grossenses, alguns nascidos no sul, mas, ainda com a alma do norte - os verdadeiros sul mato grossenses que nasceram após a divisão do estado querem mudança, são jovens e pensam no futuro.
Senhores abram a cabeça, desçam do palanque, sejam jovens e tenham maior percepção. Com a mudança de nome não ganharemos somente identidade, ganharemos mais dinheiro, muito mais dinheiro, o que gera empregos, o que gera educação, o que gera cultura e até o que gera mais palanques.
Bem-vindos ao "Estado do Pantanal", pois, o Mato Grosso do Sul para o resto do mundo nada mais é do que aquele pedacinho mal batizado que nos impuseram o nome para ser o "vice-Mato Grosso".
Vamos acordar e enxergar, pois, disso depende o destino deste estado rico e fantástico que, ao mudar de nome, valerá o quanto pesa e deixará de ser o vice.
Alex Furtado é diretor-presidente da Agência Ar, presidente do Comtur de Miranda, e presidente do Fórum Estadual de Turismo do Mato Grosso do Sul
Fonte: http://www.sistemaodia.com/blogs/estado-do-pantanal-em-lugar-de-mato-grosso-do-sul-47333.html
sábado, 18 de julho de 2009
Cuiabá quer a marca PANTANAL. Nós vamos dar de mão-beijada? O artigo abaixo foi publicado antes de se conhecer oficialmente as sub-sedes da Copa de 2014.
COPA 2014
A Copa do Pantanal é de Mato Grosso
BLAIRO MAGGI
Governador do Estado de Mato Grosso
(http://www.seder.mt.gov.br/html/ind_modelo.php?CX=noticia_miolo&codigoNoticia=2042&f_assunto=0&f_data=0)
Neste domingo às 14h30m a Fifa vai anunciar oficialmente as sedes da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Tudo indica favoravelmente que Cuiabá será anunciada como uma das sedes. Nesse caso, a escolha não terá sido por acaso. Terá sido fruto de um longo trabalho iniciado ainda em 2006. Se, eventualmente, a escolha não for decidida em favor de Cuiabá, não nos sentiremos culpados, porque lutamos e fizemos todo o dever de casa que podíamos ter feito. Como Deus ajuda a quem madruga, a nossa fé é que Cuiabá será escolhida.
Gostaria de lembrar que em 2006 recebemos o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para inspecionar o estádio Verdão, em Cuiabá. Em seguida, entregamos à CBF a nossa proposta e projetos de obras em estádios, em infraestrutura geral e turística para disputarmos a escolha de Cuiabá como sede. Em 2007 defendemos no Rio de Janeiro a candidatura de Cuiabá junto ao Comitê Executivo da Fifa e reafirmamos a nossa disposição em readequar e remodelar o estádio Verdão, nos propondo a reconstruí-lo. Por fim, em outubro de 2007, estivemos em Zurique, na Suíça, quando a Fifa oficializou o Brasil como país-sede da Copa do Mundo de 2014. Pessoalmente, defendi na presença do presidente Lula, que o Pantanal Mato-grossense tivesse uma das 12 sedes da Copa de 2014. Embora o Pantanal seja comum a Mato Grosso e a Mato Grosso do Sul, obviamente, minha defesa era inteiramente direcionada para Cuiabá.
Fora essas ações junto à CBF e à Fifa, tomamos uma série de outras medidas importantes que impressionaram muito bem a direção da CBF e da Fifa. Por exemplo, imediatamente contratamos uma empresa especializada em grandes eventos de futebol para começar a planejar tudo o que pudesse ser necessário para o caso de Cuiabá ser a cidade do Pantanal escolhida. Preparamos 26 projetos de infra-estrutura que vão da remodelação do estádio Verdão, até projetos de infra-estrutura de tráfego, hospitalares, de preparação de recursos humanos, de visão completa sobre o turismo, e uma série imensa de outras ações que já foram ou que serão divulgadas a partir de segunda-feira próxima. Nesse intervalo, mantivemos entendimentos muito próximos com as nossas bancadas parlamentares estadual e federal, no sentido de mobilizar articulação e comprometimento com projetos e com alocação de recursos financeiros necessários às obras. Criamos um fundo que já acumula recursos disponíveis para as primeiras atitudes.
Mato Grosso se preparou com cuidado, com organização, com planejamento e sem agressividade pensando em todo o potencial econômico, turístico, ambiental e, especialmente, o capital humano de Cuiabá e de todos os habitantes do Estado.
Tenho a absoluta convicção de que fizemos tudo que estava ao nosso alcance para convencer a CBF primeiro, e depois a Fifa, de que Cuiabá deve ser a sede da Copa do Pantanal. Embora a sede seja em Cuiabá, a Copa é de Mato Grosso, porque a escolha terá sido baseada em todos os potenciais de nosso Estado.
Daqui para a frente, depois de segunda-feira, começaremos um intenso ritmo de ações para ganharmos tempo e transformarmos Cuiabá numa das mais festivas e eficientes sedes da Copa do Mundo de 2014 na capital e nas cidades do seu entorno. Teremos como ganho ao final da Copa, uma série de equipamentos sociais como um grande complexo esportivo e de eventos no lugar do atual Verdão, capaz de atrair investimentos esportivos e de negócios futuros de todo o país e do mundo. Teremos uma grande reordenação viária e urbanística de Cuiabá, de Várzea Grande e dos municípios vizinhos. Teremos, também, conquistado definitivamente o título de Estado do Pantanal. Aliás, o Pantanal é a terceira marca turística mais lembrada no mundo. Isso representa a possibilidade infinita de eventos futuros debaixo da marca Pantanal. Teremos, seguramente, um aeroporto completamente readequado e modernizado, através da Infraero, e o governo federal deverá anunciar o PAC do Copa do Mundo, que contemplará as sedes dos jogos com programas de investimentos capazes de mudar. Da parte do Governo de Mato Grosso faremos todo o possível para que o Brasil e o mundo não se decepcionem conosco.
Seguramente, o turismo será um dos mais beneficiados durante e depois da Copa, com melhor infra-estrutura hoteleira, de acessos rodoviários, de novos pontos atrativos de turistas e com uma oferta de recursos humanos bem preparados para o turismo que, de outro modo, levaria muito tempo para ser alcançada.
Amanhã, será o Dia D. Escolhidos, todos devemos ir para as ruas festejar a nossa vitória. Certamente, o futuro de Cuiabá e de Mato Grosso serão profundamente transformados positivamente para o futuro. Vamos festejar, rir, cantar, comemorar e nos preparar para a festa da Copa. Aliás, a alma mato-grossense sempre foi festeira. Agora, mais do que nunca, com um motivo como esse que acontece no máximo uma vez em cada século!
* BLAIRO MAGGI é governador de Mato Grosso
COPA 2014
A Copa do Pantanal é de Mato Grosso
BLAIRO MAGGI
Governador do Estado de Mato Grosso
(http://www.seder.mt.gov.br/html/ind_modelo.php?CX=noticia_miolo&codigoNoticia=2042&f_assunto=0&f_data=0)
Neste domingo às 14h30m a Fifa vai anunciar oficialmente as sedes da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Tudo indica favoravelmente que Cuiabá será anunciada como uma das sedes. Nesse caso, a escolha não terá sido por acaso. Terá sido fruto de um longo trabalho iniciado ainda em 2006. Se, eventualmente, a escolha não for decidida em favor de Cuiabá, não nos sentiremos culpados, porque lutamos e fizemos todo o dever de casa que podíamos ter feito. Como Deus ajuda a quem madruga, a nossa fé é que Cuiabá será escolhida.
Gostaria de lembrar que em 2006 recebemos o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para inspecionar o estádio Verdão, em Cuiabá. Em seguida, entregamos à CBF a nossa proposta e projetos de obras em estádios, em infraestrutura geral e turística para disputarmos a escolha de Cuiabá como sede. Em 2007 defendemos no Rio de Janeiro a candidatura de Cuiabá junto ao Comitê Executivo da Fifa e reafirmamos a nossa disposição em readequar e remodelar o estádio Verdão, nos propondo a reconstruí-lo. Por fim, em outubro de 2007, estivemos em Zurique, na Suíça, quando a Fifa oficializou o Brasil como país-sede da Copa do Mundo de 2014. Pessoalmente, defendi na presença do presidente Lula, que o Pantanal Mato-grossense tivesse uma das 12 sedes da Copa de 2014. Embora o Pantanal seja comum a Mato Grosso e a Mato Grosso do Sul, obviamente, minha defesa era inteiramente direcionada para Cuiabá.
Fora essas ações junto à CBF e à Fifa, tomamos uma série de outras medidas importantes que impressionaram muito bem a direção da CBF e da Fifa. Por exemplo, imediatamente contratamos uma empresa especializada em grandes eventos de futebol para começar a planejar tudo o que pudesse ser necessário para o caso de Cuiabá ser a cidade do Pantanal escolhida. Preparamos 26 projetos de infra-estrutura que vão da remodelação do estádio Verdão, até projetos de infra-estrutura de tráfego, hospitalares, de preparação de recursos humanos, de visão completa sobre o turismo, e uma série imensa de outras ações que já foram ou que serão divulgadas a partir de segunda-feira próxima. Nesse intervalo, mantivemos entendimentos muito próximos com as nossas bancadas parlamentares estadual e federal, no sentido de mobilizar articulação e comprometimento com projetos e com alocação de recursos financeiros necessários às obras. Criamos um fundo que já acumula recursos disponíveis para as primeiras atitudes.
