Copa 2014: algumas razões para pensar
Ângelo Arruda
(midiamax.com)
02/06/2009
A cidade de Campo Grande amanheceu nessa segunda-feira fria e triste. O esperado anúncio das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 não contemplou a Cidade Morena e com isso, lá se foi pelo ralo, um monte de dinheiro público gasto com todo o material que a FIFA exigia de cada uma das cidades que queriam se habilitar. Recursos públicos foram gastos com viagens de pessoal, contratação de publicidade, com eventos, palanques, anúncios nas revistas nacionais, faixas, banners em quantidade, veículos, enfim, uma ação minuciosa do governo municipal e estadual. Poucos empresários arriscaram colocar seu pescoço na empreitada. O que assisti como cidadão foi preocupante. Vamos ao filme. Quando a temporada foi aberta pela Fifa para que as cidades começassem a se colocar como candidatas, nossa capital não estava ainda ligada na matéria. Talvez com aquele receio de capital de uma cidade do centro-oeste, longe dos centros principais e isso nos afugentava para o escanteio. Eis que um vereador desperta para o tema, assina um requerimento – como inúmeros que a Câmara aprova toda semana- e no meio de pedidos de pavimentação de ruas, colocação de ponto de ônibus, troca de luminárias, aparece um para que o município ficasse na linha de frente da Copa 2014 e acordasse para o tema. Como era um requerimento no meio de tantos, pouco se deu atenção. Aliás, a primeira pergunta que devemos fazer é: uma ação dessa de grande envergadura mundial era para ser tratada por um requerimento de vereador ou era para ser tratada como um tema dos governos, dos empresários e da sociedade? Pensem nisso. Mas vamos lá. Eis que a municipalidade acorda e começa a trabalhar. Nesse momento, nossa vizinha Cuiabá, já estava lá no campo, jogando, se apresentando e inclusive, o governador daquele Estado, já tinha ido à Europa com o Presidente Lula, numa enorme comitiva de outros governantes, tratar do assunto Copa 2014. Faço esse preâmbulo, por conta da necessidade que tenho de compreender como duas cidades iguais- as duas tem Pantanal, população equilibrada, ausência de futebol, estádios e meio de transporte deficientes – estavam numa disputa e uma achava sempre que a outra ia perder a peleja. Estavam empatadas, desde o começo percebi isso. Continuando com a análise podemos admitir que a vizinha Cuiabá é mais alegre, que as pessoas adoram sair de casa e curtir a noite mas isso não tem peso no julgamento de uma Fifa para sediar uma Copa do Mundo, com a visibilidade de bilhões de pessoas. Podemos admitir que a rede hoteleira de Campo Grande é melhor, que temos melhores condições de vida e de segurança urbana mas isso não tem peso na decisão. O que os “fifeiros” estavam atrás? O que decidiu por Cuiabá? Quais as razões que o pessoal da Fifa tiveram para fazer a opção pelo Mato Grosso? Começo a desconfiar que a luta pela mudança do nome para Estado do Pantanal, considerada uma aberrração por uma parte dos políticos e da população, começa a fazer a diferença, pois quem conhece o turismo no Pantanal, sabe que o fluxo para o norte é bem maior que o do sul, apesar de Bonito e de Corumbá. Sendo assim começamos a desempatar e para perder. Outro ponto que podemos admitir como importante está relacionado com a infra-estrutura urbana. As duas cidades tem os mesmos problemas de transporte, trânsito e mobilidade urbana com um agravante: Campo Grande perdeu com a retirada dos trilhos do centro e ele passando pela UFMS, a oportunidade de um Metrô de Superfície, conforme pensamos e anunciamos para a cidade no ano de 2004. A retirada dos trilhos foi fatal, para o Trem do Pantanal e para a Copa do Mundo. Alguém deve dar a mão a palmatória à nossa entidade FERROVIVA que estudou o tema e fez uma proposta concreta. Po fim, a vontade política e a vontade do povo das duas cidades. Nesse quesito ganhamos mas tivemos problemas pois acusações cidadãs aconteceram e quando isso acontece, cai o pano fino que nos unia e assim o abismo entre os dois estados cresceu ainda mais. Assim caros leitores, penso que não devemos falar que perdemos pois devemos ensinar que devemos lutar sempre, em função de uma causa. Agora não custa planejar melhor a ação que se quer, cuidar de todos os pontos para que tenhamos sucesso na próxima empreitada. Eu se fosse o prefeito e o governador, não ficaria dizendo que o tapetão ganhou. Não ouvi de nenhum governante que teve sua cidade não contemplada – no caso Goiânia, Florianópolis, Belém, Rio Branco dentre outras, falar que perderam no tapetão. Ao Prefeito a ao Governador, mãos à obra. Outras lutas virão. Quem sabe não devemos inscrever nossa cidade para sediar algum evento internacional ligado à cultura latina, ao meio ambiente, enfim, naquilo que temos de bom? Pois no caso do nosso futebol, ele precisa de apoio e incentivo e nesse momento os governos poderiam começar a fazer a sua parte.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
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