Mato Grosso se preparou com cuidado, com organização, com planejamento e sem agressividade pensando em todo o potencial econômico, turístico, ambiental e, especialmente, o capital humano de Cuiabá e de todos os habitantes do Estado.
Tenho a absoluta convicção de que fizemos tudo que estava ao nosso alcance para convencer a CBF primeiro, e depois a Fifa, de que Cuiabá deve ser a sede da Copa do Pantanal. Embora a sede seja em Cuiabá, a Copa é de Mato Grosso, porque a escolha terá sido baseada em todos os potenciais de nosso Estado.
Daqui para a frente, depois de segunda-feira, começaremos um intenso ritmo de ações para ganharmos tempo e transformarmos Cuiabá numa das mais festivas e eficientes sedes da Copa do Mundo de 2014 na capital e nas cidades do seu entorno. Teremos como ganho ao final da Copa, uma série de equipamentos sociais como um grande complexo esportivo e de eventos no lugar do atual Verdão, capaz de atrair investimentos esportivos e de negócios futuros de todo o país e do mundo. Teremos uma grande reordenação viária e urbanística de Cuiabá, de Várzea Grande e dos municípios vizinhos. Teremos, também, conquistado definitivamente o título de Estado do Pantanal. Aliás, o Pantanal é a terceira marca turística mais lembrada no mundo. Isso representa a possibilidade infinita de eventos futuros debaixo da marca Pantanal. Teremos, seguramente, um aeroporto completamente readequado e modernizado, através da Infraero, e o governo federal deverá anunciar o PAC do Copa do Mundo, que contemplará as sedes dos jogos com programas de investimentos capazes de mudar. Da parte do Governo de Mato Grosso faremos todo o possível para que o Brasil e o mundo não se decepcionem conosco.
Seguramente, o turismo será um dos mais beneficiados durante e depois da Copa, com melhor infra-estrutura hoteleira, de acessos rodoviários, de novos pontos atrativos de turistas e com uma oferta de recursos humanos bem preparados para o turismo que, de outro modo, levaria muito tempo para ser alcançada.
Amanhã, será o Dia D. Escolhidos, todos devemos ir para as ruas festejar a nossa vitória. Certamente, o futuro de Cuiabá e de Mato Grosso serão profundamente transformados positivamente para o futuro. Vamos festejar, rir, cantar, comemorar e nos preparar para a festa da Copa. Aliás, a alma mato-grossense sempre foi festeira. Agora, mais do que nunca, com um motivo como esse que acontece no máximo uma vez em cada século!
* BLAIRO MAGGI é governador de Mato Grosso
terça-feira, 14 de julho de 2009
Farias disse...
Caro amigo ñ adianta mudar o nome do Estado, qdo oq deve ser mudado é consciência das pessoas...pois já é sabído q é uma velha batalha, o individualismoo do povo sul-matogrossense, as vastas tentativas de se fazer ser enxergado,e do outro lado o descaso de nossos governantes emñ nos querer enxergar......
Caro amigo ñ adianta mudar o nome do Estado, qdo oq deve ser mudado é consciência das pessoas...pois já é sabído q é uma velha batalha, o individualismoo do povo sul-matogrossense, as vastas tentativas de se fazer ser enxergado,e do outro lado o descaso de nossos governantes emñ nos querer enxergar......
Pantanal, em resposta ao comentário
Meu caro Farias, muito obrigado por participar deste debate. Em verdade o que se quer não é mudar o nome e sim ter um nome, pois o que temos é emprestado de Cuiabá. A batalha é realmente muito grande, mas gostamos dos desafios. Foi assim na divisão do Estado e não será diferente com o Estado do Pantanal. Os governantes não são culpados porque nos chamam de Mato Grosso. O problema é que não há nome (de estado, cidade ou gente) com mais de três palavras, que não seja abreviado. Rio Grande do Sul é Rio Grande e Mato Grosso do Sul será sempre chamado de Mato Grosso. Se você não se importa de ser matogrossense e não se estressa quando alguém se dirige a Mato Grosso do Sul apenas por Mato Grosso, então não há porque torcer pelo Estado do Pantanal. Agora, se como eu, você se preocupa com este lance de identificação, então está na hora de fazer parte deste movimento. Ou aceitamos o Mato Grosso numa boa ou adotamos o Estado do Pantanal, para nunca mais sermos confundidos com o Estado vizinho.
domingo, 12 de julho de 2009
Senadora admite dificuldade em emplacar Mato Grosso do Sul
Trecho de discurso da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) em defesa da Copa em Campo Grande. Fevereiro de 2009 DIÁRIO DO SENADO FEDERAL Quarta-feira 18 02015
(http://www.senado.gov.br/sf/publicacoes/diarios/pdf/sf/2009/02/17022009/02015.pdf)
O Paraguai é muito importante para nós
na luta que estamos para fazer a fim de que o nosso
Estado tome uma outra dimensão. E dizer então ao
povo brasileiro por que estamos lutando tanto pela
Copa. Só por isso? Não; mais do que isso. Chegou o
momento, depois da divisão do Estado de Mato Grosso,
criando o Mato Grosso do Sul, que nós sentimos
que não tínhamos tanta identidade, a dificuldade de
nos firmarmos como Estado, com uma identidade que
não era aquela que nós queríamos, o povo brasileiro
não vendo ainda Mato Grosso do Sul, tendo mesmo
dificuldade de dizer até o nome. Qualquer um nos
chamava de Mato Grosso. As pessoas têm dificuldade
em lembrar que existe um Estado chamado Mato
Grosso do Sul, e as pessoas falam Mato Grosso. Hoje
mesmo, nesta tribuna, um Senador falou Mato Grosso
e nós corrigimos: Mato Grosso do Sul.
Até, Senador Mão Santa, pensou-se em trocar
o nome do Estado; substituir o nosso Mato Grosso do
Sul pelo Estado do Pantanal, pela dificuldade das pessoas
em lembrar qual era o nosso nome. Por isto nós
queremos também a Copa: para garantir que o nome
do nosso Estado seja um nome falado não só em Mato
Grosso do Sul mas no Brasil e no mundo.
(o grifo é nosso)
Trecho de discurso da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) em defesa da Copa em Campo Grande. Fevereiro de 2009 DIÁRIO DO SENADO FEDERAL Quarta-feira 18 02015
(http://www.senado.gov.br/sf/publicacoes/diarios/pdf/sf/2009/02/17022009/02015.pdf)
O Paraguai é muito importante para nós
na luta que estamos para fazer a fim de que o nosso
Estado tome uma outra dimensão. E dizer então ao
povo brasileiro por que estamos lutando tanto pela
Copa. Só por isso? Não; mais do que isso. Chegou o
momento, depois da divisão do Estado de Mato Grosso,
criando o Mato Grosso do Sul, que nós sentimos
que não tínhamos tanta identidade, a dificuldade de
nos firmarmos como Estado, com uma identidade que
não era aquela que nós queríamos, o povo brasileiro
não vendo ainda Mato Grosso do Sul, tendo mesmo
dificuldade de dizer até o nome. Qualquer um nos
chamava de Mato Grosso. As pessoas têm dificuldade
em lembrar que existe um Estado chamado Mato
Grosso do Sul, e as pessoas falam Mato Grosso. Hoje
mesmo, nesta tribuna, um Senador falou Mato Grosso
e nós corrigimos: Mato Grosso do Sul.
Até, Senador Mão Santa, pensou-se em trocar
o nome do Estado; substituir o nosso Mato Grosso do
Sul pelo Estado do Pantanal, pela dificuldade das pessoas
em lembrar qual era o nosso nome. Por isto nós
queremos também a Copa: para garantir que o nome
do nosso Estado seja um nome falado não só em Mato
Grosso do Sul mas no Brasil e no mundo.
(o grifo é nosso)
Leitor se indigna com a escolha de Cuiabá e defende troca de nome do Estado
in Copa 2014 on Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
(http://www.megadebate.com.br/2009/06/leitor-se-indigna-com-escolha-de-cuiaba.html)
A mudança de nome é um sonho antigo dos sul-matogrossenses. Ninguém gosta do nome atrelado ao antigo Mato Grosso, por conta de desavenças históricas.
A primeira tentativa de separação ocorreu na década de 1930, quando o sul se separou do antigo Mato Grosso e passou a se chamar de Estado de Maracaju (nome de uma serra que cruza todo o cenro do estado, de norte a sul, e divide as bacias do Pantanal e do rio Paraná). A divisão acabou com o fim da revolução de 1932.
Depois disso, veio a divisão ofical do final de decada de 1970, com o infeliz nome de Mato Grosso do Sul (não existe um Mato Grosso do Norte).
Assim, a mudança que se avizinha será a terceira, definitiva e completa emancipação da porção sul do antigo estado.
Qual a importância desta mundaça agora, no rastro de escolha de Cuiabá como sede da Copa no Pantanal?
O prejuízo que mais conta não é a perda dos investimentos em infra-estrura e os 4 jogos da Copa, que irão para Cuiabá. O Prejuízo gigantesco virá dos 5 longos anos martelando mundo afora, e também no Brasil, os nomes de Cuiabá e de Mato Grosso associados à palavra Pantanal. O resultado será uma efetiva fixação de Cuiabá como o destino natural para quem queira visitar o Pantanal. Isso configura um prejuízo gigantesco para o turismo no Mato Grosso do Sul, e também uma apropriação indevida do nome Pantanal pela FIFA, pela CBF e por Cuiabá, especialmente quando se leva em consideração que 65% do Pantanal está no Mato Grosso do Sul. É injusto, até porque a FIFA e a CBF são entidades privadas! E elas visam auferir lucros astronômicos com a Copa, obviamente. Assim, o estado do Mato Grosso do Sul é absurdamente prejudicado neste contexto.
A única forma de se balancear este problema é mudando o nome do estado do Mato Grosso do Sul, para Estado do Pantanal.
Fala-se também em ações judiciais para coibir o uso do nome Pantanal pelas entidades promotoras da Copa, ou ressarcimento ao MS na mesma proporção da área que corresponde ao Pantanal em seu território.
A coisa fica ainda mais complicada quando se leva em conta que a FIFA e CBF exigem de forma acintosa investimentos dos governos (leia-se dinheiro público) nas cidades sede da Copa. Quem são estas pessoas que mandam e desmandam aqui nesta terra? quais poderem têm para influenciar destinos de cidades, estados e populações, ao bel prazer dos ventos para eles favoráveis?
O prejuízo para o MS é ainda maior, neste caso. POrtanto é legítima a mudança de nome, na mesma medida em que é ilegítima a escolha de Cuiabá para representar a região na Copa.
Campo Grande é muito melhor preparada para este tipo de evento. É moderna, ampla, limpa, sem favelas, com planejamento eficiente e planos sendo neste momento implantados que a transformarão mais ainda em uma cidade de alta qualidade de vida. Portanto,a escolha de Cuiabá foi feita em outras bases que não os tão falados "critérios técnicos da FIFA".
Em Campo Grande, as 200 mil pessoas que foram às ruas recepcionar o avaliadores da FIFA, recebidos como se fossem reis, sentem-se usadas e enganadas. De boa fé, foram às ruas sem saber que a decisão já havia sido tomada há muito tempo. Isso é hoje óbvio! Denuncias pipocaram sobre a influencia do Ministro Gilmar Mendes junto à FIFA, a ação de deputados de MS na CPI da Bola (os do MT foram majoritariamente contra investigações que envolvem a CBF), e muitas outras coisas suspeitas.
Portanto, VIVA O ESTADO DO PANATANAL!!!!
Esta foi a coisa mais importante conseguida pela FIFA com suas decisões distorcidas, e muita coisa ainda vai acontecer, porque não somos um povo submisso, atrasado ou sem sentimento de orgulho e autoconfiança. Caso contrário, ainda estaríamos sendo espoliados por Cuiabá, fazendo parte do antigo Mato Grosso.
_____
Ocelote Said é leitor do site Mega Debate
in Copa 2014 on Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
(http://www.megadebate.com.br/2009/06/leitor-se-indigna-com-escolha-de-cuiaba.html)
A mudança de nome é um sonho antigo dos sul-matogrossenses. Ninguém gosta do nome atrelado ao antigo Mato Grosso, por conta de desavenças históricas.
A primeira tentativa de separação ocorreu na década de 1930, quando o sul se separou do antigo Mato Grosso e passou a se chamar de Estado de Maracaju (nome de uma serra que cruza todo o cenro do estado, de norte a sul, e divide as bacias do Pantanal e do rio Paraná). A divisão acabou com o fim da revolução de 1932.
Depois disso, veio a divisão ofical do final de decada de 1970, com o infeliz nome de Mato Grosso do Sul (não existe um Mato Grosso do Norte).
Assim, a mudança que se avizinha será a terceira, definitiva e completa emancipação da porção sul do antigo estado.
Qual a importância desta mundaça agora, no rastro de escolha de Cuiabá como sede da Copa no Pantanal?
O prejuízo que mais conta não é a perda dos investimentos em infra-estrura e os 4 jogos da Copa, que irão para Cuiabá. O Prejuízo gigantesco virá dos 5 longos anos martelando mundo afora, e também no Brasil, os nomes de Cuiabá e de Mato Grosso associados à palavra Pantanal. O resultado será uma efetiva fixação de Cuiabá como o destino natural para quem queira visitar o Pantanal. Isso configura um prejuízo gigantesco para o turismo no Mato Grosso do Sul, e também uma apropriação indevida do nome Pantanal pela FIFA, pela CBF e por Cuiabá, especialmente quando se leva em consideração que 65% do Pantanal está no Mato Grosso do Sul. É injusto, até porque a FIFA e a CBF são entidades privadas! E elas visam auferir lucros astronômicos com a Copa, obviamente. Assim, o estado do Mato Grosso do Sul é absurdamente prejudicado neste contexto.
A única forma de se balancear este problema é mudando o nome do estado do Mato Grosso do Sul, para Estado do Pantanal.
Fala-se também em ações judiciais para coibir o uso do nome Pantanal pelas entidades promotoras da Copa, ou ressarcimento ao MS na mesma proporção da área que corresponde ao Pantanal em seu território.
A coisa fica ainda mais complicada quando se leva em conta que a FIFA e CBF exigem de forma acintosa investimentos dos governos (leia-se dinheiro público) nas cidades sede da Copa. Quem são estas pessoas que mandam e desmandam aqui nesta terra? quais poderem têm para influenciar destinos de cidades, estados e populações, ao bel prazer dos ventos para eles favoráveis?
O prejuízo para o MS é ainda maior, neste caso. POrtanto é legítima a mudança de nome, na mesma medida em que é ilegítima a escolha de Cuiabá para representar a região na Copa.
Campo Grande é muito melhor preparada para este tipo de evento. É moderna, ampla, limpa, sem favelas, com planejamento eficiente e planos sendo neste momento implantados que a transformarão mais ainda em uma cidade de alta qualidade de vida. Portanto,a escolha de Cuiabá foi feita em outras bases que não os tão falados "critérios técnicos da FIFA".
Em Campo Grande, as 200 mil pessoas que foram às ruas recepcionar o avaliadores da FIFA, recebidos como se fossem reis, sentem-se usadas e enganadas. De boa fé, foram às ruas sem saber que a decisão já havia sido tomada há muito tempo. Isso é hoje óbvio! Denuncias pipocaram sobre a influencia do Ministro Gilmar Mendes junto à FIFA, a ação de deputados de MS na CPI da Bola (os do MT foram majoritariamente contra investigações que envolvem a CBF), e muitas outras coisas suspeitas.
Portanto, VIVA O ESTADO DO PANATANAL!!!!
Esta foi a coisa mais importante conseguida pela FIFA com suas decisões distorcidas, e muita coisa ainda vai acontecer, porque não somos um povo submisso, atrasado ou sem sentimento de orgulho e autoconfiança. Caso contrário, ainda estaríamos sendo espoliados por Cuiabá, fazendo parte do antigo Mato Grosso.
_____
Ocelote Said é leitor do site Mega Debate
01/11/2003 20h36min
Mato Grosso do Sul, Sul de onde?
(www.radialistasms.org.br/ver_art.php?id=6)
Lizoel Costa
Nasci numa capital onde as ruas correm largas e sossegadas. Sou de uma cidade que nem sempre ostentou esse título nobre, esse porto de referência de um estado. Sou de Campo Grande, pólis nascida ao sul de um dividido estado, território de muitas culturas e guerras, o Mato Grosso uno que forjou homens nobres e bandidos, que engoliu através de guerras injustas, um bom pedaço do território paraguaio. Enfim, sou sul-mato-grossense que já ostentou em outros tempos, nos documentos de cidadão um MT que ficou para trás na divisão do estado em 11 de outubro de 1977. No entanto, continuo me sentindo um cidadão sem identidade cultural. Solenemente o país inteiro continua a ignorar a existência no cenário geopolítico brasileiro de dois "Mato-Grossos".
Já perdi a conta de quantas vezes li e ouvi trocarem o nome do meu estado querido. Enfio meu cérebro numa competentissima paciência, desembainho maliciosamente mais uma mentira diplomática e aguardo a lucidez companheira me salvar de me tornar um cidadão antipático, mas é difícil! E essa história, para nós, já deu frutos perversos. Quantos cidadãos incautos são mandados pelas companhias aéreas, para Cuiabá por conta da ignorância brasileira em relação ao nome do estado? 64 % do Pantanal fica em Mato Grosso do Sul, e os pacotes de viagens internacionais embarcam turistas em peso para Cuiabá.
Evito cair no ranço regionalista de criticar por essa situação ímpar, nossos irmãos cuiabanos (até porque sou neto de um), pois o problema não é deles. Quando um autoritário regime militar dividiu o estado sem consultar todos os interessados (como é de praxe nas ditaduras), os cuiabanos foram mais espertos e ficaram com o antigo nome.
Pois eu digo que sou de um estado que quase não existe no imaginário brasileiro: Mato Grosso do Sul... Sul de onde? Para existir um Sul tem que haver um Norte obviamente. Esse mesmo Norte que deveria ficar registrado no nome do estado irmão e por contingências, conchavos e autoritarismos foi suprimido na calada dos gabinetes de Brasília, nos estertores dos anos de chumbo.
Desde 1999, por conta da chegada do PT ao governo, através da vitória de José Orcírio Miranda, o assunto da mudança do nome do estado ganhou uma certa discussão em várias esferas sociais. Muitos compraram a idéia de se mudar o nome para Estado do Pantanal. Criou-se por aqui, uma Liga Pró-Estado do Pantanal, formado por artistas, empresários, jornalistas e até com a aquiescência do grande poeta Manoel de Barros, nascido em Cuiabá, mas Sul-mato-grossense de criação.
Uns tantos torceram o nariz para a mudança do nome, talvez eivados pelo preconceito de serem chamados de “Pantaneiros”. Outros, apesar de históricos apoiadores da divisão, não concordaram com a brigada da mudança: Não queriam deixar de ser “mato-grossenses”. Um amigo, o médico e jornalista campo-grandense José Palhano, definiu bem essa última situação: “Quando se brigou pela divisão, nós do Sul do Mato Grosso já deveríamos estar preparados para romper com tudo. Mudanças tem que ser radicais, ou então anula-se o papel da divisão e voltamos à situação antiga”.
Pois é... Complementando a idéia do primeiro parágrafo, digo que nasci num estado à procura de identidade, assim como os seis personagens de Pirandello procuram por um autor. Noites e dias pelas ruas e estradas do estado, vivemos a mocidade, maturidade e a grande experiência da velhice, procurando não fazer parte de canções esquecidas, brigando contra os parasitas da saudade, tecendo o nosso tempo e procurando não cair na vala comum das bolas em escanteio.
Somos sul-mato-grossenses, somos brasileiros e orgulhosos de nossa origem como qualquer outro compatriota. Não somos uma metáfora escancarada de uma divisão, que, apesar de necessária, feita na meia-luz dos gabinetes do círculo de amigos de El-Rei. Somos um estado exuberante, onde a flora e a fauna estão entre as mais ricas do planeta. Temos tudo a oferecer aos irmãos brasileiros e estrangeiros. Só queremos ter um nome próprio, e deixar de ser eternos confundidos.
Lizoel Costa – Jornalista, músico ex-integrante da banda paulistana Língua de Trapo e sul-mato-grossense convicto.
Mato Grosso do Sul, Sul de onde?
(www.radialistasms.org.br/ver_art.php?id=6)
Lizoel Costa
Nasci numa capital onde as ruas correm largas e sossegadas. Sou de uma cidade que nem sempre ostentou esse título nobre, esse porto de referência de um estado. Sou de Campo Grande, pólis nascida ao sul de um dividido estado, território de muitas culturas e guerras, o Mato Grosso uno que forjou homens nobres e bandidos, que engoliu através de guerras injustas, um bom pedaço do território paraguaio. Enfim, sou sul-mato-grossense que já ostentou em outros tempos, nos documentos de cidadão um MT que ficou para trás na divisão do estado em 11 de outubro de 1977. No entanto, continuo me sentindo um cidadão sem identidade cultural. Solenemente o país inteiro continua a ignorar a existência no cenário geopolítico brasileiro de dois "Mato-Grossos".
Já perdi a conta de quantas vezes li e ouvi trocarem o nome do meu estado querido. Enfio meu cérebro numa competentissima paciência, desembainho maliciosamente mais uma mentira diplomática e aguardo a lucidez companheira me salvar de me tornar um cidadão antipático, mas é difícil! E essa história, para nós, já deu frutos perversos. Quantos cidadãos incautos são mandados pelas companhias aéreas, para Cuiabá por conta da ignorância brasileira em relação ao nome do estado? 64 % do Pantanal fica em Mato Grosso do Sul, e os pacotes de viagens internacionais embarcam turistas em peso para Cuiabá.
Evito cair no ranço regionalista de criticar por essa situação ímpar, nossos irmãos cuiabanos (até porque sou neto de um), pois o problema não é deles. Quando um autoritário regime militar dividiu o estado sem consultar todos os interessados (como é de praxe nas ditaduras), os cuiabanos foram mais espertos e ficaram com o antigo nome.
Pois eu digo que sou de um estado que quase não existe no imaginário brasileiro: Mato Grosso do Sul... Sul de onde? Para existir um Sul tem que haver um Norte obviamente. Esse mesmo Norte que deveria ficar registrado no nome do estado irmão e por contingências, conchavos e autoritarismos foi suprimido na calada dos gabinetes de Brasília, nos estertores dos anos de chumbo.
Desde 1999, por conta da chegada do PT ao governo, através da vitória de José Orcírio Miranda, o assunto da mudança do nome do estado ganhou uma certa discussão em várias esferas sociais. Muitos compraram a idéia de se mudar o nome para Estado do Pantanal. Criou-se por aqui, uma Liga Pró-Estado do Pantanal, formado por artistas, empresários, jornalistas e até com a aquiescência do grande poeta Manoel de Barros, nascido em Cuiabá, mas Sul-mato-grossense de criação.
Uns tantos torceram o nariz para a mudança do nome, talvez eivados pelo preconceito de serem chamados de “Pantaneiros”. Outros, apesar de históricos apoiadores da divisão, não concordaram com a brigada da mudança: Não queriam deixar de ser “mato-grossenses”. Um amigo, o médico e jornalista campo-grandense José Palhano, definiu bem essa última situação: “Quando se brigou pela divisão, nós do Sul do Mato Grosso já deveríamos estar preparados para romper com tudo. Mudanças tem que ser radicais, ou então anula-se o papel da divisão e voltamos à situação antiga”.
Pois é... Complementando a idéia do primeiro parágrafo, digo que nasci num estado à procura de identidade, assim como os seis personagens de Pirandello procuram por um autor. Noites e dias pelas ruas e estradas do estado, vivemos a mocidade, maturidade e a grande experiência da velhice, procurando não fazer parte de canções esquecidas, brigando contra os parasitas da saudade, tecendo o nosso tempo e procurando não cair na vala comum das bolas em escanteio.
Somos sul-mato-grossenses, somos brasileiros e orgulhosos de nossa origem como qualquer outro compatriota. Não somos uma metáfora escancarada de uma divisão, que, apesar de necessária, feita na meia-luz dos gabinetes do círculo de amigos de El-Rei. Somos um estado exuberante, onde a flora e a fauna estão entre as mais ricas do planeta. Temos tudo a oferecer aos irmãos brasileiros e estrangeiros. Só queremos ter um nome próprio, e deixar de ser eternos confundidos.
Lizoel Costa – Jornalista, músico ex-integrante da banda paulistana Língua de Trapo e sul-mato-grossense convicto.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
MS 30 Anos: do orgulho ao nada
O jornalista Sergio Cruz, membro da Liga do Estado do Pantanal responde a artigo publicado na edição de hoje do Correio do Estado, como título acima assinado pela a professora Marisa Bittar, de São Carlos, Estado de São Paulo.
MARISA BITTAR - É no mínimo lamentável que ao completar as suas três primeiras décadas de história, Mato Grosso do Sul seja brindado com a extravagante controvérsia sobre o seu nome. Pobre Estado, que apesar do seu potencial, não consegue se projetar para o futuro porque, mais uma vez, as suas elites mostram despreparo para exercer a função de dirigentes, tarefa que exige autoridade moral e intelectual.
SERGIO CRUZ - Se existe controvérsia, por mais extravagante que possa ser à articulista, é porque existe uma significativa parcela da sociedade que não aceita o Mato Grosso e quer ter um nome próprio para seu Estado. Quanto à falta de projeção, esta não deve ser atribuída somente à elite dirigente. Aliás, o dirigente é o reflexo de seus dirigidos. Mato Grosso do Sul é vítima de um conservadorismo retrógrado e conformista, que estamos tentando superar. São Paulo sempre nos submeteu política e economicamente. Nós nunca reagimos à altura. Quem podia reagir colocou-se em posição de humilhante subserviência. Exemplo: estão em Mato Grosso do Sul as maiores hidrelétricas do Sudeste brasileiro e a energia de Mato Grosso do Sul é a mais cara do Brasil. Na divisão de Mato Grosso, os recursos que viriam para o Estado nascente foram desviados para o remanescente. O próprio topônimo nos foi imposto. Estes dirigentes sempre aceitaram as fórmulas e soluções das elites, das quais não se pode reclamar autoridade moral e intelectual. Faltou-lhes a ousadia para os grandes desafios. Mas isto está mudando.
MARISA BITTAR - Desde 2007, quando se completaram três décadas da divisão de Mato Grosso e, agora, em 2009, quando deveríamos estar refletindo sobre os trinta anos de Mato Grosso do Sul, é surpreendente que nenhum dos nossos poderes constituídos, seja o Executivo, Legislativo ou Judiciário, tenha proposto à sociedade reflexão sobre o que fomos nesse período e o que queremos ser no futuro e que tenham, por omissão, deixado de exercer a função de dirigir, isto é, de projetar iniciativas que objetivem o desenvolvimento econômico, social, político e cultural para todos. Esse vazio, por si só revelador, encontra agora um par perfeito: a volta da falsa polêmica sobre o nome de Mato Grosso do Sul.
SERGIO CRUZ - Não vivemos nenhum vazio, nenhum caos. Vivemos uma vida política intensa e, graças a nossa capacidade de reflexão produtiva, estamos superando todos os entraves ao nosso desenvolvimento, rompendo, principalmente, as barreiras aparentemente intransponíveis do derrotismo daqueles que, de longe ou de perto, torcem para dar certo suas previsões infelizes. A polêmica sobre o Estado do Pantanal não é falsa. É tão legítima quanto a campanha divisionista.
MARISA BITTAR - Dessa vez a “inquietante” questão ressurge por conta da Fifa, que, supostamente, por confundir Mato Grosso do Sul com Mato Grosso e por desconhecer que “o Pantanal é aqui”, escolheu Cuiabá como uma das subsedes da Copa de 2014. Divulgada decisão, os defensores do turismo, da visão pragmática e utilitária da vida, para os quais a complexa vida econômica, social, histórica e cultural do Estado está reduzida a uma projeção de marketing, logo encontraram o culpado pela desgraça. E quem poderia sê-lo senão o nosso próprio nome¿
SERGIO CRUZ - A causa do Estado do Pantanal transcende a episódio da Copa do Mundo. Há mais de dez anos estamos defendendo a idéia que não está reduzida à projeção de marketing. A discussão é ampla e abrangente, com alcance econômico, social, histórico, geográfico e cultural. A partir das razões econômicas apontadas, não se exclui esta questão do marketing. Afinal, uma mudança deste tamanho tem que considerar todos os aspectos da atividade humana. A mudança de Terra de Santa Cruz para Brasil não teria sido uma imposição mercadológica¿
MARISA BITTAR - No entanto, nenhum dos que se converteram em magistrados para julgar a identidade de Mato Grosso do Sul como um “apêndice” de Mato Grosso se deu ao prosaico trabalho de verificar o mapa da federação brasileira, pois, se o tivessem feito, constatariam a evidência de que a decisão da Fifa decorreu em um imperativo geográfico: caso fosse escolhida Campo Grande, os jogos estariam concentrados na região centro-sul do País. Sediados em Cuiabá, melhor representarão, geograficamente, a Federação. Mas isso os defensores da “mudança” não podem admitir porque desde o início deram à propaganda o tom lamentável de disputa antiga e litigiosa que caracterizou a divisão de Mato Grosso. Ficou patente e foi explicitado pelos dirigentes do futebol brasileiro que o tom dado à campanha publicitária era totalmente impróprio e descabido. Entretanto, a seqüência de desatinos não parou aí, pois após o insucesso, o marketing frustrado resolveu aliar a sua mal pensada estratégia a um vilão, que, naturalmente, tinha de ser o indefeso nome de Mato Grosso do Sul. De quem mais poderia ser, afinal¿
SERGIO CRUZ - A conclusão da professora para a escolha de Cuiabá para subsede da Copa de 2014, não resiste à mínima confrontação do mapa do evento no Brasil. Pela lógica de sua estapafúrdia geografia, Natal (no Nordeste) não teria a menor chance de ser incluída, e Goiânia não teria como ficar fora. O termo “indefeso” utilizado para indicar o nome atual do Estado, não tem nada a ver. O Mato Grosso do Sul é um nome forte e aparentemente imutável, sem contar com o vigor da eterna vigilância de conservadores renitentes o obtusos, que querem transformá-lo em dogma. A idéia da mudança é o de completar o processo emancipacionista, com uma denominação apropriada, do ponto de vista histórico e geográfico, e que evite a confusão provocada pela semelhança com o outro Mato Grosso.
MARISA BITTAR - E assim, depois de trinta anos, na ausência de projetos políticos que justifiquem a existência de Mato Grosso do Sul ou que pelo menos deem um significado justo à divisão de 1977, encontramos finalmente, uma forma de comemorar o seu aniversário, engajemo-nos todos na importante missão de lhe dar um novo nome! Deixemos de nos preocupar com a crescente tensão fundiária, com o nível de educação pública, com a forma pela qual o poder e a política são exercidos no Estado, com questões enfim que dizem respeito à sua infraestrutura e às políticas públicas. Por que nos preocupar com assuntos tão espinhosos se existe um que pode resolver todos eles de uma só vez¿ Por que empregar nosso tempo em demoradas ações de longo alcance se temos a sorte de contar com setores do marketing, da mídia e das elites políticas, que estão nos mostrando o verdadeiro caminho, a mágica capaz de solucionar todos os problemas e redimir Mato Grosso do Sul da insignificância de ser um “apêndice” e, elevá-lo, finalmente, ao patamar da grandeza que serviu de bandeira para a sua criação¿
SERGIO CRUZ - Mato Grosso do Sul é um Estado plenamente justificável. Somente quem o vê de longe não consegue enxergar seu significado, despreza os avanços, sobretudo na distensão fundiária, na formulação de políticas de incremento à educação pública e à infraestrutura urbana e de transportes. Nosso Estado não é o melhor do Brasil, mas não está entre os piores. O nome é apenas um detalhe importante. Em nenhum momento o Estado do Pantanal foi apresentado como panacéia. No máximo, um topônimo histórica e geograficamente compatível. No mínimo, um nome inconfundível. Tudo isso.
MARISA BITTAR - Ao chegarmos aos trinta anos pelo menos não poderemos dizer que as elites políticas sul-mato-grossenses não mudaram. Superada a fase daquela que defendeu o regime militar e criou a falácia do “estado modelo”, do suposto exemplo que Mato Grosso do Sul seria ao se apartar do norte, chegamos à era do nada, do vazio de direção, da constatação de que vamos à deriva, e de que, por isso, ficamos à mercê de fatos episódicos. É frustrante reconhecer que, depois de trinta anos, a capacidade de semear ilusões, de subverter a ordem de importância das coisas, de colocar no centro o que é periférico, substituindo os grandes temas que deveriam compor a agenda política do Estado é o sinal da incompetência para compreender as razões que permearam a criação de Mato Grosso do Sul e enfrentar o desafio de um projeto para o seu futuro.
SERGIO CRUZ - Desconhecemos o Estado a que se refere a autora. A falácia do “estado modelo” não teve origem local e, mesmo diante dos percalços de trinta anos de crises políticas e econômicas, Mato Grosso do Sul atingiu índice satisfatório de desenvolvimento. Aqui os grandes temas fazem parte de nossa agenda política e a solução de nossos problemas mais cruciais dependem muito mais de recurso financeiro que de projetos. O Estado do Pantanal não é uma questão periférica, nem a sua discussão subverte a importância das coisas. Se fosse um fato episódico, certamente não estaria tomando o precioso tempo da nobilíssima articulista.
O jornalista Sergio Cruz, membro da Liga do Estado do Pantanal responde a artigo publicado na edição de hoje do Correio do Estado, como título acima assinado pela a professora Marisa Bittar, de São Carlos, Estado de São Paulo.
MARISA BITTAR - É no mínimo lamentável que ao completar as suas três primeiras décadas de história, Mato Grosso do Sul seja brindado com a extravagante controvérsia sobre o seu nome. Pobre Estado, que apesar do seu potencial, não consegue se projetar para o futuro porque, mais uma vez, as suas elites mostram despreparo para exercer a função de dirigentes, tarefa que exige autoridade moral e intelectual.
SERGIO CRUZ - Se existe controvérsia, por mais extravagante que possa ser à articulista, é porque existe uma significativa parcela da sociedade que não aceita o Mato Grosso e quer ter um nome próprio para seu Estado. Quanto à falta de projeção, esta não deve ser atribuída somente à elite dirigente. Aliás, o dirigente é o reflexo de seus dirigidos. Mato Grosso do Sul é vítima de um conservadorismo retrógrado e conformista, que estamos tentando superar. São Paulo sempre nos submeteu política e economicamente. Nós nunca reagimos à altura. Quem podia reagir colocou-se em posição de humilhante subserviência. Exemplo: estão em Mato Grosso do Sul as maiores hidrelétricas do Sudeste brasileiro e a energia de Mato Grosso do Sul é a mais cara do Brasil. Na divisão de Mato Grosso, os recursos que viriam para o Estado nascente foram desviados para o remanescente. O próprio topônimo nos foi imposto. Estes dirigentes sempre aceitaram as fórmulas e soluções das elites, das quais não se pode reclamar autoridade moral e intelectual. Faltou-lhes a ousadia para os grandes desafios. Mas isto está mudando.
MARISA BITTAR - Desde 2007, quando se completaram três décadas da divisão de Mato Grosso e, agora, em 2009, quando deveríamos estar refletindo sobre os trinta anos de Mato Grosso do Sul, é surpreendente que nenhum dos nossos poderes constituídos, seja o Executivo, Legislativo ou Judiciário, tenha proposto à sociedade reflexão sobre o que fomos nesse período e o que queremos ser no futuro e que tenham, por omissão, deixado de exercer a função de dirigir, isto é, de projetar iniciativas que objetivem o desenvolvimento econômico, social, político e cultural para todos. Esse vazio, por si só revelador, encontra agora um par perfeito: a volta da falsa polêmica sobre o nome de Mato Grosso do Sul.
SERGIO CRUZ - Não vivemos nenhum vazio, nenhum caos. Vivemos uma vida política intensa e, graças a nossa capacidade de reflexão produtiva, estamos superando todos os entraves ao nosso desenvolvimento, rompendo, principalmente, as barreiras aparentemente intransponíveis do derrotismo daqueles que, de longe ou de perto, torcem para dar certo suas previsões infelizes. A polêmica sobre o Estado do Pantanal não é falsa. É tão legítima quanto a campanha divisionista.
MARISA BITTAR - Dessa vez a “inquietante” questão ressurge por conta da Fifa, que, supostamente, por confundir Mato Grosso do Sul com Mato Grosso e por desconhecer que “o Pantanal é aqui”, escolheu Cuiabá como uma das subsedes da Copa de 2014. Divulgada decisão, os defensores do turismo, da visão pragmática e utilitária da vida, para os quais a complexa vida econômica, social, histórica e cultural do Estado está reduzida a uma projeção de marketing, logo encontraram o culpado pela desgraça. E quem poderia sê-lo senão o nosso próprio nome¿
SERGIO CRUZ - A causa do Estado do Pantanal transcende a episódio da Copa do Mundo. Há mais de dez anos estamos defendendo a idéia que não está reduzida à projeção de marketing. A discussão é ampla e abrangente, com alcance econômico, social, histórico, geográfico e cultural. A partir das razões econômicas apontadas, não se exclui esta questão do marketing. Afinal, uma mudança deste tamanho tem que considerar todos os aspectos da atividade humana. A mudança de Terra de Santa Cruz para Brasil não teria sido uma imposição mercadológica¿
MARISA BITTAR - No entanto, nenhum dos que se converteram em magistrados para julgar a identidade de Mato Grosso do Sul como um “apêndice” de Mato Grosso se deu ao prosaico trabalho de verificar o mapa da federação brasileira, pois, se o tivessem feito, constatariam a evidência de que a decisão da Fifa decorreu em um imperativo geográfico: caso fosse escolhida Campo Grande, os jogos estariam concentrados na região centro-sul do País. Sediados em Cuiabá, melhor representarão, geograficamente, a Federação. Mas isso os defensores da “mudança” não podem admitir porque desde o início deram à propaganda o tom lamentável de disputa antiga e litigiosa que caracterizou a divisão de Mato Grosso. Ficou patente e foi explicitado pelos dirigentes do futebol brasileiro que o tom dado à campanha publicitária era totalmente impróprio e descabido. Entretanto, a seqüência de desatinos não parou aí, pois após o insucesso, o marketing frustrado resolveu aliar a sua mal pensada estratégia a um vilão, que, naturalmente, tinha de ser o indefeso nome de Mato Grosso do Sul. De quem mais poderia ser, afinal¿
SERGIO CRUZ - A conclusão da professora para a escolha de Cuiabá para subsede da Copa de 2014, não resiste à mínima confrontação do mapa do evento no Brasil. Pela lógica de sua estapafúrdia geografia, Natal (no Nordeste) não teria a menor chance de ser incluída, e Goiânia não teria como ficar fora. O termo “indefeso” utilizado para indicar o nome atual do Estado, não tem nada a ver. O Mato Grosso do Sul é um nome forte e aparentemente imutável, sem contar com o vigor da eterna vigilância de conservadores renitentes o obtusos, que querem transformá-lo em dogma. A idéia da mudança é o de completar o processo emancipacionista, com uma denominação apropriada, do ponto de vista histórico e geográfico, e que evite a confusão provocada pela semelhança com o outro Mato Grosso.
MARISA BITTAR - E assim, depois de trinta anos, na ausência de projetos políticos que justifiquem a existência de Mato Grosso do Sul ou que pelo menos deem um significado justo à divisão de 1977, encontramos finalmente, uma forma de comemorar o seu aniversário, engajemo-nos todos na importante missão de lhe dar um novo nome! Deixemos de nos preocupar com a crescente tensão fundiária, com o nível de educação pública, com a forma pela qual o poder e a política são exercidos no Estado, com questões enfim que dizem respeito à sua infraestrutura e às políticas públicas. Por que nos preocupar com assuntos tão espinhosos se existe um que pode resolver todos eles de uma só vez¿ Por que empregar nosso tempo em demoradas ações de longo alcance se temos a sorte de contar com setores do marketing, da mídia e das elites políticas, que estão nos mostrando o verdadeiro caminho, a mágica capaz de solucionar todos os problemas e redimir Mato Grosso do Sul da insignificância de ser um “apêndice” e, elevá-lo, finalmente, ao patamar da grandeza que serviu de bandeira para a sua criação¿
SERGIO CRUZ - Mato Grosso do Sul é um Estado plenamente justificável. Somente quem o vê de longe não consegue enxergar seu significado, despreza os avanços, sobretudo na distensão fundiária, na formulação de políticas de incremento à educação pública e à infraestrutura urbana e de transportes. Nosso Estado não é o melhor do Brasil, mas não está entre os piores. O nome é apenas um detalhe importante. Em nenhum momento o Estado do Pantanal foi apresentado como panacéia. No máximo, um topônimo histórica e geograficamente compatível. No mínimo, um nome inconfundível. Tudo isso.
MARISA BITTAR - Ao chegarmos aos trinta anos pelo menos não poderemos dizer que as elites políticas sul-mato-grossenses não mudaram. Superada a fase daquela que defendeu o regime militar e criou a falácia do “estado modelo”, do suposto exemplo que Mato Grosso do Sul seria ao se apartar do norte, chegamos à era do nada, do vazio de direção, da constatação de que vamos à deriva, e de que, por isso, ficamos à mercê de fatos episódicos. É frustrante reconhecer que, depois de trinta anos, a capacidade de semear ilusões, de subverter a ordem de importância das coisas, de colocar no centro o que é periférico, substituindo os grandes temas que deveriam compor a agenda política do Estado é o sinal da incompetência para compreender as razões que permearam a criação de Mato Grosso do Sul e enfrentar o desafio de um projeto para o seu futuro.
SERGIO CRUZ - Desconhecemos o Estado a que se refere a autora. A falácia do “estado modelo” não teve origem local e, mesmo diante dos percalços de trinta anos de crises políticas e econômicas, Mato Grosso do Sul atingiu índice satisfatório de desenvolvimento. Aqui os grandes temas fazem parte de nossa agenda política e a solução de nossos problemas mais cruciais dependem muito mais de recurso financeiro que de projetos. O Estado do Pantanal não é uma questão periférica, nem a sua discussão subverte a importância das coisas. Se fosse um fato episódico, certamente não estaria tomando o precioso tempo da nobilíssima articulista.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
Guavirá Potí II
Quando entrar novembro
Encilharei meu pantaneiro tobiano
E junto com minha amada
Iremos faceiros catar guaviras.
Sentir os sabores perdidos da infância
Quando levantávamos antes do sol
Com matula de charque pilado já pronta
Cambuchís, corotes com água fria
Latas de querosene, cestos, baldes , bacias.
A gurizada, os primos, vizinhos, amigos
Em uma enorme e colorida romaria
Saindo dos bairros, vilas, da periferia
Deixando quase vazias as cidades
Ricos, pobres, índios, brancos, soldados
Gente de todo naipe e idade
Rumo as invernadas,
Por boiadeiras estradas...
A pé, á cavalo, de charrete, camionete
Carro de boi, caminhão , lombo de burro, bicicleta
Vai marchando a procissão humana, sem igual
Espalhando-se pelos campos, potreiros,
Em busca de um guaviral...
Da planta parideira de mel,
Prima famosa do araçá,
Da jaboticaba, pitanga, goiaba
Com suas moitas repletas de frutas
Verde-amarelo-azuladas
Doçura em infrutescência encapsulada.
Prenhada pelas mamangavas
Por cuícas e guaíquicas semeada
Alimento de veado, lobo, raposa, boreví
Gado alçado, cabrito, mão pelada, nhandú
Periquito, morcego, angujá, rato do mato, tatu ...
E atrás deles a jibóia , a jararaca e mboí chini.
Fruta sagrado dos guarani , mbayá e kaiowá
Que buscam em seus arbustos, suas folhagens
O casulo da borboleta branca, “panambí”
Para enfeitar seu instrumento de reza,o maracá .
Planta criada pelos filhos de Riú Riapú Guaçu
O Grande Pai Celestial
Para vingarem-se do tormento
De terem os jaguaretè –avá servido como alimento
Rachã Ruçú , a Grande Mãe,
Dos infantes guarani, Jacy e koararí.
Pelo povo-onça abatida, carneada, comida
As duas crianças então fizeram a guavira
E para os guavirais levaram os homens-onças
Fazendo passar por uma longa pinguela
Sobre um rio enorme, imenso
E deram-lhes a morte por afogamento
Para reparar tamanho sofrimento.
Dando assim início a era do Avá-etê
O Homem Puro, Verdadeiro, sem mácula
Em substituição aos homens-jaguaretê
Ficando apenas o último jaguaretê–avá da fila
Que pulando para trás se salvou da vingança
Sendo hoje o antepassado de todas as onças.
Guavira, planta dos amantes e dos apaixonados
Que chamam a amada de “ Flor de Guavira “
A menina nova de “ Guavira em Flor “
Se for na fronteira é “Guavirá Potí”
Que é flor de guavira em guarani
Guavira remédio para muitos males
Há muito conhecida e mui usada
Por parteiras e benzedeiras
Por seu poder curativo, adstringente
Com o chá de suas folhas
Cura a dor de barriga de toda gente...
E se busca um revigorante
Para um corpo cansado da lida
Para expulsar a fraqueza
O desânimo que o corpo abate
Basta colocar uns ramos da planta
Misturado á erva cancheada
Na hora de se tomar o mate...
Nas casas grã-finas ela é licor
Servido em pequenos cálices de cristal
Nos ranchos humildes sua casca dá sabor
Á canha , á pinga,á cachaça, a aguardente.
È o uísque escocês da pantaneira gente.
E na cidade com suas delícias
Graças ao conforto da eletricidade
O fruto sagrado transforma-se em picolé e sorvete
Tem até quem faça mouse com chocolate!!!
Guavira, guaviroba, guavirova, guabirá
Não importa o nome que se dá
Na fronteira virou verbo mui usado
Se a alcunha de paraguaio é mandioqueiro
De sul mato-grossense é guavireiro
E quem anda pelos matos, campos,
Estradas de fazenda, namorando,
Dizem que está é guavirando...
Infalível para marcar a gestação
Das crianças docemente concebidas
Em meio as dulcíssimas frutas
No afã de um abraço, um beijo, uma mordida
Os corpos se enleiam como cobras
Impossível resistir á atração.
Os guavirais estimulam os “ demônios”
Os “demônios” estimulam os hormônios
Os hormônios estimulam casamentos
Para a aflição de pais e mães ciumentos.
E daí a nove meses...
há uma farta parição
Nos meses de julho e agosto
Dos “ filhos da guavira”
Mantendo sempre viva a tradição
De que chupar guavira junto
Reforça a amizade, cria cumplicidade
e une o coração.
Da grande família das mirtáceas
Que habitam o Brasil Central
È a que tem do povo a devoção
E se não fosse Mato Grosso do Sul
Conhecido como o Estado do Pantanal
Com certeza eu diria
Que um novo nome apropriado seria
O “Estado do Guaviral “.
Marcus Antônio Karaí Mbaretê Ruiz
(www.oabms.org.br)
Guavirá Potí II
Quando entrar novembro
Encilharei meu pantaneiro tobiano
E junto com minha amada
Iremos faceiros catar guaviras.
Sentir os sabores perdidos da infância
Quando levantávamos antes do sol
Com matula de charque pilado já pronta
Cambuchís, corotes com água fria
Latas de querosene, cestos, baldes , bacias.
A gurizada, os primos, vizinhos, amigos
Em uma enorme e colorida romaria
Saindo dos bairros, vilas, da periferia
Deixando quase vazias as cidades
Ricos, pobres, índios, brancos, soldados
Gente de todo naipe e idade
Rumo as invernadas,
Por boiadeiras estradas...
A pé, á cavalo, de charrete, camionete
Carro de boi, caminhão , lombo de burro, bicicleta
Vai marchando a procissão humana, sem igual
Espalhando-se pelos campos, potreiros,
Em busca de um guaviral...
Da planta parideira de mel,
Prima famosa do araçá,
Da jaboticaba, pitanga, goiaba
Com suas moitas repletas de frutas
Verde-amarelo-azuladas
Doçura em infrutescência encapsulada.
Prenhada pelas mamangavas
Por cuícas e guaíquicas semeada
Alimento de veado, lobo, raposa, boreví
Gado alçado, cabrito, mão pelada, nhandú
Periquito, morcego, angujá, rato do mato, tatu ...
E atrás deles a jibóia , a jararaca e mboí chini.
Fruta sagrado dos guarani , mbayá e kaiowá
Que buscam em seus arbustos, suas folhagens
O casulo da borboleta branca, “panambí”
Para enfeitar seu instrumento de reza,o maracá .
Planta criada pelos filhos de Riú Riapú Guaçu
O Grande Pai Celestial
Para vingarem-se do tormento
De terem os jaguaretè –avá servido como alimento
Rachã Ruçú , a Grande Mãe,
Dos infantes guarani, Jacy e koararí.
Pelo povo-onça abatida, carneada, comida
As duas crianças então fizeram a guavira
E para os guavirais levaram os homens-onças
Fazendo passar por uma longa pinguela
Sobre um rio enorme, imenso
E deram-lhes a morte por afogamento
Para reparar tamanho sofrimento.
Dando assim início a era do Avá-etê
O Homem Puro, Verdadeiro, sem mácula
Em substituição aos homens-jaguaretê
Ficando apenas o último jaguaretê–avá da fila
Que pulando para trás se salvou da vingança
Sendo hoje o antepassado de todas as onças.
Guavira, planta dos amantes e dos apaixonados
Que chamam a amada de “ Flor de Guavira “
A menina nova de “ Guavira em Flor “
Se for na fronteira é “Guavirá Potí”
Que é flor de guavira em guarani
Guavira remédio para muitos males
Há muito conhecida e mui usada
Por parteiras e benzedeiras
Por seu poder curativo, adstringente
Com o chá de suas folhas
Cura a dor de barriga de toda gente...
E se busca um revigorante
Para um corpo cansado da lida
Para expulsar a fraqueza
O desânimo que o corpo abate
Basta colocar uns ramos da planta
Misturado á erva cancheada
Na hora de se tomar o mate...
Nas casas grã-finas ela é licor
Servido em pequenos cálices de cristal
Nos ranchos humildes sua casca dá sabor
Á canha , á pinga,á cachaça, a aguardente.
È o uísque escocês da pantaneira gente.
E na cidade com suas delícias
Graças ao conforto da eletricidade
O fruto sagrado transforma-se em picolé e sorvete
Tem até quem faça mouse com chocolate!!!
Guavira, guaviroba, guavirova, guabirá
Não importa o nome que se dá
Na fronteira virou verbo mui usado
Se a alcunha de paraguaio é mandioqueiro
De sul mato-grossense é guavireiro
E quem anda pelos matos, campos,
Estradas de fazenda, namorando,
Dizem que está é guavirando...
Infalível para marcar a gestação
Das crianças docemente concebidas
Em meio as dulcíssimas frutas
No afã de um abraço, um beijo, uma mordida
Os corpos se enleiam como cobras
Impossível resistir á atração.
Os guavirais estimulam os “ demônios”
Os “demônios” estimulam os hormônios
Os hormônios estimulam casamentos
Para a aflição de pais e mães ciumentos.
E daí a nove meses...
há uma farta parição
Nos meses de julho e agosto
Dos “ filhos da guavira”
Mantendo sempre viva a tradição
De que chupar guavira junto
Reforça a amizade, cria cumplicidade
e une o coração.
Da grande família das mirtáceas
Que habitam o Brasil Central
È a que tem do povo a devoção
E se não fosse Mato Grosso do Sul
Conhecido como o Estado do Pantanal
Com certeza eu diria
Que um novo nome apropriado seria
O “Estado do Guaviral “.
Marcus Antônio Karaí Mbaretê Ruiz
(www.oabms.org.br)
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Terça-feira, 16 de Junho de 2009
_Nome aos bois
De Luca Maribondo
(http://casadomaribondo.blogspot.com)
>>>
Quando, em 1977, o general Ernesto Geisel, presidente de plantão do País, assinou o primeiro documento que dividia o antigo Estado de Mato Grosso em dois, a porção do sul foi denominada Estado de Campo Grande. Mas um grupo de notáveis mato-grossenses do sul não gostou e foi até o presidente pedir que a nova unidade da Federação se chamasse Mato Grosso do Sul. Numa atitude pouco comum, Geisel cedeu e tascou lá Mato Grosso do Sul. Foi um erro. Desde então o novo Estado e seu povo vêm procurando essa tal identidade, mesmo porque até hoje, passadas mais de três décadas da divisão do Estado, ainda tem gente que chama isto aqui de Mato Grosso.
É como se a nossa identidade estivesse apenas no nome do Estado. É óbvio que não está, mas volta e meia aparece alguém insistindo em mudar o nome de Mato Grosso do Sul. A última onda foi encabeçada pelo ex-governador José Orcírio, dito Zeca do PT, que queria porque queria o nome de Estado do Pantanal. Deu em nada. Agora é o deputado estadual Antonio Carlos Arroyo (PR) que mentoreia a coisa. Nesta terça-feira (16/jun.) mesmo houve uma reunião sobre a mudança do nome do Estado, realizada na Presidência da Assembléia Legislativa.
Segundo o sítio de notícias Midiamax, "o encontro não resultou em qualquer encaminhamento prático sobre o assunto, mas segundo o deputado estadual Antonio Carlos Arroyo (PR), que encabeçou os debates, o principal resultado da reunião foi a manifestação de 13 parlamentares como favoráveis à realização de um plebiscito sobre a mudança (sic)." Diz ainda o Midiamax que "Arroyo acredita que o número chegue a 18."
Nem todos os que defendem a realização do plebiscito, no entanto, são favoráveis à mudança de Mato Grosso do Sul para Pantanal. Muita gente é contra, creio que até porque Pantanal é um nome danado de feio. Além disso, pantanal não significa coisa lá muito limpa: é uma grande extensão de pântano, que por sua vez significa região ribeirinha coberta por águas paradas ou planície inundada. Essa gente toda acredita que essa coisa de identidade não está propriamente na denominação do Estado, mas em questões mais profundas, tais como cultura, política, sociedade, economia e comunicação (raramente se fez uma comunicação realmente séria neste Estado), entre outras.
Mato Grosso e Mato Grosso do Sul não são nomes também muito cristãos. Grosso, no caso, tem o significado de grande. E toda vez que alguém fala em Mato Grosso do Sul ou Mato Grosso peno logo num enorme tora de peroba ou de angico, ou numa borduna ou alguma outra coisa pesada para dar bordoadas. Além disso, grosso é um adjetivo com muitos significados, digamos, não muito decentes, tais como volumoso, corpulento, que não passou por processo de refinamento, gordo, corpulento, objeto cuja superfície, no contato, apresenta desagradável irregularidade; áspero; malfeito, mal acabado, grosseiro, provido de eqüinos, bovinos e muares (diz-se de gado); que é grosseiro, incivil, impolido, abundante, anafado, beberrão, cerrado, espesso e vultoso, cafona, embriagado e malcriado. Não basta?
Parece que ninguém pensa em outro nome. E como este blog tem a divisa de "metendo o bedelho em tudo", resolvi dar pitaco também. Assim, sugiro alguns nomes para este malfadado Estado de Mato Grosso do Sul. Aí vai um rolzinho, com algumas explicações, quando necessárias:
▪ Caiman – e pros jacarés, nada?
▪ Estado de Campo Grande.
▪ Estado do Caá – um dos nomes da erva-mate, planta de fundamental importância para a economia da região. Este tem a vantagem de ser bem curtinho. Já imaginou você respondendo a pergunta "de onde é você?" Sou lá do Caá... Que charme.
▪ Guaicurúndia – em homenagem aos índios guaicurus, que habitaram a região.
▪ Neloria – claro, né? Afinal, aqui tem dez vezes mais nelores do que humanos.
▪ Pedrossiania – em homenagem ao ex-governador Pedro Pedrossian, que é vaidoso o suficiente para colocar o próprio nome em obras que ele mesmo realizou, como é o caso do Estádio "Pedro Pedrossian".
▪ Teressilvania – homenagem aos terenas (outros índios que habitaram a região), com um neologismo criado a partir de acrônimo com a junção de partes das palavras terena e silvania (palavra derivada de silva, sinônimo de selva, floresta). E de lambuja a gente ainda reverencia o Nosso Guia Lula da Silva.
A bem da verdade, o nome até que não importa muito. O importante é que nossos políticos resolveram perguntar ao povo se quer mudar o nome do Estado. Nada mais saudável que a participação da sociedade em algo crucial como este. Sempre é bom lembrar que na hora de criar o Estado, ninguém perguntou pro tal de povo se queria ou não dividir o Mato Grande, ou melhor, o Mato Grosso. Além disso, nós quase não temos problemas, é ou não é? Assim, vamos logo tratar de resolver esse problemão do nome do Estado. Até porque ser sul-mato-grosssense me deixa muito subdesenvolvido.
_Nome aos bois
De Luca Maribondo
(http://casadomaribondo.blogspot.com)
>>>
Quando, em 1977, o general Ernesto Geisel, presidente de plantão do País, assinou o primeiro documento que dividia o antigo Estado de Mato Grosso em dois, a porção do sul foi denominada Estado de Campo Grande. Mas um grupo de notáveis mato-grossenses do sul não gostou e foi até o presidente pedir que a nova unidade da Federação se chamasse Mato Grosso do Sul. Numa atitude pouco comum, Geisel cedeu e tascou lá Mato Grosso do Sul. Foi um erro. Desde então o novo Estado e seu povo vêm procurando essa tal identidade, mesmo porque até hoje, passadas mais de três décadas da divisão do Estado, ainda tem gente que chama isto aqui de Mato Grosso.
É como se a nossa identidade estivesse apenas no nome do Estado. É óbvio que não está, mas volta e meia aparece alguém insistindo em mudar o nome de Mato Grosso do Sul. A última onda foi encabeçada pelo ex-governador José Orcírio, dito Zeca do PT, que queria porque queria o nome de Estado do Pantanal. Deu em nada. Agora é o deputado estadual Antonio Carlos Arroyo (PR) que mentoreia a coisa. Nesta terça-feira (16/jun.) mesmo houve uma reunião sobre a mudança do nome do Estado, realizada na Presidência da Assembléia Legislativa.
Segundo o sítio de notícias Midiamax, "o encontro não resultou em qualquer encaminhamento prático sobre o assunto, mas segundo o deputado estadual Antonio Carlos Arroyo (PR), que encabeçou os debates, o principal resultado da reunião foi a manifestação de 13 parlamentares como favoráveis à realização de um plebiscito sobre a mudança (sic)." Diz ainda o Midiamax que "Arroyo acredita que o número chegue a 18."
Nem todos os que defendem a realização do plebiscito, no entanto, são favoráveis à mudança de Mato Grosso do Sul para Pantanal. Muita gente é contra, creio que até porque Pantanal é um nome danado de feio. Além disso, pantanal não significa coisa lá muito limpa: é uma grande extensão de pântano, que por sua vez significa região ribeirinha coberta por águas paradas ou planície inundada. Essa gente toda acredita que essa coisa de identidade não está propriamente na denominação do Estado, mas em questões mais profundas, tais como cultura, política, sociedade, economia e comunicação (raramente se fez uma comunicação realmente séria neste Estado), entre outras.
Mato Grosso e Mato Grosso do Sul não são nomes também muito cristãos. Grosso, no caso, tem o significado de grande. E toda vez que alguém fala em Mato Grosso do Sul ou Mato Grosso peno logo num enorme tora de peroba ou de angico, ou numa borduna ou alguma outra coisa pesada para dar bordoadas. Além disso, grosso é um adjetivo com muitos significados, digamos, não muito decentes, tais como volumoso, corpulento, que não passou por processo de refinamento, gordo, corpulento, objeto cuja superfície, no contato, apresenta desagradável irregularidade; áspero; malfeito, mal acabado, grosseiro, provido de eqüinos, bovinos e muares (diz-se de gado); que é grosseiro, incivil, impolido, abundante, anafado, beberrão, cerrado, espesso e vultoso, cafona, embriagado e malcriado. Não basta?
Parece que ninguém pensa em outro nome. E como este blog tem a divisa de "metendo o bedelho em tudo", resolvi dar pitaco também. Assim, sugiro alguns nomes para este malfadado Estado de Mato Grosso do Sul. Aí vai um rolzinho, com algumas explicações, quando necessárias:
▪ Caiman – e pros jacarés, nada?
▪ Estado de Campo Grande.
▪ Estado do Caá – um dos nomes da erva-mate, planta de fundamental importância para a economia da região. Este tem a vantagem de ser bem curtinho. Já imaginou você respondendo a pergunta "de onde é você?" Sou lá do Caá... Que charme.
▪ Guaicurúndia – em homenagem aos índios guaicurus, que habitaram a região.
▪ Neloria – claro, né? Afinal, aqui tem dez vezes mais nelores do que humanos.
▪ Pedrossiania – em homenagem ao ex-governador Pedro Pedrossian, que é vaidoso o suficiente para colocar o próprio nome em obras que ele mesmo realizou, como é o caso do Estádio "Pedro Pedrossian".
▪ Teressilvania – homenagem aos terenas (outros índios que habitaram a região), com um neologismo criado a partir de acrônimo com a junção de partes das palavras terena e silvania (palavra derivada de silva, sinônimo de selva, floresta). E de lambuja a gente ainda reverencia o Nosso Guia Lula da Silva.
A bem da verdade, o nome até que não importa muito. O importante é que nossos políticos resolveram perguntar ao povo se quer mudar o nome do Estado. Nada mais saudável que a participação da sociedade em algo crucial como este. Sempre é bom lembrar que na hora de criar o Estado, ninguém perguntou pro tal de povo se queria ou não dividir o Mato Grande, ou melhor, o Mato Grosso. Além disso, nós quase não temos problemas, é ou não é? Assim, vamos logo tratar de resolver esse problemão do nome do Estado. Até porque ser sul-mato-grosssense me deixa muito subdesenvolvido.
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